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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

28
Mar21

Comentário 11

Zé Onofre

                                           11

2021/02/14

Rasgamos o ventre da mãe com mãos nuas.

Por elas passam carícias.

Por elas passam sonhos.

Por elas passam trabalhos.

Com elas semeamos futuros.

Com elas nós festejamos alegrias.

Com elas enxugamos os olhos.

Voltaremos ao ventre

Da mãe Terra

Com mãos nuas.

                Zé Onofre

27
Mar21

Comentário 10

Zé Onofre

                  10

2021/02/11

 "Se o mundo pesasse todo para o mesmo lado tombava. “ (De D. Alzira que no próximo dia 11 de Abril faria 110 anos)

 

Quem me fez ser social

Fez um trabalho bem feito,

Um cidadão exemplar

Que não interrompe os outros,

Que só fala quando solicitado,

E observa rigidamente o saber dos superiores.

Fizeram um cidadão exemplar

Que ficou socialmente mudo, a perfeição.

Foi assim que as pobres folhas em branco de [cadernos

Perdidas pelas mesas lá de casa,

Ou até desprevenidos guardanapos]

São furiosamente agredidas pelo bico palavroso da

caneta.

As desgraçadas encheram-se de linhas rabiscadas,

Mal alinhavadas,

De palavras rudes, banais, despejadas à sorte sobre elas.

Quando a voz queria derrubar o silêncio que me tolhia,

A palavra escrita irrompeu pelos meus dedos,

Substituindo, mal, o que me urgia dizer.

E é nesses dias desesperadamente mudos

Que surge a vontade de despejar palavras,

Varrer o pensamento.

E apenas nessas alturas de tormenta e revolta

Mancho a pureza das folhas em branco.

Ninguém me peça

                   Escreve sobre...

E as folhas brancas ali ficam eternamente à espera.

Porém, basta uma pequena provocação,

Para a lapiseira arrastar os dedos para uma cavalgada,

Pelas campinas puras e brancas,

E deixá-las sulcadas de rastos de palavras,

Ridiculamente sem sentido, quase sempre,

Ou desenhadas com palavras banais

Que nada acrescentam ao que já foi dito.

             Zé Onofre

22
Mar21

Comentário 9

Zé Onofre

                  9

2021/02/10

Partir sem destino

É meu sonho perdido

Nos novelos do tempo.

Tantas vezes, sentado no vazio,

Encho o olhar de paisagens

Que pintor algum, mesmo dos mais afamados,

Jamais pintou.

De lápis apontado a esta folha branca,

Deixo-o ficar suspenso,

Para que os mistérios brancos que guarda

Fiquem só ao alcance do sonho.

Partir fisicamente 

Encher os caminhos com os nossos pés,

Por mais que se esconda em brumas,

É pôr os passos em caminho feito.

De novo nessa partida

São os sonhos que os vão marginar,

As cantigas nunca ouvidas que os vão alegrar,

A música da guitarra que apenas os dedos conhecem,

As lágrimas que hão-de orvalhar,

As alegrias e as tristezas por nascer.

Uma vez mais desculpe o abuso. 

                                               Zé Onofre 

22
Mar21

Comentário 8

Zé Onofre

                      8

2021/02/10

Se, assim de repente,

Me perguntassem,

O que é o verde?

Mudo e atónito

Sentar-me-ia a olhar para o nada.

Depois alguém bichanou-me de longe

Verde-Sintra,

Verde-mata,

Verde-loucura.

Soube,

E, com um sorriso no olhar,

Respondi bem alto Alentejo.

Foi a vez do meu interlocutor

Espantar os olhos,

Ficar colado ao chão incrédulo.

Mas que há um Verde-Alentejo

Há!

E eu vi-o.

                        Zé Onofre

07
Mar21

Comentário 7

Zé Onofre

                                 7

Mais um rombo na Língua e Cultura Portuguesas, aconteceu ontem no Festival RTP da Canção.                                                                                                                                                     Tenham Vergonha, senhores directores da RTP.A RTP, que como Televisão Pública tem a obrigação de promover a Cultura e Língua Portuguesas.                                                                    A RTP promoveu mais um Festival da Canção para a representar na Eurovisão. Se durante cinquenta e nove anos cumpriu com a sua obrigação, no sexagésimo aniversário do mesmo resolveu meter o "pé na poça", como dizia o Solnado. No Festival de 2021,A RTP desprezou u a Língua e Cultura portuguesas, para servilmente promover a Cultura Colonialista Anglo-Saxónica, não só aceitando a concurso uma canção Inglesa, mas, ainda por cima dar-lhe a vitória, isto "É gozar com quem trabalha", como diz o Ricardo Araújo Pereira. Espero de todo o coração que a dita canção Tenha um péssimo resultado, e se para mal da Língua e Cultura Portuguesas tiver uma boa votação os ingleses devem festejar. por mais uma canção que os representa. Como comecei acentuo, uma vez mais tenham vergonha senhores directores da RTP e vejam se aprendem alguma coisa com o grande poeta do séc. XVI, António Ferreira. A seguir um trecho de um seu poema  

                               « Floreça, fale, cante, ouça-se e viva 

                                 A portuguesa língua, e já, onde for, 

                                 Senhora vá de si, soberba e altiva. 

                                 Se tèqui esteve baixa e sem louvor, 

                                 Culpa é dos que a mal exercitaram,»

                                                                              Zé Onofre

                                                          Livração, 2021/03/07

 

 

 

 

 

 

05
Mar21

Comentário6

Zé Onofre

                           6

2021/02/10

Partir sem destino

É meu sonho perdido

Nos novelos do tempo.

Tantas vezes, sentado no vazio,

Encho o olhar de paisagens

Que pintor algum, mesmo dos mais afamados,

Jamais pintou.

De lápis apontado a esta folha branca,

Deixo-o ficar suspenso,

Para que os mistérios brancos que guarda

Fiquem só ao alcance do sonho.

Partir fisicamente 

Encher os caminhos com os nossos pés,

Por mais que se esconda em brumas,

É pôr os passos em caminho feito.

De novo nessa partida

São os sonhos que os vão marginar,

As cantigas nunca ouvidas que os vão alegrar,

A música da guitarra que apenas os dedos conhecem.

As lágrimas que hão-de orvalhar,

As alegrias e as tristezas por nascer.

                                         Zé Onofre

04
Mar21

Comentário 5

Zé Onofre

                             5

E eu

Que nasci para ser andarilho.

Certamente, perdi-me em algum atalho

E fiquei neste beco sem saída.

Faltou-me, talvez,

O golpe de asa dessa ave,

Seja ela o que for,

Para cirandar o Mundo.

Assim

Limito-me a voar pelas palavras,

Ventos, nuvens, tempestades

Que pessoas, como a Sandra, escrevem.

                                       Zé Onofre

                                        2021/03/04

 

04
Mar21

Comentário 4

Zé Onofre

                            4

2021/02/04

Felizes os que esperam e são compensados pela espera.

Felizes os que esperam e não desesperam de esperar.

Felizes os que esperam e sabem que o esperado chegou.

Felizes os que se entregam de corpo inteiro ao esperado.

Felizes os que se entregam sabendo que o esperado que não os verá.

                                 Zé Onofre

04
Mar21

Comentário 3

Zé Onofre

                          3

2021/01/27

«Em Janeiro sobe ao outeiro,

se vires “tenegrir” põe-te a rir,

se vires verdejar põe-te a chorar».

Queriam os antepassados,

 Na sua sabedoria ancestral, dizer

Que contra o que pensamos,

O verde, neste dito popular,

Não é promessa de vida.

Porém o “tenegrir”,

A cor da terra nua

E crestada pela geada,

É promessa de vida.

Queriam eles dizer,

No saber de experiência feito,

Que das sombras

É que a vida irrompe em arco-íris.

                             Zé Onofre

04
Mar21

Comentário 2

Zé Onofre

                 2

2021/01/26

Com esta Concha ao leme

Regresso ao passado.

Aquele dia nasceu diferente.

Nasceu embrulhado num xaile de nuvens.

Não daquelas,

Bordadas a preto e branco,

Que anunciam vendavais,

Raios e trovões

E águas sem fim,

Não.

Era um xaile branco leitoso,

Nunca por mim visto

Que, apesar de abraçar a aldeia inteira,

Não a aquecia.

Na tarde daquele dia de S. Brás,

Três de Fevereiro de 1963,

A professora,

Que dolorosamente me preparava para o Liceu,

Abriu a cara carrancuda

E, com um sorriso inesperado

E num tom raramente suave,

- Arruma a saca e vai!

Saí.

O xaile leitoso

Esfarrapava-se sobre a aldeia,

Toda a aldeia,

Cobrindo por igual

Árvores e arbustos,

Com a sua pureza d’u m branco imaculado.

 

 

 

 

 

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