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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

07
Abr22

Comentário 237

Zé Onofre

                  237, Comentário à publicação de Concha, dia Mundial da Poesia, em  -crónicasdochãosalgado, no dia 22/03/21

 

022/03/21

 

O vento traz vozes misteriosas.

Muitas vezes não as sabemos interpretar,

Outras, sequer ouvi-las.

 

Em momentos de aflição,

Ou de grande alegria

O vento traz tradutor.

Então sentimos serenidade

A suavizar a aflição,

Ou encher a alegria de sorrisos.

Zé Onofre

01
Mar22

Comentário 219

Zé Onofre

                  219  

 

022/01/15, sobre uma publicação de Isabel Silva em sussurros-da-mãe-natureza

 

É bom estar em sintonia

Com o vento que passa,

Com chuva, lágrimas de alguém,

Com a água fina e fria

Que correndo vai cantando

Em leito de pedras,

Que águas passadas amaciaram.

 

É tão bom parar o tempo

Apreciar um arco-íris de cores impossíveis,

Observar o sol curioso

A espreitar pelos buracos das cortinas cinzentas,

Brilhando um brilho diferente,

Em cada olhar.

 

É um sentir sem sentido,

A natureza a pulsar no corpo,

Vivê-la tão profundamente

Como se fôssemos só um,

Não um poste ao alto

Um rasgo de sangue

No corpo da natureza.

 Zé Onofre

28
Fev22

Comentário 218

Zé Onofre

                   218, sobre uma publicação de Maria, em dias de outono, nesta data

 

022/01/08

 

 Um dia, 

O sol há de sorrir outra vez.

E nós estaremos lá

Para o recebermos de braços abertos.

Depois dançaremos com o vento

E a energia da vida

Voará até ao limite do azul.

  Zé Onofre

22
Dez21

Comentário 182

Zé Onofre

                     182     

2021/08/31, inspirado em Setembro..., Maria, em silêncios

A Natureza  

Veste cores perfumadas

Mirando, vaidosa, na água

A roupagem de Gala     

Para o baile

Que o Verão lhe oferece

Como despedida para o longo sono

Que Setembro anuncia.

 

O vento,

Ainda brisas pacíficas,

Levam docemente folhas

Em voos que acabam

Levemente deixadas

Nos caminhos do silêncio.

 

Ao longe

Toalhas de nuvens

Carregam-se de chuva,

Lágrimas tristes,

Grossas cortinas

Que velarão o longo sono

Invernal da natureza

Que Setembro anuncia.

 

Em Abril,

Ondas serenas

Que se desfazem

Em beijos de espuma

Acordarão a Natureza,

Que se vestirá de cores virginais,

Longe das glamorosas

Cores da Gala de despedida

Com que setembro de novo a vestirá.

    Zé Onofre

21
Dez21

Comentário 181

Zé Onofre

                     181 

2021/08/29

[ Inspirado em Folha Dourada de Maria Neves]  

Por trilhos,
Talhados por pés ancestrais,
Caminho por entre velhos arvoredos
Em direção ao Tâmega.

Os pés vão lentos
Já não tenho pressa de chegar.
Já não tenho nos olhos
O brilho do Verão a começar.

Hoje, ao sabor do vento,
Folhas doiradas sobem e descem
Almas certamente perdidas
Das aves que se abalaram.

Poisam suavemente à minha frente
Mensageiras de novas, já esperadas,
Que o sol debruçado nos montes
Anuncia - O verão está a acabar.

Avanço com pernas lentas
Pressentindo o facto consumado.
O Verão nos seus derradeiros momentos
Traz já o Outono associado.

Chego àquela parte do rio,
Lagoa que fora verde, agora mil colorida,
Pelo reflexo das folhas outonais,
Pelos raios solares a rasar.

Entro de manso nas águas quedas
Nado até ao açude onde me sento.
Oiço o canto melancólico das águas
Escorrendo pelas pedras em fios derradeiros.

Regresso do açude numas últimas braçadas.
Sei que estas são as últimas
Enquanto os meus olhos melancólicos
Se alagam em água doce e salgada.

    Zé Onofre

 

 

 

16
Dez21

Comentário 177

Zé Onofre

                     177

 

2021/08/24

 

Olho o vazio triste.

Apenas uma parede branca.

 

Na parede branca

Procuro palavras

Se ditas,

Já não as recordo.

Na parede branca

Procuro o que deveria ter escrito

Para dizer com ternura

As palavras interditas.

 

Olho o vazio,

A parede branca,

Já nem sei à espera do quê.

 

Rio de palavras,

Escrita em movimento,

Palavras apagadas,

Águas paradas,    

Espelho enrugado pelo vento.

 

Palavras, espelho depravado

Deformador do passado

Que em vão procuro no vazio branco.

 

Deitado na parede branca

Um corpo translúcido

Que se esvanece à minha frente

Sem que possa abraça-lo

Sequer com o olhar.

  Zé Onofre

12
Dez21

Comentário 173

Zé Onofre

                    173

 

2021/08/18

 

 Regresso,

Às alturas

Onde o vento

Corre frio em Agosto.

 

Subo,

Ao morro

Onde outrora,

Numa torre de vigia,

Um jovem Cristão

Espiava o horizonte,

À espera

Da bela princesa Moira.

 

Abro os braços

À corrente quente

Que vinda lá do fundo  

Me leva ao mais alto azul,

Ave de rapina.

 

Entonteço,

Em voltas e rodopios

Ascendentes.

 

Lá desse azul imenso

Vejo um fio de água,

Às vezes lagoas,

Que de açude em açude,

Desce os degraus até à foz.

  

No voo azul

Homens

Que fazem a sesta

À sombra das parreiras,

Ou seguram as paredes da casa

Com corpos cansados.

 

Uma corrente fria

Poisa-me suavemente

Folha morta

No chão.

 

Abro os olhos.  

Os braços ainda

Balançam ao vento

Sobre o abismo.

 

No penedo dos encantos

Apenas o cabelo

Voa livre no vento.

    Zé Onofre

08
Dez21

Comentário 170

Zé Onofre

                   170

021/08/14

À noite
Na minha casa velhinha
De telha vã,
Ouvia o vento passar.

Algumas vezes
Era uma aragem
Doce,
Terna,
Suave,
Mãe a embalar o seu bebé.

Outras,
Um pouco mais ligeiro,
Assobiava,
Cantava,
Desafiava-me a sair
Para dançar com ele,
Com as folhas,
Pelos caminhos
No largo.

Umas outras
Passava violento,
Abrindo os telhados
Para que a minha cama se elevasse,
Veleiro celeste
Rumo ao infinito.

Zé Onofre

03
Dez21

Comentário 165

Zé Onofre

                   165

2021/08/10

 

A minha vida

Não sou eu

É apenas o que pareço.

 

Gosto de andar lá por cima

Nu

Ou vestido

A apreciar as pequenas formigas no carreiro.

 

Não tento desvendar segredos,

Nem em murmúrios

Comentar uns belos olhos,

Ou sequer acariciar

Aqueles cabelos soltos no vento.

 

O rosto que surge,

Uns peitos que apontam

Possíveis caminhos,

Apenas me deixo fantasiar.

 

Fantasias

Que caneta alguma ouvirá,

Essa comadre de leva e trás,

Em parceria com o papel.

 

Lá no alto,

Sem saber de onde venho

Sinto-me um Génio

Sem dons.

 

Incapaz de saber os longes,

Crio amores

Para os quais devagar avanço.

 

No último momento,

Tão sombra como me aproximei,

Recuo ainda mais sombra

Sem saber para onde vou.

escrito de pois de ler -  Deixo aos outros saberem viver a minha vida, Maria em silêncios

Zé Onofre

 

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