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Comentários

03
Dez21

Comentário 165

Zé Onofre

                   165

2021/08/10

 

A minha vida

Não sou eu

É apenas o que pareço.

 

Gosto de andar lá por cima

Nu

Ou vestido

A apreciar as pequenas formigas no carreiro.

 

Não tento desvendar segredos,

Nem em murmúrios

Comentar uns belos olhos,

Ou sequer acariciar

Aqueles cabelos soltos no vento.

 

O rosto que surge,

Uns peitos que apontam

Possíveis caminhos,

Apenas me deixo fantasiar.

 

Fantasias

Que caneta alguma ouvirá,

Essa comadre de leva e trás,

Em parceria com o papel.

 

Lá no alto,

Sem saber de onde venho

Sinto-me um Génio

Sem dons.

 

Incapaz de saber os longes,

Crio amores

Para os quais devagar avanço.

 

No último momento,

Tão sombra como me aproximei,

Recuo ainda mais sombra

Sem saber para onde vou.

escrito de pois de ler -  Deixo aos outros saberem viver a minha vida, Maria em silêncios

Zé Onofre

 

15
Set21

Comentário 97.1

Zé Onofre

                   97.1

Caminhos,

Velhos caminhos

São sempre os mais queridos.

Os novos caminhos nunca se igualam

Aos velhos caminhos.

Quanto mais antigos

São os velhos caminhos

Que mais nos atraem.

Que mistérios

Há nos velhos trilhos,

Que tantas vezes pisamos,

E que hoje, ao serem caminhados de novo,

Nos soltam duas fontes no rosto,

Um sorriso de melancolia

Na boca triste.

Que de novo têm os velhos trilhos

Se quando tantas vezes os passeamos

Há tantos anos?

Mais uma pedra, menos uma pedra,

Mais arbusto, menos arbusto,

Mais voo, menos voo,

De ave, mais, ou menos, migratória.

Sinto-me preso aos velhos caminhos

Pelas vozes dos amigos que ali vão,

Mas que há já muito se esfumaram,

São os pensamentos compassados

Ao ritmo de um outro tempo,

É o vento que esvoaça os cabelos

Que já não temos,

É aquela chuva miudinha.

É o estar sentado com a companheira

Olhando o horizonte.

E mesmo que a companheira de ontem,

Seja a companheira de hoje,

Companheira e paisagem

Não são as mesmas.

05
Ago21

Comentário 50

Zé Onofre

            50

Um leito seco

À espera de água

Da chuva,       

Ou do mar.

Um mar calmo

Carinhosamente beija as pedras

Com a espuma das suas ondas.

Cabelos

Que ligeiramente esvoaçam,

Um olhar para o mar,

Ou para o além,

Mistério a desvendar.

No centro daquele mundo

Um grito vermelho,

Que somente entende,

Quem está atento à vida.

       Zé Onofre

13
Jul21

comentários 47

Zé Onofre

                   47

Numa madrugada de Maio,

Com o sol a espreitar no cimo dos montes,

Estrada fora carregava, a custo, meia dúzia de livros.

De repente uma força irreprimível

Faz das minhas mãos,

Mãos mágicas, fizeram nascer,

Nos meus longos cabelos rosas e mais rosas.

Poucos passos dados,

Os meus pés proclamam a independência,

Voltam atrás e as mãos continuaram,

O seu trabalho.

Agora tinha rosas na boca,

Rosas pendentes das orelhas,

Rosas que desciam braços nus abaixo,

Plantadas nas dobras da camisa.

As loucas, até dos livros fizeram surgir rosas.

Não cheguei ao destino.

Um olhar ríspido,

Um dedo em riste,

Uma directora-estátua,

Apontou-me o caminho de volta.

E eu só ia engalanado com rosas.

Juro que eram só rosas.

  Zé Onofre 

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