Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Comentários

Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

Comentários

29
Jan22

Comentário 204

Zé Onofre

                    204 

 

2021/10/30, Sobre a publicação,  Lugar sem nome,  de Rita PN, 30.10.21 

 

Despeço-me do pó das memórias.

 

Onde, ainda ontem, havia um lugar

Há agora um buraco,

Momentos de solidão,

Onde temor nenhum

Quebra um pequeno fio ténue

Que me liga à janela do viver.

 

Na pureza das mãos,

Fotografias esquecidas

Diluídas pelo tempo

Estão reféns de uma porta

Numa rua sem nome.

Zé Onofre

23
Jan22

Comentário 199

Zé Onofre

B.199-----194

 

2021/10/24, sobre uma publicação de Maria, em silêncios

 

Todos Chegamos de mãos nuas.

Todos partiremos de mãos nuas.

Entre um ponto

E o outro deveríamos ser Balu

- "Necessário, necessário, estritamente o necessário"

Se algo de nós

For gota de nevoeiro,

Pirilampo no escuro da noite,

Um ponto de sombra ao sol,

Que seja simplesmente

A memória do bem que fizemos,

E do que fizemos bem,

Ou a memória que não conseguimos,

Mas a certeza de que o tentamos.
Zé Onofre

04
Dez21

Comentário166

Zé Onofre

                     166

 

2021/08/10

 

No nada não estou só.

Pela cabeça

Passam filmes

Mil vezes vistos,

Tantas vezes revisitados.

 

Em cada cena

Há sempre algo de novo

Que não estava lá

Das outras vezes.

 

Aquele aperto

À beira do tasco

Onde os corpos quase se fundem

Entre risinhos,

Faces coradas,

Mãos inquietamente abandonadas,

Feitas esquecidas

Passeando pelos corpos dos outros.

 

Nunca vinte minutos

Demorou um tempo

Não imenso,

Mas uma eternidade

A passar.

 

A multidão espraia-se

Individualiza-se.

Aparecem os rostos.

A uns abraços,

Para outros, um simples aceno.

Os rostos femininos surgem.

Para algumas um olhar longo,

Para outras, um sinal cúmplice

De futuros encontros.

 

É festa na aldeia.

Não é Verão,

É Maio.

 

No improvisado campo de Futebol

Hoje é uma pista de carros,

Que ao som de música,

Fora de prazo há mil anos

Acompanha os risos,

Os choques,

A perícia dos melhores.

 

Ao lado está o café associativo,

Onde a cerveja corre,

O fumo turva os olhares.

Há jovens fingindo estar por estar,

Enquanto uma mão

Intencionalmente distraída,

Encaracola o cabelo.

Também finge

Não ver uns olhos verdes

Presa nos seus caracóis

E que à saída lhe faz um sinal.

E ele fazendo-se entediado

Segue-a.

 

No fim da tarde

O povo crente alinha-se na procissão,

E jovens, vestidos de verde,

Agradecidos à Santa

Por terem regressado vivos da Guerra,

Preparam-se para levar

O pesado andor coberto a folhas de ouro.

 

A tarde tende para a noite.

As pessoas encaminham-se

De volta ao lar.

O jovem dos caracóis,

Acompanha a dos olhos verdes

Até sua casa.

 

Sem querer,

A escrever sobre tudo e nada

Fiz uma viagem

Aos meus dezasseis anos.

Assim, sem mais nem menos.

13
Nov21

Comentário 152

Zé Onofre

                 152

 

2021/07/18

 

De onde virá

Esta obsessão

Que nos move em frente.

Em que momento da história

Dos seres vivos

Surgiu essa vontade de liberdade?

Terá sido,

Naquele dia,

Naquele momento,

Em que simples macacos

Caímos, ou descemos, de uma árvore?

Terá sido

Quando,

Ainda curvados, de olhos no chão

Reparamos que não precisavamos das mãos para caminhar?

Terá nascido naquele momento mágico

Em que pela primeira vez que olhamos o horizonte

Quisemos saber o que havia mais além.

Terá sido quando pegamos numa vara

Vimos o nosso braço aumentar?

Terá sido, quando por acaso descobrimos

Que as sementes recolhidas,

Inopinadamente caídas à porta do nosso poiso,

Floriu em sementes iguais?

Venha essa vontade de ser livre de onde vier.

Tenha nascido em qualquer desconhecido tempo.

O certo é que esse sonho/vontade de liberdade

Alojou-se-nos no íntimo,

Quase sendo mais um gene nosso.

Se essa liberdade é sentida pelo coração,

Ou se é racionalizada, não sei.

Talvez seja matéria de estudo

Para arqueólogos, ou historiadores,

Sociólogos, ou antropólogos,

Psicólogos, ou filósofos,

Neurologistas, ou psiquiatras,

Ou outros entendidos nos meandros da natureza humana.

Sei,

E afirmo-o com certeza mais certa que posso ter,

Que não é para pessoas comuns

Tão frágeis

Que são as pessoas vendadas,

Perdidas nos meandros da paixão

Pela liberdade.

   Zé Onofre  

29
Out21

Comentário 139

Zé Onofre

                    139

 

2021/06/25

 

Gosto muito de bancos do jardim.

 

Não me interessa

Que seja uma pedra dormente,

Estendida na terra,

Ou assente em duas escravas.

 

Não me interessa

Que seja uma estrutura luxuosa

De ferro fundido,

Coberto com madeira pintada

Envernizada,

Ou gasta pelo uso.

 

Não me interessa

Que seja um tronco musgoso

Caído ao acaso na berma dos passeios,

Ou muito arrumadinho por mãos jardineiras.

 

Gosto deles todos.

Onde me sento a apreciar a vida

Que há para além das flores

E das árvores.

 

As crianças

Ciclistas no presente,

Futebolistas no momento,

Desconhecedores do futuro

Para onde o rego da vida os levará.

 

Aquele casal de idosos,

Parecendo cansados da vida,

Mas que ainda assim

Trocam olhares coniventes

E carinhosas festas leves nas mãos engelhadas.

 

A juventude

Que se deita no banco

Depois de um dia atribulado

De estudo,

Ou de trabalho,

Ou de palmilhar ruas

Em busca de um ganha-pão.

 

Aqueles jovens enamorados

Que, a continuarem assim,

Com aquela troca de lábios quentes,

De olhares incendiados,

Com as mãos exploradoras,

Nos quais já se preveem,

Crianças, Ciclistas e futebolistas,

Que inocentes aguardam

O futuro

A que o rego da vida as levará.

    Zé Onofre

09
Out21

Comentário 120

Zé Onofre

120

 

Todo o Homem

Que já foi Menino

- Há “homens que nunca foram meninos”-

Se lembra

Desse tempo de encantamento.

Desse tempo

Em que acreditava

Que os seus olhos

Clareavam o dia,

Que acreditava

Que a correr

Arrastava o sol pelo azul,

Qual estrela de papel.

Que o movimento das suas mãos

Agitavam as árvores ao vento.

Que os segredos

Que as folhas confidenciavam às aves

Os segredava da sua boca inocente.

Que estas, diligentes,

Faziam chegar aos poetas.

Que os versos

Eram os sonhos que ele murmurava

Enquanto brincava

No verde dos campos,

Sentado num penedo

A mirar o rio.

Acreditava

Que o rio e o mar,

Aquela rocha e o monte além,

Existiam pela sua vontade.

Sentia-se Senhor da Terra e do Céu

Que bastava dizer a palavra mágica

Para voar para além do horizonte,

Muito mais além das estrelas,

Para além do que a imaginação alcança.

Feliz o Homem,

Que,

Por breves momentos mágicos,

Volta a ser aquele inocente menino.

  Zé Onofre

12
Set21

Comentário 93

Zé Onofre

                93

 

Escrever.

Escrevo para me esconder.

Esconder-me duas vezes.

Uma porque evito mostrar,

De viva voz,

Os sentimentos que me vão na alma.

A outra porque o pobre papel,

Que sofreu horrores nas minhas mãos,

É atirado para a gaveta

Para ser esquecido

Com a uma letra quase criptográfica.

Agora escondo-me uma terceira vez,

Talvez com o rabo de fora,

Convencido que escrevendo aqui,

Mostro alguém que sou eu,

Mas de mim só levam um nome,

Sem corpo, nem rosto.

  Zé Onofre

14
Jul21

Comentário 48

Zé Onofre

                   48

O amor parte tantas vezes o coração!

Uma vez partido

Apanhamos os cacos doridos,

E moldamos um novo,

Com lágrimas e as mãos.

E repetir, repetir, repetir.

Até que tudo se vá

E nada sobre parmoldar,

Saber que é hora de partir.      

E nada sobre para moldar,

Saber que é hora de partir.

    Zé Onofre

13
Jul21

comentários 47

Zé Onofre

                   47

Numa madrugada de Maio,

Com o sol a espreitar no cimo dos montes,

Estrada fora carregava, a custo, meia dúzia de livros.

De repente uma força irreprimível

Faz das minhas mãos,

Mãos mágicas, fizeram nascer,

Nos meus longos cabelos rosas e mais rosas.

Poucos passos dados,

Os meus pés proclamam a independência,

Voltam atrás e as mãos continuaram,

O seu trabalho.

Agora tinha rosas na boca,

Rosas pendentes das orelhas,

Rosas que desciam braços nus abaixo,

Plantadas nas dobras da camisa.

As loucas, até dos livros fizeram surgir rosas.

Não cheguei ao destino.

Um olhar ríspido,

Um dedo em riste,

Uma directora-estátua,

Apontou-me o caminho de volta.

E eu só ia engalanado com rosas.

Juro que eram só rosas.

  Zé Onofre 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub