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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

05
Abr22

Comentário 236

Zé Onofre

                 236 

022/03/21, sobre a publicação, Mostra-me a poesia nas coisas feias,  de Maria em silêncios.

 

A poesia da guerra

Não está na guerra,

Nas vidas ceifadas,

Sejam elas das primaveris flores,

Ou dos inocentes animais das florestas,

Das vidas acabadas antes do tempo.

 

A poesia da guerra

Não está nas pernas cansadas

Que automáticas avançam

Por entre prédios destruídos,

Caminhos carbonizados,

Ainda mais escuros

Pelo vermelho que foi vivo,

Do sangue derramado.

 

A poesia da guerra

Não está nas palavras que tentam explicar,

O inexplicável,

Na procura de culpados,

Quando todos o somos,

Nas palavras trágicas com que a mostram,

Até ao pormenor mais insignificante,

Para se derramarem lágrimas fáceis.

 

A poesia da guerra

Poderá estar no modo terrível,

Como de tempos a tempos,

Cada vez mais frequentes esses tempos,

Somos chamados à realidade crua

Em que vivemos,

Se esse despertar assustado

Fizer florescer no chão,

Que somos nós,

Uma flor de Paz

Que destrua, por uma vez,

Toda a indústria da morte.

 

    Zé Onofre

01
Abr22

comentário 231

Zé Onofre

                   231 

 

022/03/11, sobre o texto Estado de Urgência, de Concha em croónicasdochãosalgado

 

Até quando,

Ó humanidade que vives do trabalho,

Te deixarás levar pelos interesses do Capital?

 

Até quando,

Ó humanidade que vives do trabalho,

Te deixarás enganar "é do interesse da Nação"?

 

Até quando,

Ó humanidade que vives do trabalho,

Morrerás por guerras de poder que nada te dizem?

 

Ó humanidade que vives do trabalho,

Não mais sejas carne para canhão,

De quem vos suga a vida no dia a dia,

E derrama o vosso sangue nos campos da morte.

   Zé Onofre

 

25
Mar22

Comentárfio 228

Zé Onofre

                   228  

022/02/08, sobre a publicação rimar pobre, Maria Soares  

 

Passo a vida distraído.

 

Passo a vida a olhar o infinito,

A ver impossíveis no horizonte,

À procura de sonhos onde não podem medrar,

A tentar o possível em terrenos improváveis.

 

Passo a vida distraído.

 

Pouso os olhos no chão.

Fecho os ouvidos aos silêncios

Que gritam do mundo em volta.

Calco as pedras do caminho perdido.

 

 Passo a vida distraído.

 

Vou para longe dentro de mim.

Passo sem andar.

Lanço os olhos ao infinito,

Sem ver.

Abro os ouvidos

E nada ouço.

Rasgo a pele nos caminhos

E nem sinto o sangue a escorrer.

 

Passava pela vida distraído.

 

Um dia cansado atirei-me ao chão.

Para ali fiquei ainda mais esquecido

Do que andara até aí.

 

De olhos piscos

Já quase fechados de tanto não ver

Uma imagem mos abriu,

E todos os sentidos com eles.

 

Estava ali o infinito,

Os horizontes impossíveis,

Os sonhos por medrar,

Os gritos dos silêncios,

A pele rasgada pelos caminhos,

O sangue nas pedras agrestes.

 

Sentado no chão,

Ou talvez suspenso das nuvens,

Uma miragem,  

Ou um ser real,

Escreve com lápis,

Ou será com as palavras que sussurra,

Numa folha longa de papel,

Ou num pedaço da paisagem

As angústias do ser,

Ou talvez as alegrias do nada,

Que gratuitamente

Distribui por presentes,

Por ausentes,

Por vindouros,

A sua riqueza

“O pensamento

Que não há machado que corte,

Quando é livre como o vento”,

Como livre é aquele ser ali

Despojado de tudo.

  Zé Onofre

01
Mar22

Comentário 219

Zé Onofre

                  219  

 

022/01/15, sobre uma publicação de Isabel Silva em sussurros-da-mãe-natureza

 

É bom estar em sintonia

Com o vento que passa,

Com chuva, lágrimas de alguém,

Com a água fina e fria

Que correndo vai cantando

Em leito de pedras,

Que águas passadas amaciaram.

 

É tão bom parar o tempo

Apreciar um arco-íris de cores impossíveis,

Observar o sol curioso

A espreitar pelos buracos das cortinas cinzentas,

Brilhando um brilho diferente,

Em cada olhar.

 

É um sentir sem sentido,

A natureza a pulsar no corpo,

Vivê-la tão profundamente

Como se fôssemos só um,

Não um poste ao alto

Um rasgo de sangue

No corpo da natureza.

 Zé Onofre

10
Jan22

Comentário 195

Zé Onofre

                   195

 

2021/10/11

 

É da natureza das coisas

As folhas caírem uma a uma,

Ou então serem varejadas por um vendaval.

É da natureza das coisas

Umas folhas

Caírem desvalidas no chão,

Outras com sorte

Voarem aves tontas

Na loucura do vento,

E outras serem veleiros

Em riachos

Levando sonhos nossos

A navegar.

Agora o que não é

Da natureza das coisas

É que multidões de folhas-homens

Sejam pisadas e humilhadas

Todos os dias

Por uma minoria

De homens-folhas

Cobertas de ouro,

Sangue das outras esmagadas.

  Zé Onofre

27
Set21

Comentário 109

Zé Onofre

                   109

 

Que diabo,

Se passa com os homens?

Em que monstros nos tornamos?

Que seres

Insensíveis, fizemos de nós?

Em que encruzilhada

Tomamos o caminho errado?

Que fizemos

Da Humanidade Sonhadora?

Quantas vezes

Spartakus morreu às nossas mãos?

Quantas vezes

Crucificámos Cristo?

Quantas revoluções

Vimos abortar de mãos caídas?

Que fizemos

À Igualdade, Fraternidade, Liberdade?

Que fizemos do sonho de vermos

“Todos os homens nascerem livres e iguais?”

Que fizemos da vontade de unir                        

 “Os Proletários de todo o Mundo?”

Tanto sangue perdido

Para fazer um mundo melhor.

Tanto sangue derramado,

Para não haver “Judeu, ou Grego,

Nem senhor, nem escravo”.

Aqui estamos nós

Sonhadores

Que fomos,

Sonhadores

Que queremos continuar a ser,

Subjugados a um poder

Que sem rosto,

Governa sem lei,

E dá pelo nome de  

- Mercado.

Em que momento

Da caminhada

Nos desviamos do sonho?

   Zé Onofre

20
Set21

Comentário 102

Zé Onofre

                       102

[Sentado num café na Parede. Com um postal ilustrado com a Ponte 25 de Abril,

que também se vê ao longe.]

Se observarem bem o postal
Concluirão que não há somente
Uma vista a perder-se longamente
De que a ponte é o centro afinal.

Se acaso o vosso olhar, não for igual
Ao da distraída e apressada  gente,
Verá escorrer dos cabos, certamente,
Muito esforço, dor, suor e sal.

 

Descortinarão ali, naquela ponte,
Não só ferro ordenado, cravado,
Mas algo que escorre do monte

Gotejando até esta margem do Tejo alargado,
Que o tom avermelhado esconde,
Muito sofrido sangue misturado.

    Zé Onofre

 

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