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Comentários

23
Jul22

Comentário 281

Zé Onofre

B 281 ----- 276

 

022/07/23

 

Sobre, Quando os velhos se tornam invisíveis, imsilva 29.06.22, imsilva.blogs.sapo.pt

 

Dizem que há casas assombradas,

Fantasmas brancos e transparentes

Vagueiam entre as suas paredes,

Fazendo correntes de ar frias,

Uns,

Outros,

Mais desastrados, batem portas e janelas

Algum,

Mais pesadão, arrasta correntes pelo chão.

 

Quando fui mais novo  

Desdenhosamente dizia

Não acredito,

Não passa de conversa de assusta criança.

 

Agora que a idade avança,

Olho as paredes,

O teto e o chão do quarto.

Sem espanto verifico

Que fico mais branco e transparente,

Mais desastrado e barulhento

Ao fechar janelas e portas,

E os passos arrastando vão

Tão pesados e descompassados

Como se arrastasse correntes pelo chão.

 

É então que descobro

Que os fantasmas sempre existiram,

Não nas paredes que me abrigam,

Isso sim, dentro da carne que sou.

 

Perdendo as terrenas ilusões

E já sem relutância vislumbro

– Um dos fantasmas sou eu.

Zé Onofre

22
Abr22

Comentário250

Zé Onofre

                   250  

022/04/22

 

Sobre – saíste como entraste na minha vida, por Maria em silencios.blogs.sapo.pt/

 

Agora, espero ouvir passos

Caminharem até à porta de entrada

Do casulo onde vivo.

 

Agora, olho através do postigo,

Nem uma sombra se desloca

Para o casulo onde vivo.

  

Agora, cansado de esperar e olhar,

Apoio a cabeça nas mãos cansadas

Na mesa do casulo onde vivo.

 

Passam então, na tela dos olhos fechados

Imagens que o tempo, esse ladrão de cores

Tornou cinzentas, quase fundidas

Nas paredes do casulo onde vivo.

 

São imagens de tantas pessoas

Que vieram, que foram,

Com quem fiz mil e uma aventuras.

Habitam como fantasmas no casulo onde vivo.

 

Noutros tempos vieram

Cheios de vida e alegria, sóis da minha vida.

Partiram com saudades e saudades deixaram.

Agora nem alegria, nem sóis, nem tristeza,

Apenas fantasmas melancólicos

No casulo onde vivo.

 Zé Onofre

22
Mar22

Comentário 227

Zé Onofre

                  227

 

022/02/10, comentário a uma publicação de Maria Soares em 022/02/22

Fantasmas de casas,

Esqueletos graníticos

Vestidos de lençóis de lama,

Que vêm lá do fundo dos anos,

Das profundezas das águas,

Lembrar-nos que nada é para sempre

Que tudo é perecível.

 

É o tempo que nos fala

Do que era lá atrás

Do que foi ontem

E nos dá uma pequena amostra do amanhã.

 

É o progresso a ser assombrado

Por um passado que maltratou a natureza,

Com olhos no imediato

Sem pensar no futuro que já é hoje,

Nem num mais longe

Que é já amanhã.

 

Talvez com paciência,

E com muito mais desejo

Do que crença,

Talvez ainda consigamos reverter os estragos,

Ou, pelo menos, não os agravar.

  Zé Onofre

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