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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

30
Set21

Comentário 112

Zé Onofre

                     112

 

Olhamos.

Paramos.

Vemos.

Uma cortina de cores,

Em que o criador nelas se enreda?

Um criador angustiado?

Um criador

Com saudades do Infinito?

Um ser único

Rolando pelos confins da existência?

Tanta coisa para além da tela.

Ou pensamos

Que existe por si própria,

Que nos tapa o horizonte?

Não poderemos ver mais além

Do que o criador criou?

Felizes

Os que olhando o mundo

O fazem o “seu mundo”.

Felizes

Os que com mãos talentosas

Fazem das cores

O barro da sua criação.

Felizes

Os que manipulam a cor

Para se mostrarem

Desvendando sentimentos

Escondendo sentimentos.

Felizes,

Os que pegam nas cores

Extraem delas a sua essência.

É então que um qualquer escrevinhador,

Com muito, pouco, ou nenhum talento,

Sente a necessidade,

A ousadia de expor

Num inocente papel,

Mesmo que de forma canhestra,

O seu sentimento.

  Zé Onofre

29
Set21

Comentário 111

Zé Onofre

                 111

 

Que haverá  

Além,

Além da colina rochosa,

Colina rochosa, que encurta,

Encurta, o horizonte?

Que haverá

Para além das rochas

Mais areia, mais mar?

Ficamos?

Iniciamos a caminhada?

A caminhada

Para encontrar o mais longe,

Ou ir além

Do mais longe?

Sentámo-nos,

A imaginar o sem fim?

Sentámo-nos,

A visualizar aléns?

O sonho manda caminhar,

Para onde?

Seguir os passos

Que os sonhos guiam

Pelo caminho

Que faremos a caminhar.

O caminho

Onde novos sonhos.

Surgirão

A desenhar novos caminhos.

Cada pegada,

Marca de um sonho cumprido

Início de um outro

A cumprir-se.

Chegados,

Onde pensávamos ser o fim,

Mais longes se erguem.

Mais sonhos por onde irmos.

   Zé Onofre

28
Set21

Comentário 110

Zé Onofre

                       110

 

A caneta,

Melhor a lapiseira,

É um mero instrumento

Que a tentação usa para conseguir o que quer.

Tentação, tentação verdadeira,

É um texto, uma fotografia,

Uma palavra fugidia.

Em cima da mesa o papel

Inquiridor

- Então como é?

Os dedos agarram a lapiseira

Começam a escrever

Como quem faz sarrabiscos a fugir.

Não serve de nada

Adiar,

Esconder-me,

Fazer de conta de que nada sei,

Fingir que a lapiseira não tem mina,

Sou obrigado a desistir.

Escrevo

Primavera.

A Primavera abre-se em arco-íris.

Escrevo

Verão.

O Verão cobre-se de doirado e frutos a amadurecer.

Escrevo

Outono.

O Outono cobre-se de bordados de todas as cores,

De folhas arco-íris,

De frutos coloridos, sumarentos e apetitosos.

Escrevo

Inverno.

O Inverno vai adormecendo

Com as canções do vento e das águas.

27
Set21

Comentário 109

Zé Onofre

                   109

 

Que diabo,

Se passa com os homens?

Em que monstros nos tornamos?

Que seres

Insensíveis, fizemos de nós?

Em que encruzilhada

Tomamos o caminho errado?

Que fizemos

Da Humanidade Sonhadora?

Quantas vezes

Spartakus morreu às nossas mãos?

Quantas vezes

Crucificámos Cristo?

Quantas revoluções

Vimos abortar de mãos caídas?

Que fizemos

À Igualdade, Fraternidade, Liberdade?

Que fizemos do sonho de vermos

“Todos os homens nascerem livres e iguais?”

Que fizemos da vontade de unir                        

 “Os Proletários de todo o Mundo?”

Tanto sangue perdido

Para fazer um mundo melhor.

Tanto sangue derramado,

Para não haver “Judeu, ou Grego,

Nem senhor, nem escravo”.

Aqui estamos nós

Sonhadores

Que fomos,

Sonhadores

Que queremos continuar a ser,

Subjugados a um poder

Que sem rosto,

Governa sem lei,

E dá pelo nome de  

- Mercado.

Em que momento

Da caminhada

Nos desviamos do sonho?

   Zé Onofre

26
Set21

Comentário 108

Zé Onofre

 108

 

Havia, numa praia,

Um poste de madeira

Pés presos na areia

A mirar, apaixonado, o mar.

Uma paixão imensa,

Que o areal contrariava.

Aproveitou um vendaval

Libertou-se daquela prisão

Mergulhou totalmente no oceano.

Ondulou horizonte afora,

Carregado de sonhos

De marinheiros de água doce.

Correu os sete mares

Largando sonhos,

Levando sonhos,

De praia em praia,

De arribe em arriba.

Cansou,

Quando os mares

Já não tinham segredos,

Que ele não tivesse descoberto.

Regressou.

Cansado,

Atou-se ao areal,

Por um lenço azul

Tecido de água do mar,

Recordação marinheira.

Zé Onofre 

 

 

26
Set21

Comentário 107

Zé Onofre

107

 

Tanta luz.

Mais do que a luz permite.

Uma estrada de luz

Por onde os passos não têm conta

À procura do infinito.

O dia alonga-se,

Até ao pricipício,

Onde uma porta se abrirá

A jornada finda.

Mais luz haverá,

Luz, essa imensa,

Maior que a estrada criada pelo sol,

 Que vem do caminheiro,

                                                                                                                                            

Envergonhará o sol

Que triste se afogará no mar,

Iniciando a noite.

     Zé Onofre

23
Set21

Comentário 105

Zé Onofre

                      105

 

A troco de pouco, meu amigo,

Dizem as sereias encantatórias,

Minha amiga a troco de pouco,

Garanto que sem gastar nada.

Chega a Estrela da TV.

Se tiver uma visão alargada.

 

Preenche este formulário.

Apresente-se com toda a verdade.

Cá para nós cara candidata,

(Senhor candidato aqui que ninguém nos ouve),

Se falsificar, mentir, efabular sobre o seu “eu”,

Estará no caminho para lá chegar.

 

Olá, senhor candidato,

Minha senhora e cara candidata,

Digam baixinho ao meu ouvido,…

Não interessa, o certo é que estão aqui.

 

Agora muita atenção.

Por cada peça de roupa jogada fora

Ganha pontos à concorrência.

Por cada boato jogado na hora certa,

Que leve os visados

Ao pontapé, ao murro, à facada

Já afastou mais uns concorrentes.

 

Agora um ponto essencial.

Perder totalmente a vergonha,

O melhor é mesmo não a ter,

E vender a alma,

O corpo é com cada um.

Isto fica ao encargo da vossa criatividade.

 

Para ter a certeza

Que será a cereja no cimo do bolo

Esquecer o que em que sempre acreditou,

Esquecer todos os princípios

Despir-se da dignidade,

Se é que ainda a tem

Depois de tanto se ter rebaixado

      Zé Onofre

21
Set21

Comentário 103

Zé Onofre

                   103                   

 

Mais inclinação,

Menos inclinação,

Este calhau

A que chamamos Terra,                                                     

Roda indiferente

Aos nossos sentidos,

Emoções,

Desejos.

A este planeta que roda,

Na teia espaço-tempo,

Quase desde o big-bang,

É-lhe indiferente

Este pó de estrelas,

Que se pensa o cúmulo da Existência.

Não sei se houve um ser que nos criou,

Não creio que haja.

Se houver, será um titereiro

Que se diverte a jogar-nos

Ora

Ao mais profundo dos abismos,

Ora

À mais longínqua das estrelas.

Somos uns grãozinhos

Microscópicos

Que as forças da Natureza

Agitam sem destino,

Ou para qualquer fim.

   Zé Onofre

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