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Comentários

06
Out21

Comentário 117

Zé Onofre

                          117

 

Todos passamos pelo desejo

De termos numa outra idade

Com os conhecimentos desta.

Não sei em que altura da vida,

Com que idade,

Nos tentamos refazer.

Um destes dias

Dizia uma amiga,

Ou seria a Conceição,

A Conceição estava de certeza.

-Ah, se eu tivesse vinte anos

E soubesse o que sei hoje.

Eu, que tantas vezes desejara o mesmo,

Calei.

Conclui, desanimado

De crista caída,

A incompatibilidade

Do desejo com a realidade.

Temos a idade que temos

E sabemos hoje o que sabemos.

Ou temos vinte anos

E sabemos o que sabíamos.

Perante isto,

Resta-nos sonhar o impossível.

05
Out21

Comentário 116

Zé Onofre

116

 

Os seres que somos,

Num só “eu”

Fazem-nos contraditórios

E incoerentes.

 

Que “eu” é este

Que tenta encadear

Com coerência e sentido

Todos os seus actos,

Todas as suas palavras –

Expressão do seu pensar?

 

Este “eu”,

Que ao mais pequena falsete,

Desdiz com o mesmo entusiasmo,

O que antes com a mesma veemência

Antes afirmara.

 

Concluo, então, que não somos

Rochas monolíticas imutáveis.

Apenas um leito

Formado de altos e baixos

De um rio convulso,

Mistura de muitas águas,

Onde cada uma

Modela,

Calhaus rolados,

Que mostram

Um pouco dos outros

De que somos formados.

  Zé Onofre

02
Out21

Comentários 114

Zé Onofre

114

2021/05/14

 

Agora

No fundo do tempo vejo

Um magote,

Rapazes e raparigas,

Concorrente de melros,

Lindas aves

De penas negras envernizadas

E bico encerado de amarelo,

E outra passarada,

Indo

De silvado em silvado.

Algumas aves medrosas,

De ladrões de ninhos,

Tentam afugentar a garotada

À bicada.

Deles,

A criançada,

É apenas concorrente,

Dos cobiçados frutos das silvas,

Que estas,   

Zelosamente, protegem com espinhos.

Contudo

O sabor agridoce daquelas bolinhas,

Vale bem umas ameaçadoras bicadas,

E uns arranhões sangrantes.

Cada um deles vai

De haste de silva em silva

Com uma malga.                          

A malga está cheia,

A malta

Com bigodes de orelha a orelha

Vai para casa.

A merenda daquela tarde está ganha.

Esmagadinhas com um garfo

Com açúcar loiro,

Comidas às colheradas,

São um manjar dos deuses.

   Zé Onofre

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