Comentário 197
197
2021/06/05
Era já Setembro,
O dia ia caindo.
A ceia fora apressada.
A criançada já sonhava com uma noite
Que entraria pela madrugada.
As crianças espreitavam
Os beijos envergonhados,
De rapazes e raparigas,
Dados apressadamente escondidos,
Dos olhos atentos dos pais,
Enevoados pela memória doce
Dos seus anos jovens.
A miudagem,
De olhos vivos,
Já um pouco gulosos,
Futuravam-se
Ladrões de beijos.
O que não lhes passava pela cabeça,
Repleta de desejos futuros,
É que o perderiam
Para um tempo mecanizado,
Ou, mais triste ainda,
Para uma Terra deserta.
Zé Onofre