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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

01
Mar22

Comentário 219

Zé Onofre

                  219  

 

022/01/15, sobre uma publicação de Isabel Silva em sussurros-da-mãe-natureza

 

É bom estar em sintonia

Com o vento que passa,

Com chuva, lágrimas de alguém,

Com a água fina e fria

Que correndo vai cantando

Em leito de pedras,

Que águas passadas amaciaram.

 

É tão bom parar o tempo

Apreciar um arco-íris de cores impossíveis,

Observar o sol curioso

A espreitar pelos buracos das cortinas cinzentas,

Brilhando um brilho diferente,

Em cada olhar.

 

É um sentir sem sentido,

A natureza a pulsar no corpo,

Vivê-la tão profundamente

Como se fôssemos só um,

Não um poste ao alto

Um rasgo de sangue

No corpo da natureza.

 Zé Onofre

28
Fev22

Comentário 218

Zé Onofre

                   218, sobre uma publicação de Maria, em dias de outono, nesta data

 

022/01/08

 

 Um dia, 

O sol há de sorrir outra vez.

E nós estaremos lá

Para o recebermos de braços abertos.

Depois dançaremos com o vento

E a energia da vida

Voará até ao limite do azul.

  Zé Onofre

11
Dez21

Comentário 172

Zé Onofre

                    172 

 

2021/08/17

 

Quando o sol

Lentamente inicia

A transição do dia

Para a noite

Há um mistério

Que me enevoa os olhos,

Choro por dentro.

 

Vejo,

Para lá das vidraças,

Os campos verdes

Vestem-se de luto.

 

Algumas árvores

Abrigam a passarada

Com milhares de lençóis,

Enquanto,

Um melro tardio,

Pia ansiosamente

À procura do seu silvado.

 

Um cão tardio

Perdido em nenhures

Desconsolado

Ladra à lua.

 

As vidraças

Tornam-se espelhos,

Só vejo os meus olhos tristes,

Cansados,

Quase húmidos.

 

Abro a janela

De longe

Chegam gargalhadas

Cada vez mais longínquas.

 

Uma estrela

Depois outras

E ainda outra

Abrem caminho

À noite.

 

A melancolia evola-se,

Dá lugar ao sonho

Sem limites.

 

Lá vou eu

Pousar solitário

Numa árvore nua

Ouvir o silêncio,

O crepitar das estrelas.

 

Adormeço

Lápis caído

Sobre o caderno esquecido

Agora a minha almofada.

  Zé Onofre

 

17
Nov21

Comentário 156

Zé Onofre

                     156

 

2021/08/03

 

Procuro o silêncio

Nas horas plenas

Da noite avançada.

O silêncio solta a imaginação.

Rumo ao vazio,

Tento ler os segredos

Das suas origens

Que esconde com pudor

De se expor.

Enquanto vagueio

Entre as palavras não escritas.

Ele, maroto,

Decifra-me como se fosse de cristal.

Em mim descobre

Universos completos.

Estrelas,

Planetas,

Órbitas,

Probabilidades de Universos paralelos.

 

Rendido a ele,

Silêncio absoluto,

Silêncio escritor,

Meu mestre etéreo.

Rendido ao silêncio

Que é mar e sol,

Deserto e praia,

Cascatas e arco-íris,

Brumas e encantamento.

 

Submetido

Às colinas de palavras,

Flutuo de uma a outra.

Cada parágrafo, que não escreve,

É um precipício

Em que desfaleço

De onde me resgata

O veleiro da imaginação.

   Zé Onofre

12
Nov21

Comentário 151.A

Zé Onofre

                 151.A

 

2021/07/17

 

 

Às vezes perco-me.

Há lugares por aí

Que já visitei

Sem ter saído da prisão onde me enredo.

A melancolia

Encerra-me

E torna-me tão pequenino

Que o sol se agiganta

Em bola de fogo ao alcance da mão.

A lua

Uma lagoa leitosa

Seio da mãe.

A névoa

Cortina cerrada

Que fecha os horizontes.

Nessas ocasiões

Futuro  vidas,

Novos lugares,

Novas gentes,

Novos mundos,

Novas galáxias…

E,

Para ser perfeito,

Vou de mão dada

Com a pessoa especial.

  Zé Onofre

08
Nov21

Comentário 147

Zé Onofre

 

                 147

 2021/07/10

 Sonhar…

No terreno dos sonhos

Tudo se desenrola

Como a fantasia o desenha.

Sonho.

Há um grupo 

Que em voo picado,

Do alto da encosta,

Mergulha no rio.

Há umas crianças

Que rebolam pela encosta verde,

De leira em leira,

Até àquele fio de água

Que os marmeleiros ora escondem,

Ora mostram em reflexos de prata.

Voar

Sobre as nuvens negras,

Olhar o sol que desliza

Na abóboda azul-infinito,

Enquanto sob os pés

As nuvens se rasgam

Em fendas de luz.

Ouvir e ver as fadas

Virem com as suas mãos-de-luz,

Os seus sorrisos-azuis,

A aplanarem o caminho

Para os Príncipes e Princesas

Que eternamente se apaixonam

E vivem felizes para sempre.

Cada vez que uns lábios mágicos

Soltam as fadas no meu sonho

Venço todos os obstáculos

Como Alexandre,

Desato “os nós-górdios”

Sempre de modos inovadores.

  Zé Onofre

09
Out21

Comentário 120

Zé Onofre

120

 

Todo o Homem

Que já foi Menino

- Há “homens que nunca foram meninos”-

Se lembra

Desse tempo de encantamento.

Desse tempo

Em que acreditava

Que os seus olhos

Clareavam o dia,

Que acreditava

Que a correr

Arrastava o sol pelo azul,

Qual estrela de papel.

Que o movimento das suas mãos

Agitavam as árvores ao vento.

Que os segredos

Que as folhas confidenciavam às aves

Os segredava da sua boca inocente.

Que estas, diligentes,

Faziam chegar aos poetas.

Que os versos

Eram os sonhos que ele murmurava

Enquanto brincava

No verde dos campos,

Sentado num penedo

A mirar o rio.

Acreditava

Que o rio e o mar,

Aquela rocha e o monte além,

Existiam pela sua vontade.

Sentia-se Senhor da Terra e do Céu

Que bastava dizer a palavra mágica

Para voar para além do horizonte,

Muito mais além das estrelas,

Para além do que a imaginação alcança.

Feliz o Homem,

Que,

Por breves momentos mágicos,

Volta a ser aquele inocente menino.

  Zé Onofre

26
Set21

Comentário 107

Zé Onofre

107

 

Tanta luz.

Mais do que a luz permite.

Uma estrada de luz

Por onde os passos não têm conta

À procura do infinito.

O dia alonga-se,

Até ao pricipício,

Onde uma porta se abrirá

A jornada finda.

Mais luz haverá,

Luz, essa imensa,

Maior que a estrada criada pelo sol,

 Que vem do caminheiro,

                                                                                                                                            

Envergonhará o sol

Que triste se afogará no mar,

Iniciando a noite.

     Zé Onofre

28
Ago21

Comentário 79

Zé Onofre

                 79

Tudo era tão simples.
O sol nascia a Leste,

Morria a poente.

Era tão simples o tempo.

Uns tempos era um tal de Apolo

Que O carregava no seu carro de fogo.

Explicação ainda simples.

Copérnico e Galileu enterraram mitos e fantasias,

Fixaram o sol num lugar e a Terra aos trambolhões,

À sua volta numa velocidade de uma volta em 365 dias.

As coisas começavam a complicar-se.

Veio o Einstein e mergulhando fundo encontrou

Uma intricada rede de Espaço-tempo.
O tempo deixou apenas de ser tempo.

O espaço deixou apenas de ser espaço.

Os corpos celestes deformam o espaço,

Contraem ou alargam o tempo.

Nós, poeira de estrelas, perdidos

Num tempo que se dobra

Num espaço que se encurva.

Em que dobra de Tempo,

Em que curva do espaço

Estamos,

Ou pensamos que estamos?

Zé Onofre

 Zé Onofre

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