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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

14
Abr22

Comentário 243

Zé Onofre

                   243 

 

022/03/15

 

Sobre uma fotografia de Luís Cutileiro, em photografias. blogs.sapo.pt, no dia 022/03/15

 

Ao longe,

Um pano preto,

Parado na paisagem

Ensombra o caminhante.

 

Ao longe,

Um misterioso pano preto,

Estático na paisagem,

Tem dois rasgões

Por onde se escoam dois raios

Que ainda mais

Ensombra o caminhante.

 

Caminhante

E pano negro aproximam-se

Mutuamente assombrados.

 

Aqueles raios de luz,

Dois olhos fugidios.

O pano negro,

Embrulha em escuridão misteriosa

Um corpo

Cujas formas só podem ser imaginadas.

 

Uma paixão súbita

Explode mais forte

Do que o corpo se mostrasse

À luz dos olhos do caminhante.

 

Aqueles olhos, raios enigmáticos,

Apenas alcançam em frente,

Presos dentro daqueles rasgões,

Veem para lá do corpo

As emoções do desconhecido caminhante.

 

Cruzando-se sem trocarem palavra

Conhecem-se profundamente

Pelo silêncio dos olhares.

 

Ao cruzarem-se,

No silêncio do caminho,

As sombras viraram cinzas,

Com as chamas do desejo

Que o mistério oculto

Ateia ainda mais.

  Zé Onofred

06
Dez21

Comentário 168

Zé Onofre

                    168 

2021/08/13

 

 Silêncio

Palavra neutra

A luz branca

Das palavras

 

Para o decifrar

Teremos que encontrar

O prisma

Que as refracte

Para se tornarem visíveis

 

O silêncio, teu,

É toda a resposta

Às perguntas infinitas

Desta que vês

E sabes quem é.

 

Quê? Porquê?

Sempre a correr atrás do tempo,

O tempo a fugir.

Não gastes o tempo

Com o tempo.

 

Olha bem

No fundo do meu olhar.

Repara

Não verás mentiras.

 

Apenas estampadas,

Com toda a transparência,

Os sentimentos

Que te demonstro

Em abraços bem apertados.

 

Percorro

O caminho do teu rosto.

Desço lentamente.

Começo na testa,

Passo nos olhos,

Na fenda da boca,

Nas colinas e vale do peito,

Continuo por aí abaixo

Sem pressa nem sofreguidão.

Regresso

Termina a caminhada

Selando o meu sorriso

Com aquele beijo, teu,

Que é único.

 

Vem autenticamente

De mãos nuas e puras.

Troquemos de corpos.

Nesse cruzar

Sentirás o que sinto,

Viverei a alegria

Que tu vives.

 

Os nossos corpos

Enredados um no outro

Será o prisma

Que lerá o silêncio que nos une.

   Zé Onofre

 

29
Nov21

Comentário 162

Zé Onofre

                      162

 

2021/08/08

 

Sentado em silêncio

A partilhar milénios

Com as águas deste rio,

Aparentemente em movimento,

Que aqui se apearam

Para espelhar

A tua chegada calma

Como se viesses

Nas asas do sonho.

 

Aqui sentado,

Mais quedo do que as águas,

Mais silencioso

Do que o bater das asas

De aves milenares,

Das vozes roucas dos corvos,

Que se uniram

Para fazerem coro

Com as rizadas e cantares

Das crianças

Iguais

Em todos os tempos e lugares.

 

Aqui sentado,

Neste nesta areia sem tempo,

Enredo-me

No hoje

E nas recordações,

E fico tão fora do mundo,

Que não sei se os suspiros,

Os beijos,

Os abraços,

Tudo o que vivemos

Na areia ainda húmida

Ébrios

Dos nossos lábios

Carregados de licores,

São neste tempo,

Ou num tempo sem tempo.

 

Aqui sentado

Vivendo tudo agora,

Ou na recordação

Que o silêncio conserva.

 Zé Onofre

 

28
Nov21

Comentário 161

Zé Onofre

                     161 

 

2021/08/07

 

Ir

Por aí

Sob a arcada das árvores

Brincando com a luz,

As sombras,

E o silêncio.

Ir

Por aí,

De mãos tímidas,

Na tarde dourada

Percorrendo espaços

Que somente a imaginação

Poderá descodificar.

Ir

Por aí

Ousadamente

Olhar as águas

Que de tão paradas

São quadro abstracto.

Ir

Por aí

De degrau em degrau

Pelo silêncio da noite,

Pela claridade dos anos

Celebrando

Os dias vividos.

Ir

Por aí

Sem ansiedade,

Sem promessas.

Ir

Por aí

Apenas ir

Sentada nesta cadeira,

Olhando-te

Fixo naquela boia de pesca.

Sei que naquela boia quieta

Não é a boia que vês.

Naquela boia dás-me a mão

Para seguirmos um rumo

Que o amanhã, talvez,

Revelará.

17
Nov21

Comentário 156

Zé Onofre

                     156

 

2021/08/03

 

Procuro o silêncio

Nas horas plenas

Da noite avançada.

O silêncio solta a imaginação.

Rumo ao vazio,

Tento ler os segredos

Das suas origens

Que esconde com pudor

De se expor.

Enquanto vagueio

Entre as palavras não escritas.

Ele, maroto,

Decifra-me como se fosse de cristal.

Em mim descobre

Universos completos.

Estrelas,

Planetas,

Órbitas,

Probabilidades de Universos paralelos.

 

Rendido a ele,

Silêncio absoluto,

Silêncio escritor,

Meu mestre etéreo.

Rendido ao silêncio

Que é mar e sol,

Deserto e praia,

Cascatas e arco-íris,

Brumas e encantamento.

 

Submetido

Às colinas de palavras,

Flutuo de uma a outra.

Cada parágrafo, que não escreve,

É um precipício

Em que desfaleço

De onde me resgata

O veleiro da imaginação.

   Zé Onofre

21
Out21

Comentário 132

Zé Onofre

132

2021/06/07

Em quantos labirintos me perdi
À procura dessa imaterialidade
A que chamamos amor?
Quantas palavras mal rabiscadas
Escrevi em papéis inocentes
Que acabaram em bocados na fúria das mãos,
Ou em cinzas na minha fúria inquisitorial?
Quantas palavras ditas no silêncio

 

Da gruta, chamada pensamento,
Que nem direito tiveram
A ver a luz do papel.
Onde estava Ariadne
Quando neles entrei?

Zé Onofre

 

21
Jul21

Comentário 55

Zé Onofre

                     55

O silêncio é meu amigo,

É a mãe de todos os prodígios,

Das palavras que não escrevi,

Das canções que nunca ouvi,

Das descobertas científicas a haver.

O silêncio

É o mar por onde navego,

Guiado pela Estrela Polar,

À procura do Cruzeiro do Sul,

Das américas,

Do Mostrengo que está no fim do mar.

Abençoado silêncio

Que me permite ouvir as raízes crescer,

Ouvir o crepitar das estrelas,

O orvalho congelar,

Ouvir o som antes de acontecer.

Zé Onofre

 

19
Jul21

Comentário 53

Zé Onofre

                 53

Solidão e Silêncio

Meus companheiros de todos os momentos.

Em qualquer lugar refugio-me.

Olhando o nada sem limites,

Dialogo comigo e comigo

E um deles é os outros.

Quando volto

Continuo a estar, não estando.

Às vezes, também sinto a falta

De um carinho,

De uma fala amistosa,

De um sorriso só para mim.

Nessas alturas é que o papel paga,    

Carregando palavras sem sentido.                           

    Zé Onofre

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