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Comentários

23
Out21

Comentário 134

Zé Onofre

              134

 

2021/06/

 

Entre campos e montes,

Regos e regatos,

Ribeiros e rios

Me criei.

Chapinhava nos campos

Alagados de água,

Mergulhado nos regos

Até acima dos joelhos.

Nadava nas águas límpidas,

Até ao primeiro mergulho,

Da poça grande.

Rebolava na erva verde das leiras,

Até ao regato, o Tombio,

No fundo da ladeira.

Brincávamos ao esconde-esconde,

Abrindo túneis

Nos campos de centeio,

De onde saíamos a coçar o corpo.

Passávamos

Tardes e noites,

Na cabana de fetos,

A ler, a jogar cartas,

A falar de tudo e de nada.

Corríamos monte abaixo

Até ao Tâmega

No fundo do vale.

Corríamos os montes às pinhas,

Para fazer fogueiras à Srª da Graça,

No alto do monte,

Onde ao outro dia se faziam piqueniques,

E se assistia à Missa

E à procissão.

No Tâmega nadávamos,

Andávamos de barco,

Tostávamos à sombra,

Mas eu não fugia da sombra.

Eram dias lindos e gratuitos

E felizes.

Vivia em pleno,

Inocente e ignorante

Da vida.

   Zé Onofre

17
Set21

Comentário 99

Zé Onofre

                   99                                            

 

O meu rio não é o Tejo,

É um pequeno rio

Que não reflecte o azul,

Mas o verde das árvores.                             

Era um prazer no verão

Fazer quilómetros a descer

Nadar nas águas junto ao açude,

Ficar estendido na areia a ler um livro.

Depois olhar as aves ribeirinhas,

Guarda-rios penso eu,

Mergulharem com a certeza

De filarem um desprevenido peixe.

Ouvir apenas os sons da natureza,

Tão longe das gentes,

Que às vezes me julgava Adão.

Já lá vinha a sombra do monte

Que me empurrava monte acima,

Até casa, onde se acabava o enleio.

06
Set21

Comentário 85

Zé Onofre

85

Há momentos únicos

Como todos o são

Em que, por mais que o evite,

Não me julgue.

 Acaba sempre no mereço estar aqui?

Para me sentir ainda menos

Olho em volta

Esteja à beira-rio

Vendo o fluir infinito das águas,

À beira-mar

Ouvindo as ondas no vaivém sem descanso

No cume de um monte

Fitando o horizonte e mais além

Vejo-me pequeno.

Sinto-me mais rasteiro

Comparado com os gigantes da Humanidade.

Com esta certeza de pequenez

Observo os que me rodeiam

“Será que os mereço?

Irei arrastá-los para a sombra onde estou?

Esgueiro-me de mansinho.

Já longe, recrimino-me.

Por que fugiste?

Te calaste?

Não te mostraste?

Quem te garante que não houve,

Pelo menos uma alma,

Que não gostaria de saber quem era

Aquele encasulado naquele cantinho?

Nunca o saberei porque fugi.

  Zé Onofre

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