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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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30
Abr22

Comentário 255

Zé Onofre

              B255 ------ 250

 

022/04/29

 

Sobre, O Equívoco de Se Ser, por Cuca Margoux, em 022/04/27, no blog aesquinadodesencontro.blogs.sapo.pt

 

Saberei eu quem sou?

Ou sou o que imagino ser?

Ou apenas serei uma imagem

Reflectida nos olhos de alguém?

 

Que imagem é aquela reflectida,

Que olho nos olhos da gente

Que apressada, ou lenta, passa

Por esta sombra vagabunda.

 

Serei a sombra fugidia nos olhos

Da gente que apressada vai sem destino,

Ou aquela sombra quase parada

Nos olhos de quem não tem para onde ir.

 

Conhecendo-me, ou desconhecendo-me,

Sei que caminho pela vida como sombra

De um eu que vive, sofre e interroga,

O caminho por onde passo a passo vou.

14
Abr22

Comentário 243

Zé Onofre

                   243 

 

022/03/15

 

Sobre uma fotografia de Luís Cutileiro, em photografias. blogs.sapo.pt, no dia 022/03/15

 

Ao longe,

Um pano preto,

Parado na paisagem

Ensombra o caminhante.

 

Ao longe,

Um misterioso pano preto,

Estático na paisagem,

Tem dois rasgões

Por onde se escoam dois raios

Que ainda mais

Ensombra o caminhante.

 

Caminhante

E pano negro aproximam-se

Mutuamente assombrados.

 

Aqueles raios de luz,

Dois olhos fugidios.

O pano negro,

Embrulha em escuridão misteriosa

Um corpo

Cujas formas só podem ser imaginadas.

 

Uma paixão súbita

Explode mais forte

Do que o corpo se mostrasse

À luz dos olhos do caminhante.

 

Aqueles olhos, raios enigmáticos,

Apenas alcançam em frente,

Presos dentro daqueles rasgões,

Veem para lá do corpo

As emoções do desconhecido caminhante.

 

Cruzando-se sem trocarem palavra

Conhecem-se profundamente

Pelo silêncio dos olhares.

 

Ao cruzarem-se,

No silêncio do caminho,

As sombras viraram cinzas,

Com as chamas do desejo

Que o mistério oculto

Ateia ainda mais.

  Zé Onofred

15
Jan22

Comentário 197

Zé Onofre

                    197

 

2021/06/05

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada já sonhava com uma noite

Que entraria pela madrugada.

                                             

As crianças espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

  Zé Onofre

03
Dez21

Comentário 165

Zé Onofre

                   165

2021/08/10

 

A minha vida

Não sou eu

É apenas o que pareço.

 

Gosto de andar lá por cima

Nu

Ou vestido

A apreciar as pequenas formigas no carreiro.

 

Não tento desvendar segredos,

Nem em murmúrios

Comentar uns belos olhos,

Ou sequer acariciar

Aqueles cabelos soltos no vento.

 

O rosto que surge,

Uns peitos que apontam

Possíveis caminhos,

Apenas me deixo fantasiar.

 

Fantasias

Que caneta alguma ouvirá,

Essa comadre de leva e trás,

Em parceria com o papel.

 

Lá no alto,

Sem saber de onde venho

Sinto-me um Génio

Sem dons.

 

Incapaz de saber os longes,

Crio amores

Para os quais devagar avanço.

 

No último momento,

Tão sombra como me aproximei,

Recuo ainda mais sombra

Sem saber para onde vou.

escrito de pois de ler -  Deixo aos outros saberem viver a minha vida, Maria em silêncios

Zé Onofre

 

16
Nov21

Comentário 155

Zé Onofre

            155

 

2021/08/02

 

A vida é feita

De estranhos caminhos.

Linhas emaranhadas,

Encruzilhadas desconhecidas,

Palavras mal garatujadas,

Lutas leais,

Lutas desiguais,

Vãs glórias,

Fortes vendavais.

 

A vida

É o medo que nos rói,

A alegria que nos eleva,

É mentira que dói,

A verdade que magoa,

O vazio que nos preenche,

A solidão que nos rodeia,

A multidão que nos esmaga,

A tristeza

Que se derrama dos olhos.

A vida são amores,

Desamores,

Ódios,

Amizades

Que vão,

Que veem,

Que ficam,

Que estão.

A vida está lá.

 

 

Felizes os que a acham.

  Zé Onofre

15
Out21

Comentário 126

Zé Onofre

126

 

Era já Setembro,

O dia ia caindo.

A ceia fora apressada.

A criançada 

Antecipavauma noite de desfolhada

Que entraria pela madrugada.

 Espreitavam

Os beijos envergonhados,

De rapazes e raparigas,

Dados apressadamente escondidos,

Dos olhos atentos dos pais,

Enevoados pela memória doce

Dos seus anos jovens.

A miudagem,

De olhos vivos,

Já um pouco gulosos,

Futuravam-se   

Ladrões de beijos.

O que não lhes passava pela cabeça,

Repleta de desejos futuros,

É que o perderiam

Para um tempo mecanizado,

Ou, mais triste ainda, 

Para uma Terra deserta.

   Zé Onofre

09
Out21

Comentário 120

Zé Onofre

120

 

Todo o Homem

Que já foi Menino

- Há “homens que nunca foram meninos”-

Se lembra

Desse tempo de encantamento.

Desse tempo

Em que acreditava

Que os seus olhos

Clareavam o dia,

Que acreditava

Que a correr

Arrastava o sol pelo azul,

Qual estrela de papel.

Que o movimento das suas mãos

Agitavam as árvores ao vento.

Que os segredos

Que as folhas confidenciavam às aves

Os segredava da sua boca inocente.

Que estas, diligentes,

Faziam chegar aos poetas.

Que os versos

Eram os sonhos que ele murmurava

Enquanto brincava

No verde dos campos,

Sentado num penedo

A mirar o rio.

Acreditava

Que o rio e o mar,

Aquela rocha e o monte além,

Existiam pela sua vontade.

Sentia-se Senhor da Terra e do Céu

Que bastava dizer a palavra mágica

Para voar para além do horizonte,

Muito mais além das estrelas,

Para além do que a imaginação alcança.

Feliz o Homem,

Que,

Por breves momentos mágicos,

Volta a ser aquele inocente menino.

  Zé Onofre

07
Set21

Comentário 87

Zé Onofre

87

Talvez,

Se pedisse a alguém,

Que me contasse o que o consome

Me sentisse mais aliviado.

A tristeza que me invade,

Se é que não sou feito dela,

Vem, já não sei de que tempo vem,

Nunca saberei quando acabará.

Começando a desfiar

A linha da tristeza

Seria tão longa,

Tão longa,

Que as palavras seriam poucas,

E o papel teria que ser às rimas,

E não haveria olhos que não se cansassem.

22
Ago21

Comentário 73

Zé Onofre

                    73

Qual rola rumando a sua casa

Havia pouco, ou muito, abandonada.

Havia já quase, mas ainda não,

Abandonado 

A busca por a amiga

Afastada destes olhos.

Olhos,

Caminhos cruzados

Nos quais nos achamos,

Há, apenas, alguns dias.

Boa volta 

Aos olhares partilhados

Com amigos já antigos,

Outros novos a ganhar radículas

Nos olhares aqui gravados.

  Zé Onofre

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