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Comentários

07
Dez21

Comentário 169

Zé Onofre

                     169

 

2021/08/13

 

Felizes são os inocentes

Que medem o tempo

Pelas suas vidas.

 

Felizes 

Os que não conhecem

Frações de tempo,

Que o vivem sem medida.

 

Felizes

Para quem o tempo

Tem o tempo

Que tem.

 

Felizes

Os que não ganham,

Nem perdem tempo,

Que apenas vão

Na corrente do tempo.

 

Felizes 

Os que olham o tempo

Não como medida da vida,

Mas a vida como medida do tempo.

 

Infelizes nós,

Os governados por um tic-tac,

Pela vibração

Dum cristal de quartzo,

Pela semivida

De um metal radioactivo.

 

Tão infelizes

Que perdemos

Vapores,

Comboios,

Autocarros,

Aviões,

E até conseguimos 

Perder tempo.

  Zé Onofre

10
Nov21

Comentário 149

Zé Onofre

 

                 149

 2021/07/16

Nos meus dezasseis anos

O tempo não tinha medida.

 

Era longo o Inverno

Com os seus dias  

Das cortinas cinzentas líquidas  

Que serenas,

Ou violentas,

Diluíam os horizontes.

 

Era longa a Primavera.

Nos campos ainda alagados,

As cores afogavam a água,

Com o verde forte da erva,

Com os dourados malmequeres.

Com o vermelho vivo ao pálido das papoilas,

Com o roxo das violetas selvagens.

Com os rebentos verde-envergonhado das árvores,

Com o azul-nascente do céu,

A chamar o Verão.

 

Sem tempo era o Verão

De dias imensos

Que engoliam as noites,

Deixavam um pouco para,

Para contarmos a infinidade de estrelas.

Das tardes quentes,

Em que desafiávamos as distâncias,

 Ignorávamos a dureza do regresso,

Voávamos a mergulhar no Tâmega,

Fio de água convencido que era enorme,

Preso nos açudes.

 

Era longo o Outono

Das vindimas

Dia após dia

Que avermelhavam as mãos.

Os pés, nas lagaradas, pisavam com mais alegria

Animadas por graçolas e cantares.

Das desfolhadas nocturnas

Que se estendiam pela madrugada,

Em danças e cantares

Na eira do Ribeiro.

Era o tempo do início da escola,

Sempre depois do Cinco de Outubro,

E terminava

Com uma alegria metafísica que pairava no ar.

 

Era um tempo de transição.

O tempo das rabanadas,

Dos presépios,

Da Missa do Galo,

Das Janeiras,

Que terminava nos Reis.

Era o tempo

Em que o tempo tinha          

Todo o tempo do mundo.

«Aqueles eram os dias, amigos,

Que pensávamos não ter fim,

Em que à mesa do canto do “café”,

Fazíamos projectos

Para mudar o mundo

Todos os dias.

Aqueles eram os dias …»  

(tradução libérrima da canção de Mary HopKins, 1968)

   Zé Onofre

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