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Comentários

14
Dez21

Comentário 175

Zé Onofre

                    175

 

2021/08/21

 

 A minha vida

É um barco abandonado  

Ao sabor dos ventos

E das marés.

 

Nele aprendo

Com tentativas e erros.

Umas vezes,

Desastrado,

Quase voo borda fora.

 

Outras, remo sereno

No trilho do luar

Espelhado no mar.

 

Tento sempre

Seguir, só, o caminho

Passar levemente

Por entre as gentes,

Imitador da lua

Em noites de nuvens.

 

Sei, que reme

Seja para que lugar remar,

Levo como lastro

O que sou.

 

Terei que ondular

Até que a música

Me precipite no nada.

 Zé Onofre

 

04
Dez21

Comentário166

Zé Onofre

                     166

 

2021/08/10

 

No nada não estou só.

Pela cabeça

Passam filmes

Mil vezes vistos,

Tantas vezes revisitados.

 

Em cada cena

Há sempre algo de novo

Que não estava lá

Das outras vezes.

 

Aquele aperto

À beira do tasco

Onde os corpos quase se fundem

Entre risinhos,

Faces coradas,

Mãos inquietamente abandonadas,

Feitas esquecidas

Passeando pelos corpos dos outros.

 

Nunca vinte minutos

Demorou um tempo

Não imenso,

Mas uma eternidade

A passar.

 

A multidão espraia-se

Individualiza-se.

Aparecem os rostos.

A uns abraços,

Para outros, um simples aceno.

Os rostos femininos surgem.

Para algumas um olhar longo,

Para outras, um sinal cúmplice

De futuros encontros.

 

É festa na aldeia.

Não é Verão,

É Maio.

 

No improvisado campo de Futebol

Hoje é uma pista de carros,

Que ao som de música,

Fora de prazo há mil anos

Acompanha os risos,

Os choques,

A perícia dos melhores.

 

Ao lado está o café associativo,

Onde a cerveja corre,

O fumo turva os olhares.

Há jovens fingindo estar por estar,

Enquanto uma mão

Intencionalmente distraída,

Encaracola o cabelo.

Também finge

Não ver uns olhos verdes

Presa nos seus caracóis

E que à saída lhe faz um sinal.

E ele fazendo-se entediado

Segue-a.

 

No fim da tarde

O povo crente alinha-se na procissão,

E jovens, vestidos de verde,

Agradecidos à Santa

Por terem regressado vivos da Guerra,

Preparam-se para levar

O pesado andor coberto a folhas de ouro.

 

A tarde tende para a noite.

As pessoas encaminham-se

De volta ao lar.

O jovem dos caracóis,

Acompanha a dos olhos verdes

Até sua casa.

 

Sem querer,

A escrever sobre tudo e nada

Fiz uma viagem

Aos meus dezasseis anos.

Assim, sem mais nem menos.

19
Jul21

Comentário 53

Zé Onofre

                 53

Solidão e Silêncio

Meus companheiros de todos os momentos.

Em qualquer lugar refugio-me.

Olhando o nada sem limites,

Dialogo comigo e comigo

E um deles é os outros.

Quando volto

Continuo a estar, não estando.

Às vezes, também sinto a falta

De um carinho,

De uma fala amistosa,

De um sorriso só para mim.

Nessas alturas é que o papel paga,    

Carregando palavras sem sentido.                           

    Zé Onofre

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