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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

04
Abr22

Comentário 235

Zé Onofre

                 235  

 

022/03/19, comentário ao texto de Rita PN, «para que servem os poetas», em conta

me-historias.blogs.sapo.pt, no dia 022/03/18

 

De facto, os poetas para nada servem.

Spartacus escreveu um poema em ação.

Continua a haver escravos do ter,

E escravos que ajudam os outros a ter mais.

 

Cristo, dizem que viveu lá na Judeia,

Vai para dois mil e cem anos,

Escreveu um longo poema de amor para toda a humanidade,

A humanidade continua cheio de ódio e ambição.

 

Na Índia, no século vinte, um homem bom

Escreveu um belo poema de braços caídos.

A humanidade continua a levantar as mãos contra si própria.

 

Nos Estados Unidos, um homem simples

Escreveu poemas feitos de sonhos de igualdade entre todos.

A humanidade continua a desprezar-se a si própria.

 

De Liverpool, na velha Albion, um músico poeta

Escreveu uma canção cheia de sonhos e esperanças, Imaginem.

A humanidade continua a calcar com os pés e as mãos,

A destruir todos os dias as esperanças e os sonhos

E cada vez mais a capacidade de imaginar.

 

De facto, os poetas para nada servem,

Mas sem eles a realidade seria ainda mais insuportável.

Zé Onofre

27
Nov21

Comentário 160

Zé Onofre

                     160         

 

2021/08/06

Quero chegar.

Onde ?sei lá.

 

Ali,

Além,

Ou mais além ainda

Do que imaginar se possa.

 

Vou andar.

Um pé a seguir a outro,

Por antigas veredas,

Velhos caminhos,

Ou por ruas estradas ainda não rasgadas,

Sei que vou.

 

Como todos que caminham

Sei que cairei

E de que algumas quedas

Resultarão mazelas graves.

Com sorrisos as sararei.

Mais doloroso

Será

Carpir mágoas

Estendido no chão.

 

Levantar

Decididamente

Tropeçar de novo

Regressar ao caminho

Até chegar ao destino que desconheço.

 

Andarei até romper as botas,

Até os dedos romperem o cabedal,

Até os meus pés serem as suas solas.

Chegarei lá,

Mesmo que chegue sozinho,

Mas chegarei.

15
Set21

Comentário 97

Zé Onofre

           97

[Resolvi brincar  com palavras de outrem (que eram em prosa) e com elas escrever um novo texto.]  

Vamos

Estamos tão cheios de hoje,

Tão cheios de ontem

Tão cheios de futuro

Vamos velhos amigos

Dar a volta ao quarteirão

Sentar-nos num muro

Procurar espaços novos.

Vamos redescobrir o prazer,

De ver os desenhos das sombras,

Que projetam, no chão, as novas cores

Tudo o que ainda não existe

Mas podemos imaginar.

Vamos sem destino

E de mão dada ou separados

Acima

De novos escritos, de novos cheiros

Que nos façam rir, ou chorar.

Vem comigo  

Conhecer nas paredes

De tudo Fechar os olhos

Sentir, que nos esquecemos de nós.

Vamos, calçamos os sapatos

 E no mesmo caminho

 Pintar a cores imaginadas

 Como se não conhecêssemos

De sobra os objectos

Tudo o que ainda não existe.

Viver cada humor,

Por vezes parece-me 

Que receamos viver, saborear,

Que nos esquecemos que somos nós

Que vamos ali a andar lado a lado.

Olha, então vem comigo pensar

Como se fosse o primeiro, ou o último dia.

Vem comigo encontrar

Conforme as larguras de estrada

E até sem vista

Tudo o que ainda não existe

Ou, que havemos de conhecer

Vens?

  Zé Onofre

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