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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

11
Dez21

Comentário 172

Zé Onofre

                    172 

 

2021/08/17

 

Quando o sol

Lentamente inicia

A transição do dia

Para a noite

Há um mistério

Que me enevoa os olhos,

Choro por dentro.

 

Vejo,

Para lá das vidraças,

Os campos verdes

Vestem-se de luto.

 

Algumas árvores

Abrigam a passarada

Com milhares de lençóis,

Enquanto,

Um melro tardio,

Pia ansiosamente

À procura do seu silvado.

 

Um cão tardio

Perdido em nenhures

Desconsolado

Ladra à lua.

 

As vidraças

Tornam-se espelhos,

Só vejo os meus olhos tristes,

Cansados,

Quase húmidos.

 

Abro a janela

De longe

Chegam gargalhadas

Cada vez mais longínquas.

 

Uma estrela

Depois outras

E ainda outra

Abrem caminho

À noite.

 

A melancolia evola-se,

Dá lugar ao sonho

Sem limites.

 

Lá vou eu

Pousar solitário

Numa árvore nua

Ouvir o silêncio,

O crepitar das estrelas.

 

Adormeço

Lápis caído

Sobre o caderno esquecido

Agora a minha almofada.

  Zé Onofre

 

17
Nov21

Comentário 156

Zé Onofre

                     156

 

2021/08/03

 

Procuro o silêncio

Nas horas plenas

Da noite avançada.

O silêncio solta a imaginação.

Rumo ao vazio,

Tento ler os segredos

Das suas origens

Que esconde com pudor

De se expor.

Enquanto vagueio

Entre as palavras não escritas.

Ele, maroto,

Decifra-me como se fosse de cristal.

Em mim descobre

Universos completos.

Estrelas,

Planetas,

Órbitas,

Probabilidades de Universos paralelos.

 

Rendido a ele,

Silêncio absoluto,

Silêncio escritor,

Meu mestre etéreo.

Rendido ao silêncio

Que é mar e sol,

Deserto e praia,

Cascatas e arco-íris,

Brumas e encantamento.

 

Submetido

Às colinas de palavras,

Flutuo de uma a outra.

Cada parágrafo, que não escreve,

É um precipício

Em que desfaleço

De onde me resgata

O veleiro da imaginação.

   Zé Onofre

26
Set21

Comentário 107

Zé Onofre

107

 

Tanta luz.

Mais do que a luz permite.

Uma estrada de luz

Por onde os passos não têm conta

À procura do infinito.

O dia alonga-se,

Até ao pricipício,

Onde uma porta se abrirá

A jornada finda.

Mais luz haverá,

Luz, essa imensa,

Maior que a estrada criada pelo sol,

 Que vem do caminheiro,

                                                                                                                                            

Envergonhará o sol

Que triste se afogará no mar,

Iniciando a noite.

     Zé Onofre

19
Set21

Comentário 101

Zé Onofre

            101

 

Alentejo

Terra mítica da minha infância,                                            

Cantado por um tio desafinado,

Que não temia assassinar a música

Com a sua voz,

Conhecida por toda a aldeia

- “Ó Baleizão, Baleizão,

Ó Terra baleizoeira,

Hei de ir para lá um dia

Queira o Toninho ou não queira.”-

 

 Já jovem

Apaixonei-me pelo Alentejo de Catarina

Magistralmente cantada

Pelo bardo Zeca Afonso.

 

Em nove setenta e quatro,

Só,

Desci das Terras Verdes                             ,

Rumo ao sul Doirado.

 

Sem roteiro, nem bagagem,

Ao sabor da boleia

Parava, onde parasse

Comia, onde comesse,

Dormia, onde dormisse.

 

Entrei por Vila Franca,

Passei Vendas Novas.

A pisar a estrada quente,

Ou a rodar dentro de carro alheio,

Poisei em Évora já alta noite.

 

Ao outro dia, à tardinha,

Pés na estrada

Dedo ao vento.

A Fortuna deixa-me frente a um quartel

Estava em Beja.

 

Um velho colega da primária,

O Fernando do Copa,

Dá-me as boas vindas.

Depois de lembrar até altas horas,

Durmo o resto da noite

No banco do jardim.

 

O dedo ainda me arrastou até mais a sul,

Contudo fui para ver o Alentejo.

Era um mar de oiro.

Aqui, além, mais longe e mais perto

Colunas de fumo

Elevavam-se no azul transparente.

 

Era o resultado de mãos criminosas

Que saudosas do antes do vinte e cinco,

Queimavam o pão do Povo.

11
Ago21

Comentário 57

Zé Onofre

                   57

Adoro a noite.

As estrelas de certeza que guardam segredos.

Tantos e tantas vezes as procuramos

Para esvaziar a alma

E procurar conforto

Que se não fossem segredeiras,

Pedro teria chegado a tempo de salvar Inês.

Ouvem-nos e fitam-nos tão atentamente,

Que naquele momento sabem,

Com toda a certeza,

Melhor quem somos do que nós próprios.

À noite caminhando à volta do Largo,

Ou sentado nas escadas cinzentas lá de casa,

Tínhamos conversas infindas.

Até que os meus olhos

E as estrelas

Pousavam na linha do horizonte.

O corpo sentado nas pedras quentes

Que o sol diurno aquecera,

Enquanto o sonho me levava,

Por viagens interplanetárias.

Acordava já quase dia

Ouvindo as canções que o riacho,

Mesmo ali pertinho das escadas,

Me sussurrava.

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