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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

25
Jan22

Comentário 200

Zé Onofre

                     200

 

2021/10/27, Sobre a publicação Quem és tu?!, de Eu sou Eu

 

Certamente seria,

Diz Desmond Morris

Uma das não sei quantas espécies de símios,

Sendo que pertenço à espécie pelada,

Macaco Nu.

Há pouco ainda

Desci de uma árvore.

Caminho, ainda a quatro.

De olhos no chão

Só enxergo apenas à frente do nariz.

O alto das árvores

Ficou para trás

Encurtaram-se-me as lonjuras.

Para ver mais além

 

Tacteante levanto-me

Firmo-me nos membros posteriores

Torno-me homo "erectus". 

Com um ramo com que prolongo o braço

Ou mais comprido fica

Com uma pedra que arremesso.

E ali ficaria. 

Não faria o resto da caminhada

Que me trouxe, ao agora

Que hoje sou - somos –

A tentar ir mais além,

Talvez porque sim,

Sem saber como

Nem para quê.

20
Dez21

Comentário 180

Zé Onofre

                    180

 

2021/08/29

 

Quem nunca errou que atire a primeira pedra.

O mal não está em errar.

O mal não é descobrir que se errou.

Mal é errar, saber que se errou, e persistir no erro.

Errar, reconhecer, tentar não repetir é caminho do humanismo.

Errar é humano.

Reconhecer o erro é algo mais além.

  Zé Onofre

29
Out21

Comentário 139

Zé Onofre

                    139

 

2021/06/25

 

Gosto muito de bancos do jardim.

 

Não me interessa

Que seja uma pedra dormente,

Estendida na terra,

Ou assente em duas escravas.

 

Não me interessa

Que seja uma estrutura luxuosa

De ferro fundido,

Coberto com madeira pintada

Envernizada,

Ou gasta pelo uso.

 

Não me interessa

Que seja um tronco musgoso

Caído ao acaso na berma dos passeios,

Ou muito arrumadinho por mãos jardineiras.

 

Gosto deles todos.

Onde me sento a apreciar a vida

Que há para além das flores

E das árvores.

 

As crianças

Ciclistas no presente,

Futebolistas no momento,

Desconhecedores do futuro

Para onde o rego da vida os levará.

 

Aquele casal de idosos,

Parecendo cansados da vida,

Mas que ainda assim

Trocam olhares coniventes

E carinhosas festas leves nas mãos engelhadas.

 

A juventude

Que se deita no banco

Depois de um dia atribulado

De estudo,

Ou de trabalho,

Ou de palmilhar ruas

Em busca de um ganha-pão.

 

Aqueles jovens enamorados

Que, a continuarem assim,

Com aquela troca de lábios quentes,

De olhares incendiados,

Com as mãos exploradoras,

Nos quais já se preveem,

Crianças, Ciclistas e futebolistas,

Que inocentes aguardam

O futuro

A que o rego da vida as levará.

    Zé Onofre

15
Set21

Comentário 97.1

Zé Onofre

                   97.1

Caminhos,

Velhos caminhos

São sempre os mais queridos.

Os novos caminhos nunca se igualam

Aos velhos caminhos.

Quanto mais antigos

São os velhos caminhos

Que mais nos atraem.

Que mistérios

Há nos velhos trilhos,

Que tantas vezes pisamos,

E que hoje, ao serem caminhados de novo,

Nos soltam duas fontes no rosto,

Um sorriso de melancolia

Na boca triste.

Que de novo têm os velhos trilhos

Se quando tantas vezes os passeamos

Há tantos anos?

Mais uma pedra, menos uma pedra,

Mais arbusto, menos arbusto,

Mais voo, menos voo,

De ave, mais, ou menos, migratória.

Sinto-me preso aos velhos caminhos

Pelas vozes dos amigos que ali vão,

Mas que há já muito se esfumaram,

São os pensamentos compassados

Ao ritmo de um outro tempo,

É o vento que esvoaça os cabelos

Que já não temos,

É aquela chuva miudinha.

É o estar sentado com a companheira

Olhando o horizonte.

E mesmo que a companheira de ontem,

Seja a companheira de hoje,

Companheira e paisagem

Não são as mesmas.

09
Set21

Comentário 90

Zé Onofre

 

               90

Às vezes caminho

Distraído de tudo,

Esquecido de todos.

De repente tropeço

Numa pedra,

Num tronco caído,

Ou levo com uma bolota,

Ou com uma pinha

Na pinha.

Aquele momento que é agora,

Troca-me as voltas,

Gira-me entre o passado e o futuro,

Fico sem saber que tempo é.

Outras vezes,

Sentado numa cadeira

Distraído num jornal,

A folhear, ao acaso, um livro

Que há muito não abria,

Bato com o olhar

Numa frase,

Numa imagem,

Numa fotografia.

Trazem, 

Vindos do fundo do esquecimento,

Amores antigos.

Então,

Os de hoje,

Os de ontem,

Apanham-me numa rede

Que me larga zonzo

Na praia da vida.

      Zé Onofre

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