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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

29
Out21

Comentário 139

Zé Onofre

                    139

 

2021/06/25

 

Gosto muito de bancos do jardim.

 

Não me interessa

Que seja uma pedra dormente,

Estendida na terra,

Ou assente em duas escravas.

 

Não me interessa

Que seja uma estrutura luxuosa

De ferro fundido,

Coberto com madeira pintada

Envernizada,

Ou gasta pelo uso.

 

Não me interessa

Que seja um tronco musgoso

Caído ao acaso na berma dos passeios,

Ou muito arrumadinho por mãos jardineiras.

 

Gosto deles todos.

Onde me sento a apreciar a vida

Que há para além das flores

E das árvores.

 

As crianças

Ciclistas no presente,

Futebolistas no momento,

Desconhecedores do futuro

Para onde o rego da vida os levará.

 

Aquele casal de idosos,

Parecendo cansados da vida,

Mas que ainda assim

Trocam olhares coniventes

E carinhosas festas leves nas mãos engelhadas.

 

A juventude

Que se deita no banco

Depois de um dia atribulado

De estudo,

Ou de trabalho,

Ou de palmilhar ruas

Em busca de um ganha-pão.

 

Aqueles jovens enamorados

Que, a continuarem assim,

Com aquela troca de lábios quentes,

De olhares incendiados,

Com as mãos exploradoras,

Nos quais já se preveem,

Crianças, Ciclistas e futebolistas,

Que inocentes aguardam

O futuro

A que o rego da vida as levará.

    Zé Onofre

27
Out21

Comentário 137

Zé Onofre

                 137

 

2021/06/21

 

A poesia não mora em versos com palavras de sílabas bem contadas e com rimas mais ou menos pobres.

A poesia também não mora em frases que se interrompem para ganharem um ritmo mais ou menos cadenciado.

A poesia mora no olhar, nos sons ouvidos, nos aromas, no paladar, no acariciar.

A poesia mora no que se fantasia com o que e com quem nos rodeia.

A poesia mora no passado que conseguimos tornar presente e levá-lo até ao futuro.

A poesia mora onde houver sensibilidade, mesmo que essa habite num ser analfabeto.

A poesia mora fora de nós.

A poesia não mora na inteligência, nem no conhecimento.

A poesia cerca-nos por todo os lados.

Felizes os que a sabem apreciar verdadeiramente onde ela está.

  Zé Onofre

15
Set21

Comentário 97

Zé Onofre

           97

[Resolvi brincar  com palavras de outrem (que eram em prosa) e com elas escrever um novo texto.]  

Vamos

Estamos tão cheios de hoje,

Tão cheios de ontem

Tão cheios de futuro

Vamos velhos amigos

Dar a volta ao quarteirão

Sentar-nos num muro

Procurar espaços novos.

Vamos redescobrir o prazer,

De ver os desenhos das sombras,

Que projetam, no chão, as novas cores

Tudo o que ainda não existe

Mas podemos imaginar.

Vamos sem destino

E de mão dada ou separados

Acima

De novos escritos, de novos cheiros

Que nos façam rir, ou chorar.

Vem comigo  

Conhecer nas paredes

De tudo Fechar os olhos

Sentir, que nos esquecemos de nós.

Vamos, calçamos os sapatos

 E no mesmo caminho

 Pintar a cores imaginadas

 Como se não conhecêssemos

De sobra os objectos

Tudo o que ainda não existe.

Viver cada humor,

Por vezes parece-me 

Que receamos viver, saborear,

Que nos esquecemos que somos nós

Que vamos ali a andar lado a lado.

Olha, então vem comigo pensar

Como se fosse o primeiro, ou o último dia.

Vem comigo encontrar

Conforme as larguras de estrada

E até sem vista

Tudo o que ainda não existe

Ou, que havemos de conhecer

Vens?

  Zé Onofre

09
Set21

Comentário 90

Zé Onofre

 

               90

Às vezes caminho

Distraído de tudo,

Esquecido de todos.

De repente tropeço

Numa pedra,

Num tronco caído,

Ou levo com uma bolota,

Ou com uma pinha

Na pinha.

Aquele momento que é agora,

Troca-me as voltas,

Gira-me entre o passado e o futuro,

Fico sem saber que tempo é.

Outras vezes,

Sentado numa cadeira

Distraído num jornal,

A folhear, ao acaso, um livro

Que há muito não abria,

Bato com o olhar

Numa frase,

Numa imagem,

Numa fotografia.

Trazem, 

Vindos do fundo do esquecimento,

Amores antigos.

Então,

Os de hoje,

Os de ontem,

Apanham-me numa rede

Que me larga zonzo

Na praia da vida.

      Zé Onofre

26
Ago21

Comentário 77

Zé Onofre

          77

Amor.

Saudade.

Ilha.  

Continente.

Não somos ilhas,

Nem Continentes,

Apenas uma cabeça,

Um zumbido imenso,

Um oco de pensamentos e sentimentos.

Há dias em que tudo perde o sentido.

O ruído que nos perde,

Nos afoga, nos apaga,

Nos reduz a um feroz nada.

Uma presença 

Que toma conta das vontades,

Nos aterra, nos prega ao chão,

Ou que nos faz flutuar no nada.

Tem outros dias

Que somos ilhas com saudades do Continente,

Que somos Continente dispostos a incluir tudo e todos.

Sentimos os laços tão fracos,

Os sentimentos são tão frágeis

Que tudo tem que ser moldado de novo.

Amor, o laço que liga os continentes e ilhas.

Saudade, o fio que une o presente e o passado.

Amor e saudade intricado de nós que nos amarram.

Se é o amor cantado pelos velhos poetas,

Ou se é um amor sonhado por novos profetas,

O que importa 

É que seja o amor que vivemos,

Ou o que inventamos, que nos une.

Se a saudade é aquele sentimento único

Que, dizem, é intraduzível,

Ou se é uma nova expressão,

Com o mistério de não ser misteriosa,

Que importa?

O importante, é que um ilumine o presente,

E a outra o farol que, do fundo do tempo 

Indica o futuro.   

20
Ago21

Comentário 68

Zé Onofre

68

Somente os Loucos     

Têm uma visão clara do futuro.

Um louco olha o presente

E sente e pressente

Que o porvir

Tem necessariamente

De ser diferente

Do que é e do que já foi.

Não serão os economistas/financeiros,

Nem os políticos seus sacerdotes,

Que terão o discernimento certo

Para verem muito mais a frente.

Apenas os verdadeiros Loucos,

Loucos,

Criarão, a partir do caos que é este tempo,

Um mundo muito diverso do actual.

Ainda que ninguém os leve a sério,

Não se intimidam.

Continuam na sua Loucura normal,

A anunciar uma nova humanidade

Mesmo sabendo que com o seu dito delírio

Acabe preso num outro qualquer Tarrafal.

      Zé Onofre

15
Ago21

Comentário 61

Zé Onofre

                 61

Há tempos e tempos.

Porém dizem que os tempos são três.

Passado. Presente. Futuro.

Que bom que seria se assim fosse,

Seria então tão fácil de entender o tempo.

Contudo há tantos tempos

Dentro de cada tempo,

Que gastaríamos quase todo o tempo,

A contar os tempos em que cada tempo há.

Uns são tão curtos, mais breves que estrela cadente.

Outros tão longos, tão longos

Que parece que a Terra foi para além de Plutão.

Uns são tão leves

Que nos fazem flutuar.

Outros são tão pesados,

Que imobilizam as tempestades.

O tempo será mesmo um continuum,

Como dizia Einstein?

Ou o tempo serão blocos,

Que se entrechocam e se partem em pó de tempo,

Ou que se aglutinam e fazem o tempo parar?

Será loucura pensar que o tempo nos amarra,

Ou pensar que rolamos no tempo pela força do acaso?

Mas que no tempo há muitos tempos, ai isso há.

Uns são tão breves que mal se sentem,

Outros são tão longos que parecem não ter fim.

       Zé Onofre

 

13
Ago21

Comentários 59

Zé Onofre

59

Obrigado por ser uma brasa à espera que o futuro incendeie.

Obrigado por manter no ar,

Uma gaivota voadora,

Que nos guiará à praia prometida.                           

Obrigado por ainda acreditar e resistir

E espalhar coragem                                   

A quem está mesmo, mesmo a desistir.

 Zé Onofre

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