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Comentários

21
Dez21

Comentário 181

Zé Onofre

                     181 

2021/08/29

[ Inspirado em Folha Dourada de Maria Neves]  

Por trilhos,
Talhados por pés ancestrais,
Caminho por entre velhos arvoredos
Em direção ao Tâmega.

Os pés vão lentos
Já não tenho pressa de chegar.
Já não tenho nos olhos
O brilho do Verão a começar.

Hoje, ao sabor do vento,
Folhas doiradas sobem e descem
Almas certamente perdidas
Das aves que se abalaram.

Poisam suavemente à minha frente
Mensageiras de novas, já esperadas,
Que o sol debruçado nos montes
Anuncia - O verão está a acabar.

Avanço com pernas lentas
Pressentindo o facto consumado.
O Verão nos seus derradeiros momentos
Traz já o Outono associado.

Chego àquela parte do rio,
Lagoa que fora verde, agora mil colorida,
Pelo reflexo das folhas outonais,
Pelos raios solares a rasar.

Entro de manso nas águas quedas
Nado até ao açude onde me sento.
Oiço o canto melancólico das águas
Escorrendo pelas pedras em fios derradeiros.

Regresso do açude numas últimas braçadas.
Sei que estas são as últimas
Enquanto os meus olhos melancólicos
Se alagam em água doce e salgada.

    Zé Onofre

 

 

 

16
Ago21

comentários 64

Zé Onofre

         64

Há muitos, muitos anos,

Naquele tempo, em que

"Dos ledos anos se gozam os doces fruitos".

Andava perdido

Por montes e caminhos,

Por rios e ribeiros,

Olhando os velhos arvoredos,

Espiando nos seus ninhos,

O passaredo.

Um dia os meus olhos

Cruzaram-se com uns outros

E lá se foi o gozo dos ledos anos

"Que a fortuna não deixa durar muito".

Lá se foi a paz dos ventos,

Veio um vendaval que me desnorteou.

Andei por ali assim,

Olhando em círculos de longe,

Mas não tão tanto que uns olhos meus

Se deixassem de cruzar com os seus.

O muro caiu

E não houve tempo perdido.

Muitos outras paredes caíram,

Outras tantas se ergueram outra vez.

A última foi mais dura,

Caiu, ainda não se levantou,

Por estarmos sentados em cima dela,

Ou porque foi forte o vento que a derrubou.

   Zé Onofre

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