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Comentários

14
Dez21

Comentário 175

Zé Onofre

                    175

 

2021/08/21

 

 A minha vida

É um barco abandonado  

Ao sabor dos ventos

E das marés.

 

Nele aprendo

Com tentativas e erros.

Umas vezes,

Desastrado,

Quase voo borda fora.

 

Outras, remo sereno

No trilho do luar

Espelhado no mar.

 

Tento sempre

Seguir, só, o caminho

Passar levemente

Por entre as gentes,

Imitador da lua

Em noites de nuvens.

 

Sei, que reme

Seja para que lugar remar,

Levo como lastro

O que sou.

 

Terei que ondular

Até que a música

Me precipite no nada.

 Zé Onofre

 

16
Ago21

comentários 64

Zé Onofre

         64

Há muitos, muitos anos,

Naquele tempo, em que

"Dos ledos anos se gozam os doces fruitos".

Andava perdido

Por montes e caminhos,

Por rios e ribeiros,

Olhando os velhos arvoredos,

Espiando nos seus ninhos,

O passaredo.

Um dia os meus olhos

Cruzaram-se com uns outros

E lá se foi o gozo dos ledos anos

"Que a fortuna não deixa durar muito".

Lá se foi a paz dos ventos,

Veio um vendaval que me desnorteou.

Andei por ali assim,

Olhando em círculos de longe,

Mas não tão tanto que uns olhos meus

Se deixassem de cruzar com os seus.

O muro caiu

E não houve tempo perdido.

Muitos outras paredes caíram,

Outras tantas se ergueram outra vez.

A última foi mais dura,

Caiu, ainda não se levantou,

Por estarmos sentados em cima dela,

Ou porque foi forte o vento que a derrubou.

   Zé Onofre

04
Ago21

Comentário 48 e 49

Zé Onofre

48

2021/03/20

Também eu sou certamente dois, ou três.

O como me sonho dentro de mim.

O que me vejo no espelho,

Que reflete um outro que desconheço. 

E um terceiro, talvez o verdadeiro,

O que os outros vêm.

Fico sempre a suspirar

E a monologar.

Feliz foi Pessoa

Que era quem queria ser,

E quando queria ser,

E com uma clareza tal

Que nos convence

Que é eles todos.

  49

2021/03/21

Poema há-de ser.

Com todas as cores de todos os poetas.

Com todas as cores de todos os falares.

Com todas as cores de todas as almas.

Com todas as cores de todas as alegrias.

Com todas as cores de todos os chorares.

E se o poema se recusar vir?

Se o poema se recusar

Partilhar?

Se o poema se recusar

Aprisionar?

Vinde todos os ventos,

Vinde todas as aragens,

Vinde todas as tempestades,

Trazei até esta praia

Todos os poetas e todos os loucos.

Com os seus corpos nus,

Com as suas almas puras,

Deles faremos o poema

O mais belo que se poderá cantar.

  Zé Onofre

 

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