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Comentários

19
Dez21

Comentário extra numeração

Zé Onofre

Extra numeração

 

021/12/19

 

«Eleitor moderado é o que não tolera misturas ideológicas de democratas com extremistas. » - António Borges Carvalho

 

Há nomes a serem apagados da memória,

Das gentes e dos povos por serem extremistas.

Devem ser totalmente excluídos da história,

Que nem uma só silaba do seu nome persista.

 

Que para sempre se apague o nome Spartakus,

Que, por ser pessoa muito pouco moderada,

Sequer quis discutir com o seu Dominus

E pegou logo na sua afiada espada.

 

Sobre Vercingétorix, e gauleses aguerridos,

Jamais alguma palavra seja dita ou escrita.

Pois este bárbaro infame não deu ouvidos

E contra Júlio César levantou logo a crista.

 

Que desta Ibéria, ponta ocidental do mundo,

Para sempre, de hoje em diante, de imediato,

Seja enterrado num abismo bem profundo,

O nome do pastor-guerreiro infame Viriato.

 

Que dos desertos da Judeia, a humanidade

Esqueça o maldito exagerado idealista, Jesus,

Que, tão radicalmente pregava a igualdade

Que bem feito foi terem-no pregado na cruz.

 

Que jamais se lembrem homens tão diferentes –

Mahatma, Martin Luther King, Lumumba,

Simon Bolívar, George Washington, Pedro I,

Machado dos Santos, Almirante Reis, Michael Collins,

Mondlane , Amílcar Cabral, Agostinho Neto, O MFA,   

Nicolau Lobato, Nelson Mandela, Samuel Nujoma,

Todos eles perigosos políticos nada moderados  

Extremistas que exigiam liberdade, igualdade,

Ou mais perigosos para os democratas moderados,

«Independência» e mais dramaticamente ainda,

Os que de armas na mão «Independência ou Morte.»

  Zé Onofre  

01
Set21

Comentário 84

Zé Onofre

                     84

Desde a antiguidade que as palavras
São “Paroles, Paroles, … “
Dizem de um desesperado

Que há mais de dois mil anos,

Frustrado,

Com a pouca atenção que lhe davam dizia
“Eu sou a voz que clama no deserto”.
Veio um tal armado em “Salvador,
Que deixou o deserto e veio falar nas cidades,
“Amai-vos uns aos outros”,
Acabou como um criminoso na cruz.
Mil e poucos anos depois,
Um tal de “Santo António
Cansado de dirigir as palavras aos homens,
Falou aos peixes que atenciosos
Puseram as cabeças fora de água.
Uns loucos, no século dezoito,
Proclamavam nas ruas de Paris
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Nesse mesmo século,
Num país de esclavagistas, proclamava-se
“Todos os homens nascem livres e iguais”.
No século dezanove uns utopistas apelavam
“Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos.”
Na segunda metade do século vinte,
Uma “menina”, Mafalda, a contestatária,
Do alto da sua cadeira e falou para o mundo
- Apelo a todos que façam a Paz.
Desceu desconsolada e triste concluiu
- A minha Cadeira, o Vaticano e a ONU
Têm, todos, o mesmo Poder.-
Sou levado a concluir,
Que as palavras de boa vontade
Lançadas, mesmo com convicção,
Encontram um muro insonorizado
Que no-las devolve embrulhadas
Em presentes de Eco.

   Zé Onofre

    Zé Onofre

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