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Comentários

29
Out21

Comentário 139

Zé Onofre

                    139

 

2021/06/25

 

Gosto muito de bancos do jardim.

 

Não me interessa

Que seja uma pedra dormente,

Estendida na terra,

Ou assente em duas escravas.

 

Não me interessa

Que seja uma estrutura luxuosa

De ferro fundido,

Coberto com madeira pintada

Envernizada,

Ou gasta pelo uso.

 

Não me interessa

Que seja um tronco musgoso

Caído ao acaso na berma dos passeios,

Ou muito arrumadinho por mãos jardineiras.

 

Gosto deles todos.

Onde me sento a apreciar a vida

Que há para além das flores

E das árvores.

 

As crianças

Ciclistas no presente,

Futebolistas no momento,

Desconhecedores do futuro

Para onde o rego da vida os levará.

 

Aquele casal de idosos,

Parecendo cansados da vida,

Mas que ainda assim

Trocam olhares coniventes

E carinhosas festas leves nas mãos engelhadas.

 

A juventude

Que se deita no banco

Depois de um dia atribulado

De estudo,

Ou de trabalho,

Ou de palmilhar ruas

Em busca de um ganha-pão.

 

Aqueles jovens enamorados

Que, a continuarem assim,

Com aquela troca de lábios quentes,

De olhares incendiados,

Com as mãos exploradoras,

Nos quais já se preveem,

Crianças, Ciclistas e futebolistas,

Que inocentes aguardam

O futuro

A que o rego da vida as levará.

    Zé Onofre

20
Out21

C0mentário 131

Zé Onofre

                      131

 O mapa de Portugal

Ficava pendurado na parede

Entre duas janelas.

Eram duas janelas

Que escorregavam pela parede

E paravam a um metro do soalho.

Era aquele o local escolhido 

Para as aulas de Geografia.

Mais interessantes, que o velho mapa 

Que já servira gerações de alunos,

Eram as janelas abertas para a vida.

Os olhares mergulhavam nas vidraças,

De onde uma ríspida cana

manejada pelo professor

Nos pescava.

E a lição continuava.

Com a canção das serras,

Estrela, Larouco, Gerês, Marão...

A cantiga dos rios,

Minho, Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, ...

Um outro mais desafinado,

Inseguro cantava-os a custo.

O coro das linhas de ferro,

Suas estações e apeadeiros

E respectivos ramais.

Entretanto,

Pelas vidraças sedutoras

Acompanhavamos as pessoas no largo,

O carro do Neca fazia mais um frete,

Tinha chegado um comboio.

Subíamos ao mais alto dos montes,

Pelos degraus que eram os outros

Que até ele levava. 

O mais alto, no Inverno,

Cobria-se em manto branco lindo..

Tecido em foleca

- Ai de nós que não disséssemos neve -

A cana zangada

Traz-nos à realidade geográfica da lição.

- Sr. Joaquim, tão interessado

No que se passa lá fora,

Aponte no mapa a serra do Marão.

De mão trémula devido ao medo,

Que não à ignorância,

Leva o indicador, de olhos fechados,

À representação do Marão

Desenhada no mapa.

O que o Joaquim não sabia,

Nem os outros seus colegas,

Era que aquele monte mais alto,

Com sua cobertura branca no Inverno, 

Era a serra do Marão.

Se as janelas falassem

Que coisas tão interessantes

não nos teriam ensinado?

  Zé Onofre

       

 

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

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