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Comentários

28
Jan22

Comentário fora da numeração 3

Zé Onofre

Fora de numeração 3 

 

Podem milhões de negacionistas afirmarem que não aconteceu, mas mesmo eles sabem que aconteceu.
Por isso não devemos, não queremos nem podemos esquecer, para que o horror não volte a acontecer, seja em que latitude e longitude deste planeta for.
Que a violência de um povo sobre os outros povos, não mais se repita.
Que a violência da mentira não volte a acontecer para justificar guerras onde convém aos poderosos deste mundo.
Que a religião deixe de ser usada como motivo para guerras Santas ou não.
Que quem pensa diferente tenha direito ao seu lugar na Terra sem ameaçar nem ser ameaçado.
Que todos os Povos tenham direito a um sítio, local, país, nação ou Estado onde possam viver
livres de ameaças e sem ameaçar os outros.
Que os que viveram o Inferno do Holocausto, tenham bem viva o Inferno que viveram e não criem Novos Infernos para os outros.
Que ninguém Esqueça.

Zé Onofre

11
Set21

Comentário 92

Zé Onofre

                        92

Os que gostam do Natal,

Gostam-no por razões diferentes.

Uns pela prendas que recebem,

Outros pela crença religiosa,

Alguns pela reunião da família.

Para mim o Natal

Começava no dia 24 de Dezembro

E terminava às primeiras horas

Do 1º de Janeiro.

Era a semana mais linda do ano.

 

O pai chegava mais cedo,

Jantávamos mais depressa,

Rezávamos o Terço bem despertos.

 

A seguir vinha o melhor.

O pai tirava do bolso um papel dobrado,

Abria-o,

Lia, para os ouvidos curiosos da família,

As Janeiras do ano.

Cantava-as com música dele,

Ou por ele adaptada,

 

Começavam os ensaios

Com o olhar crítico da família

Posto em mim gritando-me,

Cala-te.

 

No dia 31, no fim do jantar,

Partia o grupo dos Janeireiros

A dar as Boas-Festas à casa do tio.

Chegados à porta,

Rompia o coro,

Sem a minha voz,

Para não estragar a Festa.

 

Abria-se a porta,

Os cumprimentos costumados.

A seguir era comer,

Contar natais passados,

Janeiras idas.

Os jovens dançavam.

As crianças sorridentes,

Abriam os olhos de espanto,

E diziam umas para as outras

-Já tantas da manhã e nós a pé.

 

Chegava a hora da partida.

Uns não queriam ir,

Outros não queriam partir.

E no vai e vem até à porta

Passava-se quase uma hora.

Partíamos a custo,

Mas o pai já devia ressonar,

Na sua cama junto da mãe que ficara.

 

Começava a caminhada,

Perna bamboleante

Pé à frente, pé atrás,

Longa de cinco quilómetros.

 

Num ano,

Já com a casa à vista,

Vimos surgir de uma curva,

Um vulto tropeçando nas pernas.

- É o sr. João da Calçada -

Nosso vizinho, falecido havia pouco.

 

As pernas ganharam um último alento.

Sobem as escadas duas a duas,

A porta é quase arrombada

E mais rapidamente trancada.

 

Apenas eu, o mais novo e mais lento,

Fiquei fora da porta

A chorar baba e ranho de todo o tamanho.

Afinal o morto continuava bem enterrado.

Era o sogro do dono do Tasco da aldeia

Que regressava a casa

Com uma “vesana” das antigas.

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