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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

31
Ago21

Comentário 83

Zé Onofre

83

Por favor digam-me
Qual a criatura,
Com um Ego maior que o mundo,

Que inventou os espelhos.

Qual a criatura
Que, por acaso, vendo o seu rosto
Numa superfície lisa disse
Meus deuses por que me fizestes tão bela?
Que criatura malvada foi essa,
Que do alto da sua arrogância,
Se esqueceu dos outros pobres mortais?
Bem-haja a pessoa,
Que vendo a humanidade,
Pelo menos grande parte dela,
Em depressão activa
Criou um maravilhoso espelho,
Que deixa feliz a criatura que  o olhe,

E lhe diz com delicadeza
“Tu és lindo”.

   Zé Onofre

30
Ago21

Comentário 82

Zé Onofre

             82

Há o que desejo.

Há o que posso.

Há o que alcanço.

E se o que desejo

É imenso?

E se o que posso

É pouco?

E se o que alcanço                                         

Sequer chega ao pouco

Do que o que posso,

E fica muito aquém

Do que o que desejo?

Desisto,

Ou teimo, teimo e teimo,

E no fim do estado de desânimo,

Levanto-me

Descobrindo forças onde as não há?

Ou fico  

Com o pouco que alcancei?      

 Zé Onofre

 

 

 

 

 

 

 

30
Ago21

Comentário 81

Zé Onofre

                       81

 

A solidão é um estado de alma,

Em o que se sente

Tem sentidos múltiplos,

Tantas vezes contraditórios.

A Solidão é, muitas vezes,

O ponto de equilíbrio

Entre o borburinho que é a nossa vida

E o rolar a mil à hora do mundo lá fora,

Que nos cilindra.

É um local onde nos achamos,

É o húmus onde florescem

Sonhos e viagens

Únicos e únicas.

Outras,

É o local perdido

Onde nos encontramos

Loucos à procura dos outros,

Dos outros que queremos

Tocar, abraçar, apertar

E nos escapam por entre a poeira dos segundos.

Há solidão ansiosa,

"Daqueles que foram cativados",

Que a cada momento que passa

Os torna mais próximos da hora certa

De se perder na pessoa cativada.

  Zé Onofre

29
Ago21

Comentário 80

Zé Onofre

80            

Ou se é Primus,
Ou se é Pares.
Primus inter Pares,
Digamo-lo sem tergiversar,
É um modo elegante de dizer:
Somos todos pares,
Mas Eu sou mais par do que vós.

  Zé Onofre

28
Ago21

Comentário 79

Zé Onofre

                 79

Tudo era tão simples.
O sol nascia a Leste,

Morria a poente.

Era tão simples o tempo.

Uns tempos era um tal de Apolo

Que O carregava no seu carro de fogo.

Explicação ainda simples.

Copérnico e Galileu enterraram mitos e fantasias,

Fixaram o sol num lugar e a Terra aos trambolhões,

À sua volta numa velocidade de uma volta em 365 dias.

As coisas começavam a complicar-se.

Veio o Einstein e mergulhando fundo encontrou

Uma intricada rede de Espaço-tempo.
O tempo deixou apenas de ser tempo.

O espaço deixou apenas de ser espaço.

Os corpos celestes deformam o espaço,

Contraem ou alargam o tempo.

Nós, poeira de estrelas, perdidos

Num tempo que se dobra

Num espaço que se encurva.

Em que dobra de Tempo,

Em que curva do espaço

Estamos,

Ou pensamos que estamos?

Zé Onofre

 Zé Onofre

28
Ago21

Comentário 78

Zé Onofre

          78

O sonho nasce

De uma gota de orvalho

Refractando o sol da manhã.

Do piar de um recém-nascido,

Embalado pelo vento,

No seu berço no alto de uma árvore.

Da lágrima de uma mãe

Quando sente o bebé,

Saído do seu ventre,

No seu colo ávido de dar ternura.

De um sussurro do vento

Nas folhas de um bosque.

Do balir de um anhito,

Tropeçando, ainda, nas suas frágeis pernitas.

Do cantar de uma fonte,

Futuro ribeiro, ou rio,

Leito de sonhos levados para o mar.

Do Olhar de uma pessoa enamorada,

A ver o respirar manso da amada.

Do beijo delicado dos amados,

Numa noite de luar, ou de estrelas.

Do amor concretizado

Num momento único e simples.

Este sonho

Que nasce e renasce,

Que floresce em flores,

Amadurecem em frutos,

Que maduros largam as sementes no vento,

Nasceu no momento,

Ou quem sabe milhões de anos antes,

Em que um primata,

Inadvertido desceu de uma árvore,

E, sem saber o que fazia,

Caminhou pela Savana

Até se manter erecto.

   Zé Onofre

26
Ago21

Comentário 77

Zé Onofre

          77

Amor.

Saudade.

Ilha.  

Continente.

Não somos ilhas,

Nem Continentes,

Apenas uma cabeça,

Um zumbido imenso,

Um oco de pensamentos e sentimentos.

Há dias em que tudo perde o sentido.

O ruído que nos perde,

Nos afoga, nos apaga,

Nos reduz a um feroz nada.

Uma presença 

Que toma conta das vontades,

Nos aterra, nos prega ao chão,

Ou que nos faz flutuar no nada.

Tem outros dias

Que somos ilhas com saudades do Continente,

Que somos Continente dispostos a incluir tudo e todos.

Sentimos os laços tão fracos,

Os sentimentos são tão frágeis

Que tudo tem que ser moldado de novo.

Amor, o laço que liga os continentes e ilhas.

Saudade, o fio que une o presente e o passado.

Amor e saudade intricado de nós que nos amarram.

Se é o amor cantado pelos velhos poetas,

Ou se é um amor sonhado por novos profetas,

O que importa 

É que seja o amor que vivemos,

Ou o que inventamos, que nos une.

Se a saudade é aquele sentimento único

Que, dizem, é intraduzível,

Ou se é uma nova expressão,

Com o mistério de não ser misteriosa,

Que importa?

O importante, é que um ilumine o presente,

E a outra o farol que, do fundo do tempo 

Indica o futuro.   

25
Ago21

Comentário 76

Zé Onofre

             76

Há tantas e tão diferentes lágrimas.

Lágrimas

Soluços por sulcos rosto abaixo.

Lágrimas

Borbotões soprados pela alegria que nos invade.

Para abreviar

E chegar ao cerne da questão

Chego às últimas.

Lágrimas

Que sequer chegam aos olhos

Que logo correm como lava

Sulcando o mais profundo da alma.

A estas

Nem beijos e abraços acalmam.

Não há carícias que as abrandem.

Só o silêncio

E talvez o tempo as seque.

Mas os sulcos rasgados na alma

Ficaram para sempre.

25
Ago21

Comentário 75

Zé Onofre

                  75

Isto, de normal, nada tem.

Apenas na boca da loucura

Dos incautos, dos idiotas

E dos famintos da factura.

Sobre esta anormalidade,

Que normalidade se almeja,

Os vampiros os céus assombram,

Sugando tudo que se mecha.

Os idiotas, incautos e os facturadores

Para os vampiros universais são uma bênção.

Com o confina, desconfina, confina

Para encher os cofres é boa ocasião.

A nós, rasteirinhos ao chão,

Cansados desta nova "normalidade",

Resta-nos sonhar e voltar a sonhar

Com "um novo mundo, nova idade"

Zé Onofre

 

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