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Comentários

14
Dez21

Comentário 175

Zé Onofre

                    175

 

2021/08/21

 

 A minha vida

É um barco abandonado  

Ao sabor dos ventos

E das marés.

 

Nele aprendo

Com tentativas e erros.

Umas vezes,

Desastrado,

Quase voo borda fora.

 

Outras, remo sereno

No trilho do luar

Espelhado no mar.

 

Tento sempre

Seguir, só, o caminho

Passar levemente

Por entre as gentes,

Imitador da lua

Em noites de nuvens.

 

Sei, que reme

Seja para que lugar remar,

Levo como lastro

O que sou.

 

Terei que ondular

Até que a música

Me precipite no nada.

 Zé Onofre

 

30
Out21

Comentário 140

Zé Onofre

                      140

 

2021/06/28

            

Uma casa abandonada,

É mais do que uma casa

Perdida no capim, 

Buracos em paredes,

Vidros perdidos na rua,

De que as heras tomaram conta,

Até ao telhado que se perde

E nem memória de caminho há.

 

Poderá ser uma casa num beco,

Abandonada de pedras

Menos de rosas que nela florescem,

Saudosas de mãos delicadas

Que outrora as mimaram.

Os pedaços de vida,

Que ainda ecoam nas suas paredes,

São também parte das ruínas.

 

Há outra inevitavelmente

A casa onde nasci.

Que a vida me obrigou a deixar.

Em frente a uma certa janela

Havia uma cama de madeira.

Se atentarmos com os olhos

De ver tempos idos,  

Há muito sepultados 

À flor da pele,

Enxergaremos dois irmãos.

 

O mais novo,

Enleado na cadência da poesia,

Que o mais velho recitava.

Espreitava 

Nas estrelas a Velhinha errante

Cuja marcha da jumentinha

Espalhava farinha

Que branqueava mais a lua e as nuvens. 

 

O mais velho

Esquecido do mais novo

Continuava perdido na poesia.

 

 - "Ai há quantos anos

Que parti chorando

Deste meu carinhoso e saudoso lar..." –

A inocência pensava

Que o mais velho escrevera aquele poema triste.

Muito mais tarde descobriria o Guerra Junqueiro.

 

Outra, agora alicerce doutra que a substituiu,

Foi o meu primeiro "asilo político".

Aos dez anos, a “tirania maternal”

Indicou-me a porta da rua.

Um asilo de luxo,

Com jantar fora de horas,

Composto por comidas preferidas,

Pijama saído do meu armário

Tudo arranjado pela "tirana"

Que fez com que o meu amigo

Descobrisse que eu precisava de cama

E me arrastou consigo.

 

O exílio foi de curta duração.

Acabou resgatado pelo pai,

Que sob as ramadas do terreiro,  

 - Zé, vamos. –

E aquele Zé, que não este,

Voou escadas abaixo

Aninhou-se sob a asa protectora

Que o levaria para o mátrio ninho.

 

Um pouco mais à frente,

Os restos fumados

De uma casa de muitas aventuras.

 

Ultimamente um vagabundo,

Poisava por ali os farrapos,

Que cobriam os seus ossos,

E a saca das sobras que pescava no lixo.

Numa noite de frio  

A fogueira que o deveria aquecer

Deixou-o, de novo,

Sob o teto de estrelas e luar,

Na cama das bermas do caminho.

 

Em tempos idos crianças alegres

Brincavam às casinhas,

Chamavam os bois,

Levavam as vacas a beber.

Bicavam com os dedos

Bagos de cachos que subiam pelo enforcado.

Cortavam milho,

Ripavam espigas da cana

Preparando-as para a esperada

E desejada desfolhada,

Passa culpas de tantas “maroteiras,”

Algumas, então, bem inconfessáveis.

 

Ao anoitecer, dos dias de cozer broa,

Quando relutante ia e não ia

Com um surdo

- Até amanhã –

A Zindinha entregava-me,

Num pano de linho uma broinha.

Nunca nenhuma outra broa foi tão boa.

  

É melhor cortar por aqui

Antes que outras venham

Agarradas quais cerejas.

   Zé Onofre

28
Ago21

Comentário 78

Zé Onofre

          78

O sonho nasce

De uma gota de orvalho

Refractando o sol da manhã.

Do piar de um recém-nascido,

Embalado pelo vento,

No seu berço no alto de uma árvore.

Da lágrima de uma mãe

Quando sente o bebé,

Saído do seu ventre,

No seu colo ávido de dar ternura.

De um sussurro do vento

Nas folhas de um bosque.

Do balir de um anhito,

Tropeçando, ainda, nas suas frágeis pernitas.

Do cantar de uma fonte,

Futuro ribeiro, ou rio,

Leito de sonhos levados para o mar.

Do Olhar de uma pessoa enamorada,

A ver o respirar manso da amada.

Do beijo delicado dos amados,

Numa noite de luar, ou de estrelas.

Do amor concretizado

Num momento único e simples.

Este sonho

Que nasce e renasce,

Que floresce em flores,

Amadurecem em frutos,

Que maduros largam as sementes no vento,

Nasceu no momento,

Ou quem sabe milhões de anos antes,

Em que um primata,

Inadvertido desceu de uma árvore,

E, sem saber o que fazia,

Caminhou pela Savana

Até se manter erecto.

   Zé Onofre

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