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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

13
Nov21

Comentário 152

Zé Onofre

                 152

 

2021/07/18

 

De onde virá

Esta obsessão

Que nos move em frente.

Em que momento da história

Dos seres vivos

Surgiu essa vontade de liberdade?

Terá sido,

Naquele dia,

Naquele momento,

Em que simples macacos

Caímos, ou descemos, de uma árvore?

Terá sido

Quando,

Ainda curvados, de olhos no chão

Reparamos que não precisavamos das mãos para caminhar?

Terá nascido naquele momento mágico

Em que pela primeira vez que olhamos o horizonte

Quisemos saber o que havia mais além.

Terá sido quando pegamos numa vara

Vimos o nosso braço aumentar?

Terá sido, quando por acaso descobrimos

Que as sementes recolhidas,

Inopinadamente caídas à porta do nosso poiso,

Floriu em sementes iguais?

Venha essa vontade de ser livre de onde vier.

Tenha nascido em qualquer desconhecido tempo.

O certo é que esse sonho/vontade de liberdade

Alojou-se-nos no íntimo,

Quase sendo mais um gene nosso.

Se essa liberdade é sentida pelo coração,

Ou se é racionalizada, não sei.

Talvez seja matéria de estudo

Para arqueólogos, ou historiadores,

Sociólogos, ou antropólogos,

Psicólogos, ou filósofos,

Neurologistas, ou psiquiatras,

Ou outros entendidos nos meandros da natureza humana.

Sei,

E afirmo-o com certeza mais certa que posso ter,

Que não é para pessoas comuns

Tão frágeis

Que são as pessoas vendadas,

Perdidas nos meandros da paixão

Pela liberdade.

   Zé Onofre  

12
Out21

Comentário 123

Zé Onofre

                     123

 

Voar nas asas do desafio,

Venha em corpo de gaivota

Ou no de um pequeno guarda-rios,

Ir muito acima da mais alta cota.

 

Ir ao horizonte cortar o fio

Alargar o espaço que nos toca.

Desse longe, olhar este sítio

Que não sei se abriga ou sufoca.

 

Voar nas asas do desejo

Ver o sentido íntimo do ser.

Tentar descobrir o que não vejo,

 

Desde o primeiro raio do alvorecer

Até que o sol no seu diário passeio

Se despenha no mar ao anoitecer.

09
Out21

Comentário 120

Zé Onofre

120

 

Todo o Homem

Que já foi Menino

- Há “homens que nunca foram meninos”-

Se lembra

Desse tempo de encantamento.

Desse tempo

Em que acreditava

Que os seus olhos

Clareavam o dia,

Que acreditava

Que a correr

Arrastava o sol pelo azul,

Qual estrela de papel.

Que o movimento das suas mãos

Agitavam as árvores ao vento.

Que os segredos

Que as folhas confidenciavam às aves

Os segredava da sua boca inocente.

Que estas, diligentes,

Faziam chegar aos poetas.

Que os versos

Eram os sonhos que ele murmurava

Enquanto brincava

No verde dos campos,

Sentado num penedo

A mirar o rio.

Acreditava

Que o rio e o mar,

Aquela rocha e o monte além,

Existiam pela sua vontade.

Sentia-se Senhor da Terra e do Céu

Que bastava dizer a palavra mágica

Para voar para além do horizonte,

Muito mais além das estrelas,

Para além do que a imaginação alcança.

Feliz o Homem,

Que,

Por breves momentos mágicos,

Volta a ser aquele inocente menino.

  Zé Onofre

30
Set21

Comentário 112

Zé Onofre

                     112

 

Olhamos.

Paramos.

Vemos.

Uma cortina de cores,

Em que o criador nelas se enreda?

Um criador angustiado?

Um criador

Com saudades do Infinito?

Um ser único

Rolando pelos confins da existência?

Tanta coisa para além da tela.

Ou pensamos

Que existe por si própria,

Que nos tapa o horizonte?

Não poderemos ver mais além

Do que o criador criou?

Felizes

Os que olhando o mundo

O fazem o “seu mundo”.

Felizes

Os que com mãos talentosas

Fazem das cores

O barro da sua criação.

Felizes

Os que manipulam a cor

Para se mostrarem

Desvendando sentimentos

Escondendo sentimentos.

Felizes,

Os que pegam nas cores

Extraem delas a sua essência.

É então que um qualquer escrevinhador,

Com muito, pouco, ou nenhum talento,

Sente a necessidade,

A ousadia de expor

Num inocente papel,

Mesmo que de forma canhestra,

O seu sentimento.

  Zé Onofre

29
Set21

Comentário 111

Zé Onofre

                 111

 

Que haverá  

Além,

Além da colina rochosa,

Colina rochosa, que encurta,

Encurta, o horizonte?

Que haverá

Para além das rochas

Mais areia, mais mar?

Ficamos?

Iniciamos a caminhada?

A caminhada

Para encontrar o mais longe,

Ou ir além

Do mais longe?

Sentámo-nos,

A imaginar o sem fim?

Sentámo-nos,

A visualizar aléns?

O sonho manda caminhar,

Para onde?

Seguir os passos

Que os sonhos guiam

Pelo caminho

Que faremos a caminhar.

O caminho

Onde novos sonhos.

Surgirão

A desenhar novos caminhos.

Cada pegada,

Marca de um sonho cumprido

Início de um outro

A cumprir-se.

Chegados,

Onde pensávamos ser o fim,

Mais longes se erguem.

Mais sonhos por onde irmos.

   Zé Onofre

26
Set21

Comentário 108

Zé Onofre

 108

 

Havia, numa praia,

Um poste de madeira

Pés presos na areia

A mirar, apaixonado, o mar.

Uma paixão imensa,

Que o areal contrariava.

Aproveitou um vendaval

Libertou-se daquela prisão

Mergulhou totalmente no oceano.

Ondulou horizonte afora,

Carregado de sonhos

De marinheiros de água doce.

Correu os sete mares

Largando sonhos,

Levando sonhos,

De praia em praia,

De arribe em arriba.

Cansou,

Quando os mares

Já não tinham segredos,

Que ele não tivesse descoberto.

Regressou.

Cansado,

Atou-se ao areal,

Por um lenço azul

Tecido de água do mar,

Recordação marinheira.

Zé Onofre 

 

 

15
Set21

Comentário 97.1

Zé Onofre

                   97.1

Caminhos,

Velhos caminhos

São sempre os mais queridos.

Os novos caminhos nunca se igualam

Aos velhos caminhos.

Quanto mais antigos

São os velhos caminhos

Que mais nos atraem.

Que mistérios

Há nos velhos trilhos,

Que tantas vezes pisamos,

E que hoje, ao serem caminhados de novo,

Nos soltam duas fontes no rosto,

Um sorriso de melancolia

Na boca triste.

Que de novo têm os velhos trilhos

Se quando tantas vezes os passeamos

Há tantos anos?

Mais uma pedra, menos uma pedra,

Mais arbusto, menos arbusto,

Mais voo, menos voo,

De ave, mais, ou menos, migratória.

Sinto-me preso aos velhos caminhos

Pelas vozes dos amigos que ali vão,

Mas que há já muito se esfumaram,

São os pensamentos compassados

Ao ritmo de um outro tempo,

É o vento que esvoaça os cabelos

Que já não temos,

É aquela chuva miudinha.

É o estar sentado com a companheira

Olhando o horizonte.

E mesmo que a companheira de ontem,

Seja a companheira de hoje,

Companheira e paisagem

Não são as mesmas.

06
Set21

Comentário 85

Zé Onofre

85

Há momentos únicos

Como todos o são

Em que, por mais que o evite,

Não me julgue.

 Acaba sempre no mereço estar aqui?

Para me sentir ainda menos

Olho em volta

Esteja à beira-rio

Vendo o fluir infinito das águas,

À beira-mar

Ouvindo as ondas no vaivém sem descanso

No cume de um monte

Fitando o horizonte e mais além

Vejo-me pequeno.

Sinto-me mais rasteiro

Comparado com os gigantes da Humanidade.

Com esta certeza de pequenez

Observo os que me rodeiam

“Será que os mereço?

Irei arrastá-los para a sombra onde estou?

Esgueiro-me de mansinho.

Já longe, recrimino-me.

Por que fugiste?

Te calaste?

Não te mostraste?

Quem te garante que não houve,

Pelo menos uma alma,

Que não gostaria de saber quem era

Aquele encasulado naquele cantinho?

Nunca o saberei porque fugi.

  Zé Onofre

11
Ago21

Comentário 57

Zé Onofre

                   57

Adoro a noite.

As estrelas de certeza que guardam segredos.

Tantos e tantas vezes as procuramos

Para esvaziar a alma

E procurar conforto

Que se não fossem segredeiras,

Pedro teria chegado a tempo de salvar Inês.

Ouvem-nos e fitam-nos tão atentamente,

Que naquele momento sabem,

Com toda a certeza,

Melhor quem somos do que nós próprios.

À noite caminhando à volta do Largo,

Ou sentado nas escadas cinzentas lá de casa,

Tínhamos conversas infindas.

Até que os meus olhos

E as estrelas

Pousavam na linha do horizonte.

O corpo sentado nas pedras quentes

Que o sol diurno aquecera,

Enquanto o sonho me levava,

Por viagens interplanetárias.

Acordava já quase dia

Ouvindo as canções que o riacho,

Mesmo ali pertinho das escadas,

Me sussurrava.

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