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Comentários

12
Dez21

Comentário 173

Zé Onofre

                    173

 

2021/08/18

 

 Regresso,

Às alturas

Onde o vento

Corre frio em Agosto.

 

Subo,

Ao morro

Onde outrora,

Numa torre de vigia,

Um jovem Cristão

Espiava o horizonte,

À espera

Da bela princesa Moira.

 

Abro os braços

À corrente quente

Que vinda lá do fundo  

Me leva ao mais alto azul,

Ave de rapina.

 

Entonteço,

Em voltas e rodopios

Ascendentes.

 

Lá desse azul imenso

Vejo um fio de água,

Às vezes lagoas,

Que de açude em açude,

Desce os degraus até à foz.

  

No voo azul

Homens

Que fazem a sesta

À sombra das parreiras,

Ou seguram as paredes da casa

Com corpos cansados.

 

Uma corrente fria

Poisa-me suavemente

Folha morta

No chão.

 

Abro os olhos.  

Os braços ainda

Balançam ao vento

Sobre o abismo.

 

No penedo dos encantos

Apenas o cabelo

Voa livre no vento.

    Zé Onofre

17
Set21

Comentário 99

Zé Onofre

                   99                                            

 

O meu rio não é o Tejo,

É um pequeno rio

Que não reflecte o azul,

Mas o verde das árvores.                             

Era um prazer no verão

Fazer quilómetros a descer

Nadar nas águas junto ao açude,

Ficar estendido na areia a ler um livro.

Depois olhar as aves ribeirinhas,

Guarda-rios penso eu,

Mergulharem com a certeza

De filarem um desprevenido peixe.

Ouvir apenas os sons da natureza,

Tão longe das gentes,

Que às vezes me julgava Adão.

Já lá vinha a sombra do monte

Que me empurrava monte acima,

Até casa, onde se acabava o enleio.

20
Ago21

Comentário 70

Zé Onofre

                 70

Paz de espírito,

Quem a souber

Que m'a ensine,

Que eu vou buscá-la.

A pé ou de rastos,

Aos trancões ou aos baldões,

Pelo rio, pelo ar,

Ou pelo mar.

Digam-me onde ela está

E eu irei buscá-la.

Já tentei encontrá-la

No ruído da multidão,

Sentado quedo e mudo,

Vendo o turbilhão rodopiar.

Sentado no alto do monte

Confidenciando com o vento.

À beira rio sentado no açude

A ouvir a água cantar.

Sentado numa fraga

A ouvir o mar.

Sentado num banco da praça

Falando com o poeta de bronze

Olhando imperturbável o Marão.

Já fechei os olhos.

Já fechei os ouvidos.

Já desisti de ler.

Já desisti de tudo.

A paz de espírito

Continuou altivamente inalcançável.

Quem a souber,

Me ensine o caminho

Que eu vou buscá-la.

    Zé Onofre

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