Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Comentários

Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

Comentários

07
Abr22

Comentário 237

Zé Onofre

                  237, Comentário à publicação de Concha, dia Mundial da Poesia, em  -crónicasdochãosalgado, no dia 22/03/21

 

022/03/21

 

O vento traz vozes misteriosas.

Muitas vezes não as sabemos interpretar,

Outras, sequer ouvi-las.

 

Em momentos de aflição,

Ou de grande alegria

O vento traz tradutor.

Então sentimos serenidade

A suavizar a aflição,

Ou encher a alegria de sorrisos.

Zé Onofre

14
Fev22

Comentário 209

Zé Onofre

                     209 

 

2021/11/01, sobre o postal A tradição a cumprir-se,  Maria, 01.11.21

Hoje S. Pedro

Largou apenas farrapos no céu.

Lembrou-se das crianças,

Da alegria no seu rosto,

Quando em grupos,

Percorrem as ruas 

Com sacos coloridos, 

- "Há pão por Deus".

 

Na minha aldeia

Não havia essa tradição.

Contudo, quando vejo

Um sorriso de saudade

Em quem a viveu,   

Certamente teria adorado,

Quando fui menino,

Andar pelos caminhos

Cantando de casa em casa

- "Há pão por Deus"!

Zé Onofre

16
Nov21

Comentário 155

Zé Onofre

            155

 

2021/08/02

 

A vida é feita

De estranhos caminhos.

Linhas emaranhadas,

Encruzilhadas desconhecidas,

Palavras mal garatujadas,

Lutas leais,

Lutas desiguais,

Vãs glórias,

Fortes vendavais.

 

A vida

É o medo que nos rói,

A alegria que nos eleva,

É mentira que dói,

A verdade que magoa,

O vazio que nos preenche,

A solidão que nos rodeia,

A multidão que nos esmaga,

A tristeza

Que se derrama dos olhos.

A vida são amores,

Desamores,

Ódios,

Amizades

Que vão,

Que veem,

Que ficam,

Que estão.

A vida está lá.

 

 

Felizes os que a acham.

  Zé Onofre

10
Nov21

Comentário 149

Zé Onofre

 

                 149

 2021/07/16

Nos meus dezasseis anos

O tempo não tinha medida.

 

Era longo o Inverno

Com os seus dias  

Das cortinas cinzentas líquidas  

Que serenas,

Ou violentas,

Diluíam os horizontes.

 

Era longa a Primavera.

Nos campos ainda alagados,

As cores afogavam a água,

Com o verde forte da erva,

Com os dourados malmequeres.

Com o vermelho vivo ao pálido das papoilas,

Com o roxo das violetas selvagens.

Com os rebentos verde-envergonhado das árvores,

Com o azul-nascente do céu,

A chamar o Verão.

 

Sem tempo era o Verão

De dias imensos

Que engoliam as noites,

Deixavam um pouco para,

Para contarmos a infinidade de estrelas.

Das tardes quentes,

Em que desafiávamos as distâncias,

 Ignorávamos a dureza do regresso,

Voávamos a mergulhar no Tâmega,

Fio de água convencido que era enorme,

Preso nos açudes.

 

Era longo o Outono

Das vindimas

Dia após dia

Que avermelhavam as mãos.

Os pés, nas lagaradas, pisavam com mais alegria

Animadas por graçolas e cantares.

Das desfolhadas nocturnas

Que se estendiam pela madrugada,

Em danças e cantares

Na eira do Ribeiro.

Era o tempo do início da escola,

Sempre depois do Cinco de Outubro,

E terminava

Com uma alegria metafísica que pairava no ar.

 

Era um tempo de transição.

O tempo das rabanadas,

Dos presépios,

Da Missa do Galo,

Das Janeiras,

Que terminava nos Reis.

Era o tempo

Em que o tempo tinha          

Todo o tempo do mundo.

«Aqueles eram os dias, amigos,

Que pensávamos não ter fim,

Em que à mesa do canto do “café”,

Fazíamos projectos

Para mudar o mundo

Todos os dias.

Aqueles eram os dias …»  

(tradução libérrima da canção de Mary HopKins, 1968)

   Zé Onofre

25
Ago21

Comentário 76

Zé Onofre

             76

Há tantas e tão diferentes lágrimas.

Lágrimas

Soluços por sulcos rosto abaixo.

Lágrimas

Borbotões soprados pela alegria que nos invade.

Para abreviar

E chegar ao cerne da questão

Chego às últimas.

Lágrimas

Que sequer chegam aos olhos

Que logo correm como lava

Sulcando o mais profundo da alma.

A estas

Nem beijos e abraços acalmam.

Não há carícias que as abrandem.

Só o silêncio

E talvez o tempo as seque.

Mas os sulcos rasgados na alma

Ficaram para sempre.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub