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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

29
Nov21

Comentário 162

Zé Onofre

                      162

 

2021/08/08

 

Sentado em silêncio

A partilhar milénios

Com as águas deste rio,

Aparentemente em movimento,

Que aqui se apearam

Para espelhar

A tua chegada calma

Como se viesses

Nas asas do sonho.

 

Aqui sentado,

Mais quedo do que as águas,

Mais silencioso

Do que o bater das asas

De aves milenares,

Das vozes roucas dos corvos,

Que se uniram

Para fazerem coro

Com as rizadas e cantares

Das crianças

Iguais

Em todos os tempos e lugares.

 

Aqui sentado,

Neste nesta areia sem tempo,

Enredo-me

No hoje

E nas recordações,

E fico tão fora do mundo,

Que não sei se os suspiros,

Os beijos,

Os abraços,

Tudo o que vivemos

Na areia ainda húmida

Ébrios

Dos nossos lábios

Carregados de licores,

São neste tempo,

Ou num tempo sem tempo.

 

Aqui sentado

Vivendo tudo agora,

Ou na recordação

Que o silêncio conserva.

 Zé Onofre

 

26
Nov21

Comentário 159

Zé Onofre

             159       

2021/08/05

Respira-se a vida,

A fitar o azul-profundo,

A caminhar pela areia infinita,

A fitar navios, pontos negros no mar,

A acercarmo-nos de velas geradoras do vento,

A entrar pelo infinito com que as velas jogam,

A navegar em palavras,

Para além do céu.

Até aos ilimites do espaço.

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

Respira-se a vida

Tomando as asas aos pássaros

E livres

Traçar voos com ida

Mas sem volta.

Ao perdermo-nos num penhasco,

Joelho, continuado por um braço,

Apoio de um rosto cansado.

A escrever de memória,

Arco perdido no presente,

Que lança setas arqueadas,

Em forma de poemas

Vencendo o precipício.

29
Set21

Comentário 111

Zé Onofre

                 111

 

Que haverá  

Além,

Além da colina rochosa,

Colina rochosa, que encurta,

Encurta, o horizonte?

Que haverá

Para além das rochas

Mais areia, mais mar?

Ficamos?

Iniciamos a caminhada?

A caminhada

Para encontrar o mais longe,

Ou ir além

Do mais longe?

Sentámo-nos,

A imaginar o sem fim?

Sentámo-nos,

A visualizar aléns?

O sonho manda caminhar,

Para onde?

Seguir os passos

Que os sonhos guiam

Pelo caminho

Que faremos a caminhar.

O caminho

Onde novos sonhos.

Surgirão

A desenhar novos caminhos.

Cada pegada,

Marca de um sonho cumprido

Início de um outro

A cumprir-se.

Chegados,

Onde pensávamos ser o fim,

Mais longes se erguem.

Mais sonhos por onde irmos.

   Zé Onofre

17
Set21

Comentário 99

Zé Onofre

                   99                                            

 

O meu rio não é o Tejo,

É um pequeno rio

Que não reflecte o azul,

Mas o verde das árvores.                             

Era um prazer no verão

Fazer quilómetros a descer

Nadar nas águas junto ao açude,

Ficar estendido na areia a ler um livro.

Depois olhar as aves ribeirinhas,

Guarda-rios penso eu,

Mergulharem com a certeza

De filarem um desprevenido peixe.

Ouvir apenas os sons da natureza,

Tão longe das gentes,

Que às vezes me julgava Adão.

Já lá vinha a sombra do monte

Que me empurrava monte acima,

Até casa, onde se acabava o enleio.

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