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Comentários

30
Mar22

Comentário 230

Zé Onofre

                  230

 

022/02/15, sobre a publicação O tempo que passou...,Ana Sofia, na mesma data

 

Lancei as mágoas,

As tristezas,

O desânimo

Em águas que os meus olhos,

Impotentes,

Não conseguem suster.

 

Essas águas incontidas

Foram outras fontes

De muitos regatos,

Que de ribeiro em rio,

De rio em rio,

Mais foram salgar o mar.

 

Os regatos nasceram,

Os ribeiros transbordaram,

Os rios engrossaram,

O mar ficou mais salgado,

Contudo sinto que uma nova enchente

Se prepara dentro de mim.

   Zé Onofre

22
Mar22

Comentário 227

Zé Onofre

                  227

 

022/02/10, comentário a uma publicação de Maria Soares em 022/02/22

Fantasmas de casas,

Esqueletos graníticos

Vestidos de lençóis de lama,

Que vêm lá do fundo dos anos,

Das profundezas das águas,

Lembrar-nos que nada é para sempre

Que tudo é perecível.

 

É o tempo que nos fala

Do que era lá atrás

Do que foi ontem

E nos dá uma pequena amostra do amanhã.

 

É o progresso a ser assombrado

Por um passado que maltratou a natureza,

Com olhos no imediato

Sem pensar no futuro que já é hoje,

Nem num mais longe

Que é já amanhã.

 

Talvez com paciência,

E com muito mais desejo

Do que crença,

Talvez ainda consigamos reverter os estragos,

Ou, pelo menos, não os agravar.

  Zé Onofre

29
Nov21

Comentário 162

Zé Onofre

                      162

 

2021/08/08

 

Sentado em silêncio

A partilhar milénios

Com as águas deste rio,

Aparentemente em movimento,

Que aqui se apearam

Para espelhar

A tua chegada calma

Como se viesses

Nas asas do sonho.

 

Aqui sentado,

Mais quedo do que as águas,

Mais silencioso

Do que o bater das asas

De aves milenares,

Das vozes roucas dos corvos,

Que se uniram

Para fazerem coro

Com as rizadas e cantares

Das crianças

Iguais

Em todos os tempos e lugares.

 

Aqui sentado,

Neste nesta areia sem tempo,

Enredo-me

No hoje

E nas recordações,

E fico tão fora do mundo,

Que não sei se os suspiros,

Os beijos,

Os abraços,

Tudo o que vivemos

Na areia ainda húmida

Ébrios

Dos nossos lábios

Carregados de licores,

São neste tempo,

Ou num tempo sem tempo.

 

Aqui sentado

Vivendo tudo agora,

Ou na recordação

Que o silêncio conserva.

 Zé Onofre

 

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