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Comentários

Comentários

11
Jun21

Comentários 44

Zé Onofre

                     44

Como podemos nós, frágeis mortais,

Encontrar as perguntas certas

Para dar as respostas precisas?

Nem que tivéssemos a eternidade,

Em vez da breve existência,

Teríamos a faculdade,

E a necessária clarividência,

Para formular, só uma, pergunta certa,

Para dar uma resposta em consciência.

                          Zé Onofre

11
Jun21

Comentários 43

Zé Onofre

As palavras não têm tempo nem datas.

Escritas ontem, quando retomadas já a sua semântica se alterou.

As palavras  têm o tempo em que são escritas ou reescritas.

"Muda-se o tempos mudam-se as vontades".

Mudam-se os tempos, mudam-se os sentimentos.

Pode tudo mudar, mas continuam a ser as palavras certas, no momento certo.

 

10
Jun21

Comentários 42

Zé Onofre

                42

Gosto das noites,

De todas as noites.

Sejam elas alegres como o luar,

Ou uma câmara escura com candeias a tremelicar.

Sejam elas de chuva,

De leves aragens,

Ou de fortes vendavais.

Sejam noites de caminhar

Sem fim,

Ou de ficar sentado nas Escadas, abandonado.

Gosto das noites

Que me acompanham, 

Pela janela,

Enquanto me perco num livro,

Até o dia a mandar embora.

       Zé Onofre

08
Jun21

Comentários 41

Zé Onofre

A chuva a bater nas vidraças

A cantar nas telhas

Era um convite

Para me enrolar nos cobertores.

Lia um livro no quentinho

Até que a noite chegasse.

Então saía noite fora,

Apanhava a chuva,

Sentia-a a escorrer pelos cabelos,

Encharcava-me até aos ossos.

E andava, andava, andava.

Conversava com as pessoas,

De quem me isolava,

Sobre os meus segredos mais íntimos.

Voltava a casa altas horas,

A minha amiga noite ficava à porta.

Tomava um banho quentinho,

Voltava aos cobertores,

Continuava a ler o livro

Até às tantas,

Até muito depois da minha amiga noite,

Se ter despedido pela janela.

 Zé Onofre

07
Jun21

Comentários 40

Zé Onofre

                  40              

Solidão e Silêncio

Meus companheiros de todos os momentos.

Em qualquer lugar refugio-me.

Olhando o nada sem limites,

Dialogo comigo e comigo

E um deles é os outros.

Quando volto

Continuo a estar, não estando.

Às vezes, também sinto a falta

De um carinho,

De uma fala amistosa,

De um sorriso só para mim.

Nessas alturas é que o papel paga,    

Carregando palavras sem sentido.

        Zé Onofre

06
Jun21

Comentários 39

Zé Onofre

                     39

Era Março.

As tardes já roubavam a noite

E prolongavam as brincadeiras na estrada.

Uma estrada que estava ali

À espera de automóveis que quase não havia.

Não fora o chiar de carros de bois

E as nossas brincadeiras

A estrada era um fumo preto que corria a aldeia.

Nós, perdidos no tempo,

Esquecidos do espaço,

Apenas acordávamos

Quando a noite silenciosa ia chegando.

Agarrávamos na saca dos livros,

Batíamos os pés a cem à hora,

Mesmo a horas da mãe fechar a boca

E engolir o ralho.

Apenas ao outro dia de manhãzinha,

A caminho da escola,

É que descobríamos

Que havia novos voos no céu,

E que os campos se coloriam.

   Zé Onofre

06
Jun21

Comentários 38

Zé Onofre

                      38

Olha,

Trago nas mãos nada de valor.

Venho

De mãos nuas.

Talvez nelas,

Invisível,

Encontres algum elixir para acalmar a sua dor.

       Zé Onofre

05
Jun21

Comentário 37

Zé Onofre

                    37

Olho uma fotografia.

Se fotografei ontem,

Dias, semanas, meses

Quando uma fotografia,

Amadureceu numa gaveta,

Ou num álbum,

Ou perdida num livro esquecido,

Aparece-me em toda a sua pureza.

Uma amarelada fotografia,

De preferência a cinzentos,

Não é o que se vê.

02
Jun21

Comentário 36

Zé Onofre

                       36

Olhares de criança

Verão o que veem,

Ou veem apenas além?

Que pensará aquela criança

Sentada à beira água?

Que será um peixe perdido fora de água?

Que irá voar por esse mundo além

Numa objectiva?

Estará apenas ali sentada

Não vendo coisa alguma,

Querendo apenas esconder,

Em frente àquela objectiva,

A dor de ali estar sentada

Abandonada,

Ou ser forçada a posar para a foto?

        Zé Onofre

29
Mai21

Comentários 35

Zé Onofre

  14

2021/02/24

Dias de chuva,

Que me levam a barcos de papel.

Nestes  veleiros

Dobro Bojadores

E Tormentas.

Agora, enrolado nos cobertores,

Ouço o batuque da chuva

Nas telhas e na janela.

Desejo com toda a força

Que se prolongue

Para uma manhã de quentinho,

Longe do colégio e dos professores.

Mais tarde,

Caminho monte acima,

Golas de sobretudo até às orelhas,

Para me sentar lá no alto

A remoer dores antigas,

A criar utopias futuras.

As dores lava-as a chuva,

As utopias, conto-as ao vento.

  Zé Onofre

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