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Comentários

15
Jan22

Comentário 197

Zé Onofre

                    197

 

2021/06/05

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada já sonhava com uma noite

Que entraria pela madrugada.

                                             

As crianças espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

  Zé Onofre

17
Dez21

Comentário 178

Zé Onofre

                    178

 

2021/08/26 

 

Agosto,

Quando é que Agosto

Encurtou as férias,

Interrogo-me.

Desde que me lembro

As férias grandes,

 

Não tinham paredes

Tinham tempo para além do tempo.

 

Agosto,

Ficava no meio.

Havia um antes.

Havia um depois.

 

Começava no Sábado

Antes do primeiro Domingo de Agosto

Com fogueiras de pinhas,

Em honra da Srª da Graça,

À volta das quais brincávamos,

Cantávamos,

Até que a última pinha,

Da derradeira fogueira

Se desfazia em cinza.

 

Depois era o chiar de carros de bois,

Raparigas com cestos à cabeça,

Rapazes pendurados em escadas,

Cada qual tentando chegar às uvas,

Falsamente perdidas no céu,

Quando caminhavam sobre os cestos.

 

Havia outro depois

Depois deste.

Rapazes e raparigas,

Jovens e menos jovens,

Em roda liam papéis à vez.

Liam, reliam e voltavam a ler,

Os papéis desapareciam.

Começava, então, trocas de palavras

Tão fora do normal.

Pareciam um bando de dementes

A brincar às conversas.

 

A uma certa altura,

Numa adega, ou num salão,

Erguiam uma estrutura de madeira,

Suporte a paredes de papel pintado,

Com portas que abriam e fechavam,

E janelas de faz de conta.

 

No último Sábado e Domingo de Setembro

As portas da adega,

Ou do Salão abriam-se.

Muitas pessoas,

Também elas, certamente, de razão perdida,

Para verem entradas e saídas

Caminhares longos fingidos,  

Zangas e promessas de beijos

Tudo ensaiado até ao último pormenor,

Que o génio daqueles magos

Tornavam reais.

Três vezes vistas

 No último Fim-de-semana de Setembro,

 E sempre como se nunca tivesse acontecido.

 

Quando no Domingo à noite,

O pano se fechava pela última vez

Também encerrava as férias.

 

O sete de Outubro não tardava.

    Zé Onofre

15
Dez21

Comentário 176

Zé Onofre

                      176

 

2021/08/23

 

Há noites

Indefinidas

Ou são o prolongar do  dia,

Ou o dia seguinte antecipado.

 

Nessas noites

Nem a leitura me serena.

Fixo o teto às escuras.

Na tela dos meus olhos

Projeto imagens

De várias cenas

Gravadas em épocas diferentes.

 

Intercalo-as 

Recriando uma realidade

Vertiginosamente vivida.

Com avanços e recuos

De um ontem ido

A um futuro idealizado.

 

Nesta montagem

Onde recrio o filme da minha vida,

Há olhares inquietos,

Memórias fantasmas,

Beijos absurdos.

 

Uma inteligência fantasma,

Caída não sei de que paraíso,

Tenta enquadrar todas as cenas,

Mesmo que contraditórias,

Numa história coerente.

 

Há uma música

Que ilustra as cenas

Que se perde

Numa memória de silêncio.

 

Cabelos bailam com o vento.

Desesperadamente procuram um corpo

Para descansar.

 

Ao primeiro raio

De um novo alvorecer

Tudo se esboroa.

 

Adormeço.

  Zé Onofre

15
Out21

Comentário 126

Zé Onofre

126

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada 

Antecipavauma noite de desfolhada

Que entraria pela madrugada.

 Espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

   Zé Onofre

25
Ago21

Comentário 76

Zé Onofre

             76

Há tantas e tão diferentes lágrimas.

Lágrimas

Soluços por sulcos rosto abaixo.

Lágrimas

Borbotões soprados pela alegria que nos invade.

Para abreviar

E chegar ao cerne da questão

Chego às últimas.

Lágrimas

Que sequer chegam aos olhos

Que logo correm como lava

Sulcando o mais profundo da alma.

A estas

Nem beijos e abraços acalmam.

Não há carícias que as abrandem.

Só o silêncio

E talvez o tempo as seque.

Mas os sulcos rasgados na alma

Ficaram para sempre.

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