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Comentários

05
Dez21

Comentário167

Zé Onofre

                     167

                       

2021/08/12

 

Neste momento

Em que a coragem

Tem de chegar

Vinda sabe-se lá de onde.

Neste momento

Em que toda a força

É necessária

Para enfrentar o medo

Que nos tolhe o pensamento.

 

Neste momento

Em que a nossa vida

É feita refém de segredos

Tão longe do nosso entendimento.

 

Neste momento

Em que velhos caminhos

Se cruzam com novos caminhos

Que andamos ao deus dará 

Sem sabermos de rumo, nem rota.

É preciso que saibamos,

Que algures no meio da Tempestade,

Mesmo sem provas evidentes,

Estará lá alguém 

Que resistirá connosco.

Esse desconhecido

Podes ser tu,

Pode ser ele,

Será um “eu ”colectivo”

Forjado na adversidade.

Zé Onofre

16
Nov21

Comentário 155

Zé Onofre

            155

 

2021/08/02

 

A vida é feita

De estranhos caminhos.

Linhas emaranhadas,

Encruzilhadas desconhecidas,

Palavras mal garatujadas,

Lutas leais,

Lutas desiguais,

Vãs glórias,

Fortes vendavais.

 

A vida

É o medo que nos rói,

A alegria que nos eleva,

É mentira que dói,

A verdade que magoa,

O vazio que nos preenche,

A solidão que nos rodeia,

A multidão que nos esmaga,

A tristeza

Que se derrama dos olhos.

A vida são amores,

Desamores,

Ódios,

Amizades

Que vão,

Que veem,

Que ficam,

Que estão.

A vida está lá.

 

 

Felizes os que a acham.

  Zé Onofre

20
Out21

C0mentário 131

Zé Onofre

                      131

 O mapa de Portugal

Ficava pendurado na parede

Entre duas janelas.

Eram duas janelas

Que escorregavam pela parede

E paravam a um metro do soalho.

Era aquele o local escolhido 

Para as aulas de Geografia.

Mais interessantes, que o velho mapa 

Que já servira gerações de alunos,

Eram as janelas abertas para a vida.

Os olhares mergulhavam nas vidraças,

De onde uma ríspida cana

manejada pelo professor

Nos pescava.

E a lição continuava.

Com a canção das serras,

Estrela, Larouco, Gerês, Marão...

A cantiga dos rios,

Minho, Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, ...

Um outro mais desafinado,

Inseguro cantava-os a custo.

O coro das linhas de ferro,

Suas estações e apeadeiros

E respectivos ramais.

Entretanto,

Pelas vidraças sedutoras

Acompanhavamos as pessoas no largo,

O carro do Neca fazia mais um frete,

Tinha chegado um comboio.

Subíamos ao mais alto dos montes,

Pelos degraus que eram os outros

Que até ele levava. 

O mais alto, no Inverno,

Cobria-se em manto branco lindo..

Tecido em foleca

- Ai de nós que não disséssemos neve -

A cana zangada

Traz-nos à realidade geográfica da lição.

- Sr. Joaquim, tão interessado

No que se passa lá fora,

Aponte no mapa a serra do Marão.

De mão trémula devido ao medo,

Que não à ignorância,

Leva o indicador, de olhos fechados,

À representação do Marão

Desenhada no mapa.

O que o Joaquim não sabia,

Nem os outros seus colegas,

Era que aquele monte mais alto,

Com sua cobertura branca no Inverno, 

Era a serra do Marão.

Se as janelas falassem

Que coisas tão interessantes

não nos teriam ensinado?

  Zé Onofre

       

 

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

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