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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

30
Mar22

Comentário 230

Zé Onofre

                  230

 

022/02/15, sobre a publicação O tempo que passou...,Ana Sofia, na mesma data

 

Lancei as mágoas,

As tristezas,

O desânimo

Em águas que os meus olhos,

Impotentes,

Não conseguem suster.

 

Essas águas incontidas

Foram outras fontes

De muitos regatos,

Que de ribeiro em rio,

De rio em rio,

Mais foram salgar o mar.

 

Os regatos nasceram,

Os ribeiros transbordaram,

Os rios engrossaram,

O mar ficou mais salgado,

Contudo sinto que uma nova enchente

Se prepara dentro de mim.

   Zé Onofre

07
Jan22

Comentário 193

Zé Onofre

                     193

 

2021/10/06

 

Quantas vezes, desejamos

O impossível.

Quantas vezes,

Desejamos

Partir

E ficamos.

Quantas vezes,

Desejamos

Ficar com alguém

A quem queremos

Tudo de bom,

Até a Liberdade.

Para grande tristeza

A Liberdade do outro ​

Está em partir

E não em ficar.

Partir nem que seja

Pela espuma das ondas

Do mar em fúria.

  Zé Onofre

26
Nov21

Comentário 159

Zé Onofre

             159       

2021/08/05

Respira-se a vida,

A fitar o azul-profundo,

A caminhar pela areia infinita,

A fitar navios, pontos negros no mar,

A acercarmo-nos de velas geradoras do vento,

A entrar pelo infinito com que as velas jogam,

A navegar em palavras,

Para além do céu.

Até aos ilimites do espaço.

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

Respira-se a vida

Tomando as asas aos pássaros

E livres

Traçar voos com ida

Mas sem volta.

Ao perdermo-nos num penhasco,

Joelho, continuado por um braço,

Apoio de um rosto cansado.

A escrever de memória,

Arco perdido no presente,

Que lança setas arqueadas,

Em forma de poemas

Vencendo o precipício.

17
Nov21

Comentário 156

Zé Onofre

                     156

 

2021/08/03

 

Procuro o silêncio

Nas horas plenas

Da noite avançada.

O silêncio solta a imaginação.

Rumo ao vazio,

Tento ler os segredos

Das suas origens

Que esconde com pudor

De se expor.

Enquanto vagueio

Entre as palavras não escritas.

Ele, maroto,

Decifra-me como se fosse de cristal.

Em mim descobre

Universos completos.

Estrelas,

Planetas,

Órbitas,

Probabilidades de Universos paralelos.

 

Rendido a ele,

Silêncio absoluto,

Silêncio escritor,

Meu mestre etéreo.

Rendido ao silêncio

Que é mar e sol,

Deserto e praia,

Cascatas e arco-íris,

Brumas e encantamento.

 

Submetido

Às colinas de palavras,

Flutuo de uma a outra.

Cada parágrafo, que não escreve,

É um precipício

Em que desfaleço

De onde me resgata

O veleiro da imaginação.

   Zé Onofre

12
Out21

Comentário 123

Zé Onofre

                     123

 

Voar nas asas do desafio,

Venha em corpo de gaivota

Ou no de um pequeno guarda-rios,

Ir muito acima da mais alta cota.

 

Ir ao horizonte cortar o fio

Alargar o espaço que nos toca.

Desse longe, olhar este sítio

Que não sei se abriga ou sufoca.

 

Voar nas asas do desejo

Ver o sentido íntimo do ser.

Tentar descobrir o que não vejo,

 

Desde o primeiro raio do alvorecer

Até que o sol no seu diário passeio

Se despenha no mar ao anoitecer.

29
Set21

Comentário 111

Zé Onofre

                 111

 

Que haverá  

Além,

Além da colina rochosa,

Colina rochosa, que encurta,

Encurta, o horizonte?

Que haverá

Para além das rochas

Mais areia, mais mar?

Ficamos?

Iniciamos a caminhada?

A caminhada

Para encontrar o mais longe,

Ou ir além

Do mais longe?

Sentámo-nos,

A imaginar o sem fim?

Sentámo-nos,

A visualizar aléns?

O sonho manda caminhar,

Para onde?

Seguir os passos

Que os sonhos guiam

Pelo caminho

Que faremos a caminhar.

O caminho

Onde novos sonhos.

Surgirão

A desenhar novos caminhos.

Cada pegada,

Marca de um sonho cumprido

Início de um outro

A cumprir-se.

Chegados,

Onde pensávamos ser o fim,

Mais longes se erguem.

Mais sonhos por onde irmos.

   Zé Onofre

26
Set21

Comentário 108

Zé Onofre

 108

 

Havia, numa praia,

Um poste de madeira

Pés presos na areia

A mirar, apaixonado, o mar.

Uma paixão imensa,

Que o areal contrariava.

Aproveitou um vendaval

Libertou-se daquela prisão

Mergulhou totalmente no oceano.

Ondulou horizonte afora,

Carregado de sonhos

De marinheiros de água doce.

Correu os sete mares

Largando sonhos,

Levando sonhos,

De praia em praia,

De arribe em arriba.

Cansou,

Quando os mares

Já não tinham segredos,

Que ele não tivesse descoberto.

Regressou.

Cansado,

Atou-se ao areal,

Por um lenço azul

Tecido de água do mar,

Recordação marinheira.

Zé Onofre 

 

 

26
Set21

Comentário 107

Zé Onofre

107

 

Tanta luz.

Mais do que a luz permite.

Uma estrada de luz

Por onde os passos não têm conta

À procura do infinito.

O dia alonga-se,

Até ao pricipício,

Onde uma porta se abrirá

A jornada finda.

Mais luz haverá,

Luz, essa imensa,

Maior que a estrada criada pelo sol,

 Que vem do caminheiro,

                                                                                                                                            

Envergonhará o sol

Que triste se afogará no mar,

Iniciando a noite.

     Zé Onofre

12
Set21

Comentário 94

Zé Onofre

              94

Olho uma estrela

Seja ela do mar,

Seja ela do céu.

Pouso nela o olhar,

Ou é só um pretexto

Para ver  mais fundo.

 

No meu íntimo.                           

Vejo o que está ali,

Ou vejo cenas de um filme

Do qual fui guionista,

Realizador,

E actor.

Umas vezes bem-sucedidas,

Outras menos bem,

Sempre pedaços de mim.

Umas empurram-me

Para a boca de cena,

Outras criam um manto

Que me isolam tão completamente,

Que mesmo à vista de todos,

Sou invisível na minha solidão.

Zé Onofre

06
Set21

Comentário 86

Zé Onofre

                86

Não é totalmente mau saber-se perdido.

Ao menos sabe-se,

Sem fantasias ou ilusões,

Que não se está aqui ou além.

Sabe-se que onde se está

Pode ser um sítio dentro de nós,

Pode se um mar ou uma montanha,

Pode ser uma ilha ou um rio,

Sabe-se apenas que o sítio é errado.

Sabe-se que basta encetar a descoberta

Do caminho de regresso ao ninho

 De onde um dia se foi arrastado

Pelo vendaval que é a vida.

     Zé Onofre

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