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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

28
Ago21

Comentário 78

Zé Onofre

          78

O sonho nasce

De uma gota de orvalho

Refractando o sol da manhã.

Do piar de um recém-nascido,

Embalado pelo vento,

No seu berço no alto de uma árvore.

Da lágrima de uma mãe

Quando sente o bebé,

Saído do seu ventre,

No seu colo ávido de dar ternura.

De um sussurro do vento

Nas folhas de um bosque.

Do balir de um anhito,

Tropeçando, ainda, nas suas frágeis pernitas.

Do cantar de uma fonte,

Futuro ribeiro, ou rio,

Leito de sonhos levados para o mar.

Do Olhar de uma pessoa enamorada,

A ver o respirar manso da amada.

Do beijo delicado dos amados,

Numa noite de luar, ou de estrelas.

Do amor concretizado

Num momento único e simples.

Este sonho

Que nasce e renasce,

Que floresce em flores,

Amadurecem em frutos,

Que maduros largam as sementes no vento,

Nasceu no momento,

Ou quem sabe milhões de anos antes,

Em que um primata,

Inadvertido desceu de uma árvore,

E, sem saber o que fazia,

Caminhou pela Savana

Até se manter erecto.

   Zé Onofre

20
Ago21

Comentário 70

Zé Onofre

                 70

Paz de espírito,

Quem a souber

Que m'a ensine,

Que eu vou buscá-la.

A pé ou de rastos,

Aos trancões ou aos baldões,

Pelo rio, pelo ar,

Ou pelo mar.

Digam-me onde ela está

E eu irei buscá-la.

Já tentei encontrá-la

No ruído da multidão,

Sentado quedo e mudo,

Vendo o turbilhão rodopiar.

Sentado no alto do monte

Confidenciando com o vento.

À beira rio sentado no açude

A ouvir a água cantar.

Sentado numa fraga

A ouvir o mar.

Sentado num banco da praça

Falando com o poeta de bronze

Olhando imperturbável o Marão.

Já fechei os olhos.

Já fechei os ouvidos.

Já desisti de ler.

Já desisti de tudo.

A paz de espírito

Continuou altivamente inalcançável.

Quem a souber,

Me ensine o caminho

Que eu vou buscá-la.

    Zé Onofre

12
Ago21

Comentários 58

Zé Onofre

58

Depois de um esforço de memória,

Faço eu de conta,

Quando sei a resposta de pronto.

Foi no final deverão de 1959,

Numa adega,

Na adega da Casa do Ribeiro.

Os meus irmãos mais velhos fizeram tudo.

Autores, encenadores, actores, carpinteiros,

Cenógrafos, contra regras, bilheteiros,

Publicistas, tudo…

Naquele fim de verão,

Como em todas as "récitas" de aldeia,

Levavam à cena um drama,

Noivado do Sepulcro,

Baseado num poema de Soares de Passos,

E uma comédia

Três estudantes em férias.

Estaria tudo resolvido.

Porém a récita teria que se alongar,

Teria que ocupar pelo menos três horas.

Então os senhores directores  

Tiveram uma ideia genial.

Os dois mais novos vão entrar em cena.

Tu recitarás "Os ninhos" e a "Caridade".

E eu? Tu? Logo veremos.

Então, não sei como, puseram-me,

A mim, que nunca tinha visto o mar,

A recitar "Eu já vi o mar".

Foi um Sucesso.

Disse uma vez, e o público, bis, bis...

Uma segunda vez, e o público, bis, bis...

Uma terceira vez; e o público, bis, bis...

Muito senhor da minha pouca idade

Fitei as pessoas bem fitadas nos olhos,

E declamei alto e bom som

"O bis, à merda".

Foi um sucesso estrondoso,                          

De tal maneira que uma criança como eu,

Disse lá do seu lugar

- Esta foi a melhor comédia.

Em cena foi um esplendor.

À saída de cena estava um pé ligeiro,

Que acertou em cheio no traseiro,

E me vez voar para o Camarim.

    Zé Onofre

05
Ago21

Comentário 50

Zé Onofre

            50

Um leito seco

À espera de água

Da chuva,       

Ou do mar.

Um mar calmo

Carinhosamente beija as pedras

Com a espuma das suas ondas.

Cabelos

Que ligeiramente esvoaçam,

Um olhar para o mar,

Ou para o além,

Mistério a desvendar.

No centro daquele mundo

Um grito vermelho,

Que somente entende,

Quem está atento à vida.

       Zé Onofre

21
Jul21

Comentário 55

Zé Onofre

                     55

O silêncio é meu amigo,

É a mãe de todos os prodígios,

Das palavras que não escrevi,

Das canções que nunca ouvi,

Das descobertas científicas a haver.

O silêncio

É o mar por onde navego,

Guiado pela Estrela Polar,

À procura do Cruzeiro do Sul,

Das américas,

Do Mostrengo que está no fim do mar.

Abençoado silêncio

Que me permite ouvir as raízes crescer,

Ouvir o crepitar das estrelas,

O orvalho congelar,

Ouvir o som antes de acontecer.

Zé Onofre

 

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