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Comentários

26
Ago21

Comentário 77

Zé Onofre

          77

Amor.

Saudade.

Ilha.  

Continente.

Não somos ilhas,

Nem Continentes,

Apenas uma cabeça,

Um zumbido imenso,

Um oco de pensamentos e sentimentos.

Há dias em que tudo perde o sentido.

O ruído que nos perde,

Nos afoga, nos apaga,

Nos reduz a um feroz nada.

Uma presença 

Que toma conta das vontades,

Nos aterra, nos prega ao chão,

Ou que nos faz flutuar no nada.

Tem outros dias

Que somos ilhas com saudades do Continente,

Que somos Continente dispostos a incluir tudo e todos.

Sentimos os laços tão fracos,

Os sentimentos são tão frágeis

Que tudo tem que ser moldado de novo.

Amor, o laço que liga os continentes e ilhas.

Saudade, o fio que une o presente e o passado.

Amor e saudade intricado de nós que nos amarram.

Se é o amor cantado pelos velhos poetas,

Ou se é um amor sonhado por novos profetas,

O que importa 

É que seja o amor que vivemos,

Ou o que inventamos, que nos une.

Se a saudade é aquele sentimento único

Que, dizem, é intraduzível,

Ou se é uma nova expressão,

Com o mistério de não ser misteriosa,

Que importa?

O importante, é que um ilumine o presente,

E a outra o farol que, do fundo do tempo 

Indica o futuro.   

10
Ago21

Comentário 56

Zé Onofre

56

Foi há dez anos,

No hospital de S. João.

Estávamos sempre juntos.

Marido.

Filhos.

Irmãos.

Sobrinhos.

Revezávamo-nos uns aos outros

Naquele quarto carregado de dores.

Era ela que nos dava alento.

Era ela que me afagava a cabeça,

Enquanto os meus olhos

Molhavam as suas mãos.

Era ela que nos dizia, está tudo bem

E sorria.

Ela era a "minha" (nossa) irmã.

A minha companheira.

A nossa mãe.

A nossa tia.

Ela, a minha irmã,

Pedia ao filho,

Naquele quarto dorido,

- Toca para mim.

Ela, a minha irmã,

Pedia aos netos

- Escreve-me e lê-me um texto.-

Faz-me um desenho.

Pedia aos enfermeiros,

A minha irmã,

Colem no vidro sim?

E numa tardinha, na despedida,

A minha irmã

Disse-nos- Está tudo bem.-

Estou em paz com todos.

A minha irmã partiu para parte incerta,

Na madrugada do dia seguinte.

Será sempre

E para sempre a minha irmã.

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