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Comentários

23
Out21

Comentário 134

Zé Onofre

              134

 

2021/06/

 

Entre campos e montes,

Regos e regatos,

Ribeiros e rios

Me criei.

Chapinhava nos campos

Alagados de água,

Mergulhado nos regos

Até acima dos joelhos.

Nadava nas águas límpidas,

Até ao primeiro mergulho,

Da poça grande.

Rebolava na erva verde das leiras,

Até ao regato, o Tombio,

No fundo da ladeira.

Brincávamos ao esconde-esconde,

Abrindo túneis

Nos campos de centeio,

De onde saíamos a coçar o corpo.

Passávamos

Tardes e noites,

Na cabana de fetos,

A ler, a jogar cartas,

A falar de tudo e de nada.

Corríamos monte abaixo

Até ao Tâmega

No fundo do vale.

Corríamos os montes às pinhas,

Para fazer fogueiras à Srª da Graça,

No alto do monte,

Onde ao outro dia se faziam piqueniques,

E se assistia à Missa

E à procissão.

No Tâmega nadávamos,

Andávamos de barco,

Tostávamos à sombra,

Mas eu não fugia da sombra.

Eram dias lindos e gratuitos

E felizes.

Vivia em pleno,

Inocente e ignorante

Da vida.

   Zé Onofre

20
Out21

C0mentário 131

Zé Onofre

                      131

 O mapa de Portugal

Ficava pendurado na parede

Entre duas janelas.

Eram duas janelas

Que escorregavam pela parede

E paravam a um metro do soalho.

Era aquele o local escolhido 

Para as aulas de Geografia.

Mais interessantes, que o velho mapa 

Que já servira gerações de alunos,

Eram as janelas abertas para a vida.

Os olhares mergulhavam nas vidraças,

De onde uma ríspida cana

manejada pelo professor

Nos pescava.

E a lição continuava.

Com a canção das serras,

Estrela, Larouco, Gerês, Marão...

A cantiga dos rios,

Minho, Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, ...

Um outro mais desafinado,

Inseguro cantava-os a custo.

O coro das linhas de ferro,

Suas estações e apeadeiros

E respectivos ramais.

Entretanto,

Pelas vidraças sedutoras

Acompanhavamos as pessoas no largo,

O carro do Neca fazia mais um frete,

Tinha chegado um comboio.

Subíamos ao mais alto dos montes,

Pelos degraus que eram os outros

Que até ele levava. 

O mais alto, no Inverno,

Cobria-se em manto branco lindo..

Tecido em foleca

- Ai de nós que não disséssemos neve -

A cana zangada

Traz-nos à realidade geográfica da lição.

- Sr. Joaquim, tão interessado

No que se passa lá fora,

Aponte no mapa a serra do Marão.

De mão trémula devido ao medo,

Que não à ignorância,

Leva o indicador, de olhos fechados,

À representação do Marão

Desenhada no mapa.

O que o Joaquim não sabia,

Nem os outros seus colegas,

Era que aquele monte mais alto,

Com sua cobertura branca no Inverno, 

Era a serra do Marão.

Se as janelas falassem

Que coisas tão interessantes

não nos teriam ensinado?

  Zé Onofre

       

 

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

16
Ago21

comentários 64

Zé Onofre

         64

Há muitos, muitos anos,

Naquele tempo, em que

"Dos ledos anos se gozam os doces fruitos".

Andava perdido

Por montes e caminhos,

Por rios e ribeiros,

Olhando os velhos arvoredos,

Espiando nos seus ninhos,

O passaredo.

Um dia os meus olhos

Cruzaram-se com uns outros

E lá se foi o gozo dos ledos anos

"Que a fortuna não deixa durar muito".

Lá se foi a paz dos ventos,

Veio um vendaval que me desnorteou.

Andei por ali assim,

Olhando em círculos de longe,

Mas não tão tanto que uns olhos meus

Se deixassem de cruzar com os seus.

O muro caiu

E não houve tempo perdido.

Muitos outras paredes caíram,

Outras tantas se ergueram outra vez.

A última foi mais dura,

Caiu, ainda não se levantou,

Por estarmos sentados em cima dela,

Ou porque foi forte o vento que a derrubou.

   Zé Onofre

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