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Comentários

17
Dez21

Comentário 178

Zé Onofre

                    178

 

2021/08/26 

 

Agosto,

Quando é que Agosto

Encurtou as férias,

Interrogo-me.

Desde que me lembro

As férias grandes,

 

Não tinham paredes

Tinham tempo para além do tempo.

 

Agosto,

Ficava no meio.

Havia um antes.

Havia um depois.

 

Começava no Sábado

Antes do primeiro Domingo de Agosto

Com fogueiras de pinhas,

Em honra da Srª da Graça,

À volta das quais brincávamos,

Cantávamos,

Até que a última pinha,

Da derradeira fogueira

Se desfazia em cinza.

 

Depois era o chiar de carros de bois,

Raparigas com cestos à cabeça,

Rapazes pendurados em escadas,

Cada qual tentando chegar às uvas,

Falsamente perdidas no céu,

Quando caminhavam sobre os cestos.

 

Havia outro depois

Depois deste.

Rapazes e raparigas,

Jovens e menos jovens,

Em roda liam papéis à vez.

Liam, reliam e voltavam a ler,

Os papéis desapareciam.

Começava, então, trocas de palavras

Tão fora do normal.

Pareciam um bando de dementes

A brincar às conversas.

 

A uma certa altura,

Numa adega, ou num salão,

Erguiam uma estrutura de madeira,

Suporte a paredes de papel pintado,

Com portas que abriam e fechavam,

E janelas de faz de conta.

 

No último Sábado e Domingo de Setembro

As portas da adega,

Ou do Salão abriam-se.

Muitas pessoas,

Também elas, certamente, de razão perdida,

Para verem entradas e saídas

Caminhares longos fingidos,  

Zangas e promessas de beijos

Tudo ensaiado até ao último pormenor,

Que o génio daqueles magos

Tornavam reais.

Três vezes vistas

 No último Fim-de-semana de Setembro,

 E sempre como se nunca tivesse acontecido.

 

Quando no Domingo à noite,

O pano se fechava pela última vez

Também encerrava as férias.

 

O sete de Outubro não tardava.

    Zé Onofre

12
Dez21

Comentário 173

Zé Onofre

                    173

 

2021/08/18

 

 Regresso,

Às alturas

Onde o vento

Corre frio em Agosto.

 

Subo,

Ao morro

Onde outrora,

Numa torre de vigia,

Um jovem Cristão

Espiava o horizonte,

À espera

Da bela princesa Moira.

 

Abro os braços

À corrente quente

Que vinda lá do fundo  

Me leva ao mais alto azul,

Ave de rapina.

 

Entonteço,

Em voltas e rodopios

Ascendentes.

 

Lá desse azul imenso

Vejo um fio de água,

Às vezes lagoas,

Que de açude em açude,

Desce os degraus até à foz.

  

No voo azul

Homens

Que fazem a sesta

À sombra das parreiras,

Ou seguram as paredes da casa

Com corpos cansados.

 

Uma corrente fria

Poisa-me suavemente

Folha morta

No chão.

 

Abro os olhos.  

Os braços ainda

Balançam ao vento

Sobre o abismo.

 

No penedo dos encantos

Apenas o cabelo

Voa livre no vento.

    Zé Onofre

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