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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

15
Fev22

Comentário 210

Zé Onofre

               210 

02.11.21, sobre a publicação, Por detrás da cortina branca, Maria Neves em mluciadneves

Há uma casa.

Há uma janela na casa.

A janela está sombreada por uma cortina.

 

Lá fora o tempo

Move-se entre as nuvens ao sol.

Um dia de chuva misterioso.

 

Dentro de casa, por detrás da janela,

Há um vulto esvanecido

Que apenas uma luz nostálgica,

Permite entrever a sua beleza.

 

Há música, há vida atrás das vidraças.

Há um caminho antigo

Lajeado a beijos e abraços sentidos.

   Zé Onofre

08
Dez21

Comentário 170

Zé Onofre

                   170

021/08/14

À noite
Na minha casa velhinha
De telha vã,
Ouvia o vento passar.

Algumas vezes
Era uma aragem
Doce,
Terna,
Suave,
Mãe a embalar o seu bebé.

Outras,
Um pouco mais ligeiro,
Assobiava,
Cantava,
Desafiava-me a sair
Para dançar com ele,
Com as folhas,
Pelos caminhos
No largo.

Umas outras
Passava violento,
Abrindo os telhados
Para que a minha cama se elevasse,
Veleiro celeste
Rumo ao infinito.

Zé Onofre

30
Out21

Comentário 140

Zé Onofre

                      140

 

2021/06/28

            

Uma casa abandonada,

É mais do que uma casa

Perdida no capim, 

Buracos em paredes,

Vidros perdidos na rua,

De que as heras tomaram conta,

Até ao telhado que se perde

E nem memória de caminho há.

 

Poderá ser uma casa num beco,

Abandonada de pedras

Menos de rosas que nela florescem,

Saudosas de mãos delicadas

Que outrora as mimaram.

Os pedaços de vida,

Que ainda ecoam nas suas paredes,

São também parte das ruínas.

 

Há outra inevitavelmente

A casa onde nasci.

Que a vida me obrigou a deixar.

Em frente a uma certa janela

Havia uma cama de madeira.

Se atentarmos com os olhos

De ver tempos idos,  

Há muito sepultados 

À flor da pele,

Enxergaremos dois irmãos.

 

O mais novo,

Enleado na cadência da poesia,

Que o mais velho recitava.

Espreitava 

Nas estrelas a Velhinha errante

Cuja marcha da jumentinha

Espalhava farinha

Que branqueava mais a lua e as nuvens. 

 

O mais velho

Esquecido do mais novo

Continuava perdido na poesia.

 

 - "Ai há quantos anos

Que parti chorando

Deste meu carinhoso e saudoso lar..." –

A inocência pensava

Que o mais velho escrevera aquele poema triste.

Muito mais tarde descobriria o Guerra Junqueiro.

 

Outra, agora alicerce doutra que a substituiu,

Foi o meu primeiro "asilo político".

Aos dez anos, a “tirania maternal”

Indicou-me a porta da rua.

Um asilo de luxo,

Com jantar fora de horas,

Composto por comidas preferidas,

Pijama saído do meu armário

Tudo arranjado pela "tirana"

Que fez com que o meu amigo

Descobrisse que eu precisava de cama

E me arrastou consigo.

 

O exílio foi de curta duração.

Acabou resgatado pelo pai,

Que sob as ramadas do terreiro,  

 - Zé, vamos. –

E aquele Zé, que não este,

Voou escadas abaixo

Aninhou-se sob a asa protectora

Que o levaria para o mátrio ninho.

 

Um pouco mais à frente,

Os restos fumados

De uma casa de muitas aventuras.

 

Ultimamente um vagabundo,

Poisava por ali os farrapos,

Que cobriam os seus ossos,

E a saca das sobras que pescava no lixo.

Numa noite de frio  

A fogueira que o deveria aquecer

Deixou-o, de novo,

Sob o teto de estrelas e luar,

Na cama das bermas do caminho.

 

Em tempos idos crianças alegres

Brincavam às casinhas,

Chamavam os bois,

Levavam as vacas a beber.

Bicavam com os dedos

Bagos de cachos que subiam pelo enforcado.

Cortavam milho,

Ripavam espigas da cana

Preparando-as para a esperada

E desejada desfolhada,

Passa culpas de tantas “maroteiras,”

Algumas, então, bem inconfessáveis.

 

Ao anoitecer, dos dias de cozer broa,

Quando relutante ia e não ia

Com um surdo

- Até amanhã –

A Zindinha entregava-me,

Num pano de linho uma broinha.

Nunca nenhuma outra broa foi tão boa.

  

É melhor cortar por aqui

Antes que outras venham

Agarradas quais cerejas.

   Zé Onofre

17
Set21

Comentário 99

Zé Onofre

                   99                                            

 

O meu rio não é o Tejo,

É um pequeno rio

Que não reflecte o azul,

Mas o verde das árvores.                             

Era um prazer no verão

Fazer quilómetros a descer

Nadar nas águas junto ao açude,

Ficar estendido na areia a ler um livro.

Depois olhar as aves ribeirinhas,

Guarda-rios penso eu,

Mergulharem com a certeza

De filarem um desprevenido peixe.

Ouvir apenas os sons da natureza,

Tão longe das gentes,

Que às vezes me julgava Adão.

Já lá vinha a sombra do monte

Que me empurrava monte acima,

Até casa, onde se acabava o enleio.

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