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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

15
Jan22

Comentário 197

Zé Onofre

                    197

 

2021/06/05

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada já sonhava com uma noite

Que entraria pela madrugada.

                                             

As crianças espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

  Zé Onofre

14
Jan22

Comentário 196

Zé Onofre

                   196

 

2021/10/13, Sobre a uma publicação de Fátima Ribeiro em, sussurosdaminhaalma 

De pés presos no chão

Olhamos o céu azul-escuro

Onde pequenos pontos amarelos

Que navegam numa linha curva de luz,

Um fio barco de luar.

 

De pés presos no chão

Olhamos o céu-azul

                   

Sonhamos embarcar naquele veleiro

Casca de noz feito de um frágil fio de luz.

Sonhamos o impossível,

Vemos os filmes possíveis

Passar na tela dos olhos. 

 

Olhamos o firmamento azul-escuro,

Quase negro,

Onde o objecto dos nossos sonhos,

Caminha mudando de face todos os oito dias,

Por entre milhões de velas pequeninas,

Que lhe assinalam a rota.

 

Ainda presos na gravidade da realidade

Sem sabermos,

Porque andamos distraídos de nós,

Ou por caminhos esquisitos e sombrios.

 

Na hora do quase desistir

Sentimos ao nosso lado

O calor da pessoa amada.

 

Descobrimos

Que com a chama do seu amor

Nos elevaremos no espaço sideral

E com o seu fogo passaremos além da lua,

Vamos ao infinito e voltamos,

Para amarar lentamente

No mar de braços e abraços.

  Zé Onofre

10
Jan22

Comentário 195

Zé Onofre

                   195

 

2021/10/11

 

É da natureza das coisas

As folhas caírem uma a uma,

Ou então serem varejadas por um vendaval.

É da natureza das coisas

Umas folhas

Caírem desvalidas no chão,

Outras com sorte

Voarem aves tontas

Na loucura do vento,

E outras serem veleiros

Em riachos

Levando sonhos nossos

A navegar.

Agora o que não é

Da natureza das coisas

É que multidões de folhas-homens

Sejam pisadas e humilhadas

Todos os dias

Por uma minoria

De homens-folhas

Cobertas de ouro,

Sangue das outras esmagadas.

  Zé Onofre

07
Jan22

Comentário 193

Zé Onofre

                     193

 

2021/10/06

 

Quantas vezes, desejamos

O impossível.

Quantas vezes,

Desejamos

Partir

E ficamos.

Quantas vezes,

Desejamos

Ficar com alguém

A quem queremos

Tudo de bom,

Até a Liberdade.

Para grande tristeza

A Liberdade do outro ​

Está em partir

E não em ficar.

Partir nem que seja

Pela espuma das ondas

Do mar em fúria.

  Zé Onofre

06
Jan22

Comentário 192

Zé Onofre

                    192

 

2021/10/05, Sobre uma publicação de Fátima Ribeiro em sussurrosdaminhaalma.  

 

A ideia

De começar um caminho

É um passo.

Decidir

Iniciar a viagem

É outro

Já mais importante.

Fazer a viagem

Apreciar cada passo dado

Não querer saber do chegar

Nem onde chegar,

Mas chegar

Com outros caminheiros

Que connosco sonharam

Os mesmos passos.

    Zé Onofre

 

 

 

04
Jan22

Comentário 190

Zé Onofre

                   190

 

2021/09/26, Sobre a uma publicação de Sandra em cronicassilabaasolta.

 

 Quando falas em tu

É um “tu” especial,

Ou será em todos “tu”,

Que de uma maneira

Ou de outra,

Se cruzaram,

De modo mais ou menos marcante,

No teu caminho?

Olhando

Vejo-me nessa paisagem,

Embora não seja o “tu”

Que invocas

Tenho a certeza, contudo,

Que à beira do teu “tu”

Estou lá.

Invisível, mas estou.

Ou será numa paisagem semelhante?

  Zé Onofre

03
Jan22

Comentário extra numeração 1

Zé Onofre

Extra numeração 1

 

022/01/03

 

Dizem que no mar Mediterrâneo

Havia dois galifões

Rivais.

 

Dizem que na margem ocidental,

Mesmo na ponta mais a ocidente do Mediterrâneo,

Havia uma ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase.

 

Dizem que natal ilha

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

As águas dos riachos, ribeiros e rios

Arrastavam com as suas areias

Uns grãozinhos brilhantes como sol.

 

Dizem que os tais ditos galifões

Achavam que um deles estava a mais,

Para dominar

A tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Com um discurso tão igual

Que parecia um disco em estereofonia.

– Estou a defender os meus interesses,

A minha segurança. –

 

Os tais dois galifões

Na sua gula insaciável

Esqueceram-se

Que na tal ilha

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Na ponta mais a ocidente,

Do mediterrâneo ocidental

Havia gente.

 

Gente que nas altas montanhas,

Nos vales e encostas,

Nas zonas ribeirinhas de rios e praias

Da tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Pastoreavam,

Agricultavam,

Pescavam,

E de vez em quando

Se metiam às areias à cata

Das tais pedrinhas brilhantes,

Tão cobiçadas,

Pelos tais galifões mediterrânicos.

 

As gentes ribeirinhas

Do Mediterrâneo ocidental,

Mesmo na sua ponta mais a ocidente,

Que viviam na tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Ora se juntavam ao galifão C,

Ora ao galião R.

 

Porém os habitantes

Que viviam no interior da tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Juntavam-se para correrem

Com os galifões C. e R.

 

Aconteceu que o galifão R.

Exterminou o galifão C.

E achou-se senhor do Mundo.

 

Então resolveu pacificar

As tais gentes que viviam

Na tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

 

Quem era aquela gente

Que vivia no ocidente do Mediterrâneo,

Na sua ponta mais ocidental,

Numa ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase?

Uns pastorzecos,

Uns agricultores da idade da pedra,

Apanhadores canhestros de pedrinhas amarelas,

De que sequer sabiam bem o valor,

Uns pescadores que pescavam quase à mão,

Tão bárbaros e incivilizados,

Que não tinham lei escrita,

Adoravam deuses tão bárbaros como eles,

Que falavam umas línguas,

Que qualquer pessoa culta entendia.

 

Decidiram que era urgente e necessário,

Levar à tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

No ocidente do Mediterrâneo,

Mesmo na sua ponta mais ocidental,

A sua lei

A sua cultura,

A sua paz,

Os seus deuses do Olimpo.

 

Em troca, da dádiva não pedida,

E muito menos desejada,

As gentes que viviam na tal ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Ficariam sem as suas terras,

Desapropriadas das suas riquezas,

Espoliadas das suas línguas e tradições,

Dos deuses do seu Panteão

Para adorarem os deuses Olímpicos.

E viveriam, os que não se revoltassem,

Como nobres escravos

De tão Altos e Preclaros senhores.

 

Foi assim que aquelas gentes

Que viviam no ocidente do Mediterrâneo,

Mesmo na sua ponte mais a ocidental,

Numa ilha,

Que alguns dizem não ser propriamente ilha,

Mas apenas uma ilha quase,

Desapareceram para serem outra coisa qualquer.

  Zé Onofre

01
Jan22

Comentário 189

Zé Onofre

                    189

 

2021/09/26, sobre a uma publicação de Bárbara Celta em valetas fundas.

 

Entre o Alfa

E o Ómega

Há um longo caminho a percorrer.

Podemos ir por caminhos feitos

Saltar de pedra em pedra

Para caminhar sobre as águas.

Por aí nem Absoluta,

Nem Conjugada

Haverá liberdade.

Liberdade absoluta

É caminhar pela selva

Abrir caminho de catana na mão.

Se, se vai só ou acompanhado

Com um, dois, ou muitos

É Liberdade Absoluta comum a muitos.

   Zé Onofre

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