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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

06
Jan22

Comentário 192

Zé Onofre

                    192

 

2021/10/05, Sobre uma publicação de Fátima Ribeiro em sussurrosdaminhaalma.  

 

A ideia

De começar um caminho

É um passo.

Decidir

Iniciar a viagem

É outro

Já mais importante.

Fazer a viagem

Apreciar cada passo dado

Não querer saber do chegar

Nem onde chegar,

Mas chegar

Com outros caminheiros

Que connosco sonharam

Os mesmos passos.

    Zé Onofre

 

 

 

04
Dez21

Comentário166

Zé Onofre

                     166

 

2021/08/10

 

No nada não estou só.

Pela cabeça

Passam filmes

Mil vezes vistos,

Tantas vezes revisitados.

 

Em cada cena

Há sempre algo de novo

Que não estava lá

Das outras vezes.

 

Aquele aperto

À beira do tasco

Onde os corpos quase se fundem

Entre risinhos,

Faces coradas,

Mãos inquietamente abandonadas,

Feitas esquecidas

Passeando pelos corpos dos outros.

 

Nunca vinte minutos

Demorou um tempo

Não imenso,

Mas uma eternidade

A passar.

 

A multidão espraia-se

Individualiza-se.

Aparecem os rostos.

A uns abraços,

Para outros, um simples aceno.

Os rostos femininos surgem.

Para algumas um olhar longo,

Para outras, um sinal cúmplice

De futuros encontros.

 

É festa na aldeia.

Não é Verão,

É Maio.

 

No improvisado campo de Futebol

Hoje é uma pista de carros,

Que ao som de música,

Fora de prazo há mil anos

Acompanha os risos,

Os choques,

A perícia dos melhores.

 

Ao lado está o café associativo,

Onde a cerveja corre,

O fumo turva os olhares.

Há jovens fingindo estar por estar,

Enquanto uma mão

Intencionalmente distraída,

Encaracola o cabelo.

Também finge

Não ver uns olhos verdes

Presa nos seus caracóis

E que à saída lhe faz um sinal.

E ele fazendo-se entediado

Segue-a.

 

No fim da tarde

O povo crente alinha-se na procissão,

E jovens, vestidos de verde,

Agradecidos à Santa

Por terem regressado vivos da Guerra,

Preparam-se para levar

O pesado andor coberto a folhas de ouro.

 

A tarde tende para a noite.

As pessoas encaminham-se

De volta ao lar.

O jovem dos caracóis,

Acompanha a dos olhos verdes

Até sua casa.

 

Sem querer,

A escrever sobre tudo e nada

Fiz uma viagem

Aos meus dezasseis anos.

Assim, sem mais nem menos.

14
Nov21

Comentário 153

Zé Onofre

                      153

 

2021/07/22

 

 Se a memória me não falha

Há cinquenta e dois anos

O Homem

Teve o atrevimento

Para ir daqui ali,

E já volto.

Fazer uma viagem

Ao queijo mais apetecido da história.

Conta-se que um lobo glutão,

Convencido por uma raposa astuta,

Mergulhou na água fria e profunda

De uma poça

Para abocanhar o leitoso queijo

Bem protegido por uma cortina aquosa.

O dito glutão,

Ganhou uma pançada de água,

Uns bigodes enlameados,

E um sufoco devido à lama que emborcou.

 

Naquela madrugada,

Quatro marmanjos,

Com idade para terem juízo,

Revezavam-se no maço de tabaco,

Para que nunca faltasse o fogo,

Enquanto esperavam,

O momento, único,

Em que Armstrong,

Se tornasse no Homem-Canguru,

Ao pôr o pé em solo lunar.

 

Era o fim da magia da Lua.

Acabavam-se os banhos de Lua

Que nos punham brancos como a neve.

Acabava-se a lenda do homem das silvas

Condenado a carregá-las

Ad aeternum  

Por ter trabalhado a um Domingo.

Acabavam-se as viagens

Interestelares num raio de luar.

Apenas,

Porque lá em cima

Naquele falso queijo da raposeta,

Há um homem que espia

Através do seu capacete,

Este pó estelar,

Que nós somos

Perdidos aos trambolhões

Neste pedaço de estrela azul.

 

O Homem,

Este resquício de uma explosão estelar,

É invencível

A sonhar mais longe que os limites do espaço.

Basta uma “Kodak”

O ponto certo da luminosidade,

Para colocar a lua tão longe

Que jamais algum “Armstrong”

Caminhará.

 

Assim

A raposeta continuará a enganar o lobo,

Continuaremos a viajar nos seus raios,

Será só nossa, em noites de céu limpo.

Brincará às escondidas com todos, 

Os amantes unir-se-ão corpo com corpo,

Até ficarem um só olhar,

 E descobrirão novos mistérios lunares.

 Zé Onofre

17
Jul21

Comentário 52

Zé Onofre

                                       52

Feliz, o homem, que encontra uma caravana que o leve.

Feliz, o homem, que teve a coragem de entrar na caravana.

Feliz, o homem, que encontrou a beleza da vida, tão mais bela, do que aquela que os seus sonhos lhe mostravam.

Feliz, o homem, que encontrou forças para continuar viagem pelos seus próprios pés.

Feliz, o homem, que soube o momento certo para correr e voar ao encontro do azul para além da imaginação.

    Zé Onofre

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