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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

15
Out21

Comentário 126

Zé Onofre

126

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada 

Antecipavauma noite de desfolhada

Que entraria pela madrugada.

 Espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

   Zé Onofre

13
Out21

Comentários 124

Zé Onofre

               124

 

Sabendo-se, ou não,

Todas as idades

São idades de sonhar.

Apenas

Se mudam as idades

Mudam-se os sonhos,

E as vontades

De mudar.

Em todas as idades

Se sonha,

Sempre mais à frente.

Porém,

O mais à frente de cada idade

É mais curto.

Contudo, conforme o fim dos dias

Se vai chegando

Sonha-se sempre

Mais além da cova que nos espera.

Zé Onofre

12
Out21

Comentário 123

Zé Onofre

                     123

 

Voar nas asas do desafio,

Venha em corpo de gaivota

Ou no de um pequeno guarda-rios,

Ir muito acima da mais alta cota.

 

Ir ao horizonte cortar o fio

Alargar o espaço que nos toca.

Desse longe, olhar este sítio

Que não sei se abriga ou sufoca.

 

Voar nas asas do desejo

Ver o sentido íntimo do ser.

Tentar descobrir o que não vejo,

 

Desde o primeiro raio do alvorecer

Até que o sol no seu diário passeio

Se despenha no mar ao anoitecer.

11
Out21

Comentário 122

Zé Onofre

                   122

 

 Há um Mostrengo tão bom a tecer,

As redes que tanto nos enredam,

Que com um dedo mágico nos faz crer

Que as peias que nos atam não são prisão.

 

São oradores tão doces no modo de dizer

Que melam as cabeças as viram e reviram

Que depois de tanta volta ficamos sem saber

Se mentem só agora ou se sempre mentiram.

 

 Aves agoirentas querem-nos convencer

Que desde o mais profundo do tempo

Tudo aconteceu como tinha de acontecer.

 

Mas há um indomável pensamento,

Que da escuridão faz um novo amanhecer, 

Que traz a vontade de vencer o Mostrengo.

Zé Onofre

10
Out21

Comentário 121

Zé Onofre

                  121

Vela,

Farol nas trevas

Entre as fragas da vida,

Que guias os espíritos,

Para uma praia dourada,

Para um ancoramento seguro.

Vela,

Luz na solidão,

Que guias as almas inquietas

Para certezas

Que acalmam as angústias.

Vela,

Unguento,

Para a dor de viver.

Vela,

És apenas uma vela,

Que o mais leve sopro de vento apaga.

Não me mostras

A paz de uma praia doce,

Não me deixas o unguento,

Que acalma as feridas de viver.

Vela,

Abandonas-me

Com uma interrogação.

Para onde vai a tua luz

Depois que te apagas?

09
Out21

Comentário 120

Zé Onofre

120

 

Todo o Homem

Que já foi Menino

- Há “homens que nunca foram meninos”-

Se lembra

Desse tempo de encantamento.

Desse tempo

Em que acreditava

Que os seus olhos

Clareavam o dia,

Que acreditava

Que a correr

Arrastava o sol pelo azul,

Qual estrela de papel.

Que o movimento das suas mãos

Agitavam as árvores ao vento.

Que os segredos

Que as folhas confidenciavam às aves

Os segredava da sua boca inocente.

Que estas, diligentes,

Faziam chegar aos poetas.

Que os versos

Eram os sonhos que ele murmurava

Enquanto brincava

No verde dos campos,

Sentado num penedo

A mirar o rio.

Acreditava

Que o rio e o mar,

Aquela rocha e o monte além,

Existiam pela sua vontade.

Sentia-se Senhor da Terra e do Céu

Que bastava dizer a palavra mágica

Para voar para além do horizonte,

Muito mais além das estrelas,

Para além do que a imaginação alcança.

Feliz o Homem,

Que,

Por breves momentos mágicos,

Volta a ser aquele inocente menino.

  Zé Onofre

08
Out21

Comentário 119

Zé Onofre

                    119

 

2021/05/23


Nota-se sempre a falta

De qualquer coisa

No lugar esperado.

Um fogão

Outro móvel qualquer.

Vamos e voltamos

Rotineiramente

Nem notamos

O que falta,

O que há de novo.

Um dia distraído,

Como outro qualquer,

Apercebemo-nos que falta algo.

No seu lugar

Há um algo desconhecido.

Descobrimos,

Então a falta,

Que aquela falta nos faz.

Não é a falta

Que a falta nos faz.

São as recordações

Que se foram

Com o que ali falta.

Vamos à arrecadação,

Não para ver o que falta,

Vamos para viver as memórias

Que se foram

Com aquela falta.

  Zé Onofre 

07
Out21

Comentário 118

Zé Onofre

                    118

 

Balanços,

Todos os fazemos.

Conscientes

De que os fazemos.

Ou inconscientemente

Enredados em nós mesmos

À procura de nos encontrarmos

Sem balanço lhe chamarmos.

Procuramos perceber

O que fomos,

Quem somos,

A tentar descobrir o que seremos.

É uma dor de cabeça,

Quando saio dessas introspecções.

Hoje sou melhor que ontem?

Ou nem melhor, ou talvez pior?

Ou simplesmente

Caminhante perdido no deserto,

Em círculos

Sem rumo, nem norte.

   Zé Onofre

06
Out21

Comentário 117

Zé Onofre

                          117

 

Todos passamos pelo desejo

De termos numa outra idade

Com os conhecimentos desta.

Não sei em que altura da vida,

Com que idade,

Nos tentamos refazer.

Um destes dias

Dizia uma amiga,

Ou seria a Conceição,

A Conceição estava de certeza.

-Ah, se eu tivesse vinte anos

E soubesse o que sei hoje.

Eu, que tantas vezes desejara o mesmo,

Calei.

Conclui, desanimado

De crista caída,

A incompatibilidade

Do desejo com a realidade.

Temos a idade que temos

E sabemos hoje o que sabemos.

Ou temos vinte anos

E sabemos o que sabíamos.

Perante isto,

Resta-nos sonhar o impossível.

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