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Comentários

10
Out21

Comentário 121

Zé Onofre

                  121

Vela,

Farol nas trevas

Entre as fragas da vida,

Que guias os espíritos,

Para uma praia dourada,

Para um ancoramento seguro.

Vela,

Luz na solidão,

Que guias as almas inquietas

Para certezas

Que acalmam as angústias.

Vela,

Unguento,

Para a dor de viver.

Vela,

És apenas uma vela,

Que o mais leve sopro de vento apaga.

Não me mostras

A paz de uma praia doce,

Não me deixas o unguento,

Que acalma as feridas de viver.

Vela,

Abandonas-me

Com uma interrogação.

Para onde vai a tua luz

Depois que te apagas?

26
Ago21

Comentário 77

Zé Onofre

          77

Amor.

Saudade.

Ilha.  

Continente.

Não somos ilhas,

Nem Continentes,

Apenas uma cabeça,

Um zumbido imenso,

Um oco de pensamentos e sentimentos.

Há dias em que tudo perde o sentido.

O ruído que nos perde,

Nos afoga, nos apaga,

Nos reduz a um feroz nada.

Uma presença 

Que toma conta das vontades,

Nos aterra, nos prega ao chão,

Ou que nos faz flutuar no nada.

Tem outros dias

Que somos ilhas com saudades do Continente,

Que somos Continente dispostos a incluir tudo e todos.

Sentimos os laços tão fracos,

Os sentimentos são tão frágeis

Que tudo tem que ser moldado de novo.

Amor, o laço que liga os continentes e ilhas.

Saudade, o fio que une o presente e o passado.

Amor e saudade intricado de nós que nos amarram.

Se é o amor cantado pelos velhos poetas,

Ou se é um amor sonhado por novos profetas,

O que importa 

É que seja o amor que vivemos,

Ou o que inventamos, que nos une.

Se a saudade é aquele sentimento único

Que, dizem, é intraduzível,

Ou se é uma nova expressão,

Com o mistério de não ser misteriosa,

Que importa?

O importante, é que um ilumine o presente,

E a outra o farol que, do fundo do tempo 

Indica o futuro.   

02
Ago21

Comentário 57

Zé Onofre

                     57

Porque escrevo?

Já tentei dar-me várias respostas,

Mas, todas invariavelmente, nunca

São a resposta toda.

A primeira que me acode,

Desde sempre e agora,

É conversar com os outros

Fechando-me e aos outros na gaveta.

Outras vezes é a ambição,

De que a palavras banais

Ditadas ao correr da pena,

Serão um farol.

No fim de escritas,

As pobres e coitadas

Acabam na gaveta como as demais.

Ocorre-me assim, de quando em vez,

Dentro da minha perturbada loucura,

Ter encontrado a verdade suprema

Que toda a gente procura.

E por fim escrevo com raiva,

Por saber de antemão,

Com a certeza absoluta,

Da nulidade do esforço de escrever,

Porque sempre ficarei com o papel na mão.

Este ano, num desaforo,

Que me é estranho,

Resolvi pôr a correr mundo,

Mágoas, frustrações, anseios,

Alegrias, feitos, glórias

Que, há muitos anos apodrecem, na gaveta.

E nestas incertezas do escreve,

Não escreve,

E o que me move para dar por dito

O que nunca deveria ter sido escrito.

    Zé Onofre

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