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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

05
Abr22

Comentário 236

Zé Onofre

                 236 

022/03/21, sobre a publicação, Mostra-me a poesia nas coisas feias,  de Maria em silêncios.

 

A poesia da guerra

Não está na guerra,

Nas vidas ceifadas,

Sejam elas das primaveris flores,

Ou dos inocentes animais das florestas,

Das vidas acabadas antes do tempo.

 

A poesia da guerra

Não está nas pernas cansadas

Que automáticas avançam

Por entre prédios destruídos,

Caminhos carbonizados,

Ainda mais escuros

Pelo vermelho que foi vivo,

Do sangue derramado.

 

A poesia da guerra

Não está nas palavras que tentam explicar,

O inexplicável,

Na procura de culpados,

Quando todos o somos,

Nas palavras trágicas com que a mostram,

Até ao pormenor mais insignificante,

Para se derramarem lágrimas fáceis.

 

A poesia da guerra

Poderá estar no modo terrível,

Como de tempos a tempos,

Cada vez mais frequentes esses tempos,

Somos chamados à realidade crua

Em que vivemos,

Se esse despertar assustado

Fizer florescer no chão,

Que somos nós,

Uma flor de Paz

Que destrua, por uma vez,

Toda a indústria da morte.

 

    Zé Onofre

16
Dez21

Comentário 177

Zé Onofre

                     177

 

2021/08/24

 

Olho o vazio triste.

Apenas uma parede branca.

 

Na parede branca

Procuro palavras

Se ditas,

Já não as recordo.

Na parede branca

Procuro o que deveria ter escrito

Para dizer com ternura

As palavras interditas.

 

Olho o vazio,

A parede branca,

Já nem sei à espera do quê.

 

Rio de palavras,

Escrita em movimento,

Palavras apagadas,

Águas paradas,    

Espelho enrugado pelo vento.

 

Palavras, espelho depravado

Deformador do passado

Que em vão procuro no vazio branco.

 

Deitado na parede branca

Um corpo translúcido

Que se esvanece à minha frente

Sem que possa abraça-lo

Sequer com o olhar.

  Zé Onofre

19
Nov21

Comentário 158

Zé Onofre

    158

 

Nas palavras

Há verdades escondidas,

Caminhos escuros,

Veredas luminosas,

Tesouros perdidos.

 

Nas palavras escritas em placas de argila,

Em folhas de papiro,

Em tabuinhas de cera,

Nas memórias dos velhos,

Nas memórias dos poetas,

Nas memórias dos bardos,

Nos tratados filosóficos,

Há bravura que se derrama em fraqueza.

 

Há verdades absolutas,

Há mentiras

Que se vestem de verdade,

Há medos

Que atrás de armaduras e escudos

Se engalanam de coragem.

 

Nas palavras tudo é possível.

A verdade

Estampa-se nos gestos.

Cair,

Levantar,

Erguer a cabeça,

Seguir em frente,

Sem querer saber de quedas futuras.

 

O gesto de enfrentar,

Ainda que com olhares líquidos,

Quem espezinhou,

Apontar o nariz ao futuro

Mostra dignidade,

Expõe o seu grande coração

Que nunca escondeu.

   Zé Onofre

17
Nov21

Comentário 156

Zé Onofre

                     156

 

2021/08/03

 

Procuro o silêncio

Nas horas plenas

Da noite avançada.

O silêncio solta a imaginação.

Rumo ao vazio,

Tento ler os segredos

Das suas origens

Que esconde com pudor

De se expor.

Enquanto vagueio

Entre as palavras não escritas.

Ele, maroto,

Decifra-me como se fosse de cristal.

Em mim descobre

Universos completos.

Estrelas,

Planetas,

Órbitas,

Probabilidades de Universos paralelos.

 

Rendido a ele,

Silêncio absoluto,

Silêncio escritor,

Meu mestre etéreo.

Rendido ao silêncio

Que é mar e sol,

Deserto e praia,

Cascatas e arco-íris,

Brumas e encantamento.

 

Submetido

Às colinas de palavras,

Flutuo de uma a outra.

Cada parágrafo, que não escreve,

É um precipício

Em que desfaleço

De onde me resgata

O veleiro da imaginação.

   Zé Onofre

16
Nov21

Comentário 155

Zé Onofre

            155

 

2021/08/02

 

A vida é feita

De estranhos caminhos.

Linhas emaranhadas,

Encruzilhadas desconhecidas,

Palavras mal garatujadas,

Lutas leais,

Lutas desiguais,

Vãs glórias,

Fortes vendavais.

 

A vida

É o medo que nos rói,

A alegria que nos eleva,

É mentira que dói,

A verdade que magoa,

O vazio que nos preenche,

A solidão que nos rodeia,

A multidão que nos esmaga,

A tristeza

Que se derrama dos olhos.

A vida são amores,

Desamores,

Ódios,

Amizades

Que vão,

Que veem,

Que ficam,

Que estão.

A vida está lá.

 

 

Felizes os que a acham.

  Zé Onofre

02
Nov21

Comentário 143

Zé Onofre

                  143

 

Tropeçando nas minhas andadas pernas,

Sou atirado para o presente por uma voz

Vigorosa. - Acorda, deixa o tempo das cavernas,

Ou por acaso desejas que nos quedemos aqui sós?

 

Ao lado, "dois anos e meio" muito terna

Faz bolinhos "a sério" para todos nós.

Chegada a mim, quase oito anos, desperta

A avó, com palavras que vêm atadas por nós.

 

Conta as comédias da escola com confiança.

Usa palavras, que eu desconhecia naquela idade.

Aqueles quase oito dizem-me ​com segurança

 

Que só vejo a nova forma da realidade

Através do olhar límpido de uma criança,

Quando se expressa com verdade.

31
Out21

Comentário 141

Zé Onofre

                 141

 

2021/07/02

 

Palavras encadeadas,

Correntes,

Que arrastamos pelo papel.

Coisa espantosa

Que quantos mais se usam,

Mais insuficientes são

Para comunicar com clareza

O que na mente

É transparente.

Não sei

Se a questão está nas palavras,

Ou na tentativa vã

De por palavras explicarmos

O inexplicável.

 Não seremos nós,

Semeadores das palavras,

Que consciente,

Ou inconscientemente

Fechamos a porta,

Aprisionamos,

As palavras certas?

 

 

21
Out21

Comentário 132

Zé Onofre

132

2021/06/07

Em quantos labirintos me perdi
À procura dessa imaterialidade
A que chamamos amor?
Quantas palavras mal rabiscadas
Escrevi em papéis inocentes
Que acabaram em bocados na fúria das mãos,
Ou em cinzas na minha fúria inquisitorial?
Quantas palavras ditas no silêncio

 

Da gruta, chamada pensamento,
Que nem direito tiveram
A ver a luz do papel.
Onde estava Ariadne
Quando neles entrei?

Zé Onofre

 

13
Set21

Comentário 95

Zé Onofre

                  95

 

Pelo caminho das palavras

Nos conhecemos.                                        

Pela encruzilhada

Delas nos cruzamos.

Porém por esse caminho

Não fui fisicamente,

Calcando o caminho cortante

Das pedras.

Vou quem sou,

Talvez, quem sabe

Por um caminho mais afiado

Do que o das pedras.

Embora não me cortem os pés,

Mas rasgam a sombra que me cobre,

Expõem sem recato algum,

Algumas flores sim,

Mas chagas muitas mais.  

    Zé Onofre

07
Set21

Comentário 87

Zé Onofre

87

Talvez,

Se pedisse a alguém,

Que me contasse o que o consome

Me sentisse mais aliviado.

A tristeza que me invade,

Se é que não sou feito dela,

Vem, já não sei de que tempo vem,

Nunca saberei quando acabará.

Começando a desfiar

A linha da tristeza

Seria tão longa,

Tão longa,

Que as palavras seriam poucas,

E o papel teria que ser às rimas,

E não haveria olhos que não se cansassem.

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