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Textos/comentários a publicações de autores de outros blogs.

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Comentários

18
Dez21

Comentário 179

Zé Onofre

                     179    

 

2031/08/28

 

Que pessoa haverá que não goste da vida?

Das pequenas coisa de que ela se faz?

Dos pequenos gestos que dão sentido ao momento?

De cheirar de longe os aromas de um jantar e tentar adivinhá-lo?

Quem não gosta das estrelas que de repente estão e num fechar de olhos se foram?

Quem não gosta das luzes, que se acendendo uma a uma, anunciam o fim do dia?

Zé Onofre

14
Dez21

Comentário 175

Zé Onofre

                    175

 

2021/08/21

 

 A minha vida

É um barco abandonado  

Ao sabor dos ventos

E das marés.

 

Nele aprendo

Com tentativas e erros.

Umas vezes,

Desastrado,

Quase voo borda fora.

 

Outras, remo sereno

No trilho do luar

Espelhado no mar.

 

Tento sempre

Seguir, só, o caminho

Passar levemente

Por entre as gentes,

Imitador da lua

Em noites de nuvens.

 

Sei, que reme

Seja para que lugar remar,

Levo como lastro

O que sou.

 

Terei que ondular

Até que a música

Me precipite no nada.

 Zé Onofre

 

07
Dez21

Comentário 169

Zé Onofre

                     169

 

2021/08/13

 

Felizes são os inocentes

Que medem o tempo

Pelas suas vidas.

 

Felizes 

Os que não conhecem

Frações de tempo,

Que o vivem sem medida.

 

Felizes

Para quem o tempo

Tem o tempo

Que tem.

 

Felizes

Os que não ganham,

Nem perdem tempo,

Que apenas vão

Na corrente do tempo.

 

Felizes 

Os que olham o tempo

Não como medida da vida,

Mas a vida como medida do tempo.

 

Infelizes nós,

Os governados por um tic-tac,

Pela vibração

Dum cristal de quartzo,

Pela semivida

De um metal radioactivo.

 

Tão infelizes

Que perdemos

Vapores,

Comboios,

Autocarros,

Aviões,

E até conseguimos 

Perder tempo.

  Zé Onofre

03
Dez21

Comentário 165

Zé Onofre

                   165

2021/08/10

 

A minha vida

Não sou eu

É apenas o que pareço.

 

Gosto de andar lá por cima

Nu

Ou vestido

A apreciar as pequenas formigas no carreiro.

 

Não tento desvendar segredos,

Nem em murmúrios

Comentar uns belos olhos,

Ou sequer acariciar

Aqueles cabelos soltos no vento.

 

O rosto que surge,

Uns peitos que apontam

Possíveis caminhos,

Apenas me deixo fantasiar.

 

Fantasias

Que caneta alguma ouvirá,

Essa comadre de leva e trás,

Em parceria com o papel.

 

Lá no alto,

Sem saber de onde venho

Sinto-me um Génio

Sem dons.

 

Incapaz de saber os longes,

Crio amores

Para os quais devagar avanço.

 

No último momento,

Tão sombra como me aproximei,

Recuo ainda mais sombra

Sem saber para onde vou.

escrito de pois de ler -  Deixo aos outros saberem viver a minha vida, Maria em silêncios

Zé Onofre

 

26
Nov21

Comentário 159

Zé Onofre

             159       

2021/08/05

Respira-se a vida,

A fitar o azul-profundo,

A caminhar pela areia infinita,

A fitar navios, pontos negros no mar,

A acercarmo-nos de velas geradoras do vento,

A entrar pelo infinito com que as velas jogam,

A navegar em palavras,

Para além do céu.

Até aos ilimites do espaço.

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

Respira-se a vida

Tomando as asas aos pássaros

E livres

Traçar voos com ida

Mas sem volta.

Ao perdermo-nos num penhasco,

Joelho, continuado por um braço,

Apoio de um rosto cansado.

A escrever de memória,

Arco perdido no presente,

Que lança setas arqueadas,

Em forma de poemas

Vencendo o precipício.

16
Nov21

Comentário 155

Zé Onofre

            155

 

2021/08/02

 

A vida é feita

De estranhos caminhos.

Linhas emaranhadas,

Encruzilhadas desconhecidas,

Palavras mal garatujadas,

Lutas leais,

Lutas desiguais,

Vãs glórias,

Fortes vendavais.

 

A vida

É o medo que nos rói,

A alegria que nos eleva,

É mentira que dói,

A verdade que magoa,

O vazio que nos preenche,

A solidão que nos rodeia,

A multidão que nos esmaga,

A tristeza

Que se derrama dos olhos.

A vida são amores,

Desamores,

Ódios,

Amizades

Que vão,

Que veem,

Que ficam,

Que estão.

A vida está lá.

 

 

Felizes os que a acham.

  Zé Onofre

29
Out21

Comentário 139

Zé Onofre

                    139

 

2021/06/25

 

Gosto muito de bancos do jardim.

 

Não me interessa

Que seja uma pedra dormente,

Estendida na terra,

Ou assente em duas escravas.

 

Não me interessa

Que seja uma estrutura luxuosa

De ferro fundido,

Coberto com madeira pintada

Envernizada,

Ou gasta pelo uso.

 

Não me interessa

Que seja um tronco musgoso

Caído ao acaso na berma dos passeios,

Ou muito arrumadinho por mãos jardineiras.

 

Gosto deles todos.

Onde me sento a apreciar a vida

Que há para além das flores

E das árvores.

 

As crianças

Ciclistas no presente,

Futebolistas no momento,

Desconhecedores do futuro

Para onde o rego da vida os levará.

 

Aquele casal de idosos,

Parecendo cansados da vida,

Mas que ainda assim

Trocam olhares coniventes

E carinhosas festas leves nas mãos engelhadas.

 

A juventude

Que se deita no banco

Depois de um dia atribulado

De estudo,

Ou de trabalho,

Ou de palmilhar ruas

Em busca de um ganha-pão.

 

Aqueles jovens enamorados

Que, a continuarem assim,

Com aquela troca de lábios quentes,

De olhares incendiados,

Com as mãos exploradoras,

Nos quais já se preveem,

Crianças, Ciclistas e futebolistas,

Que inocentes aguardam

O futuro

A que o rego da vida as levará.

    Zé Onofre

22
Out21

Comentário 133

Zé Onofre

133

 

2021/06/11

 

Quando tropeço

No caminho da vida

Caio num profundo vazio.

Fico por lá

Sentado no vazio,

Observando o vazio,

Aumentando o vazio

Onde me encolho

E escondo.

Faço-me perguntas parvas

Que logicamente têm respostas ridículas.

Por lá estou feito tartaruga

Quando uma luz

Vinda de não sei onde,

Para não o sei por quê,

Me desperta do letargo.

Jamais me perguntei qual a cor daquele desterro.

Será que é azul,

Ou cada vazio

Em que tantas vezes caio

Terá a sua cor?

Apenas sei que, seja a cor que tiver,

Tem a cor do desespero.

Zé Onofre

20
Out21

C0mentário 131

Zé Onofre

                      131

 O mapa de Portugal

Ficava pendurado na parede

Entre duas janelas.

Eram duas janelas

Que escorregavam pela parede

E paravam a um metro do soalho.

Era aquele o local escolhido 

Para as aulas de Geografia.

Mais interessantes, que o velho mapa 

Que já servira gerações de alunos,

Eram as janelas abertas para a vida.

Os olhares mergulhavam nas vidraças,

De onde uma ríspida cana

manejada pelo professor

Nos pescava.

E a lição continuava.

Com a canção das serras,

Estrela, Larouco, Gerês, Marão...

A cantiga dos rios,

Minho, Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, ...

Um outro mais desafinado,

Inseguro cantava-os a custo.

O coro das linhas de ferro,

Suas estações e apeadeiros

E respectivos ramais.

Entretanto,

Pelas vidraças sedutoras

Acompanhavamos as pessoas no largo,

O carro do Neca fazia mais um frete,

Tinha chegado um comboio.

Subíamos ao mais alto dos montes,

Pelos degraus que eram os outros

Que até ele levava. 

O mais alto, no Inverno,

Cobria-se em manto branco lindo..

Tecido em foleca

- Ai de nós que não disséssemos neve -

A cana zangada

Traz-nos à realidade geográfica da lição.

- Sr. Joaquim, tão interessado

No que se passa lá fora,

Aponte no mapa a serra do Marão.

De mão trémula devido ao medo,

Que não à ignorância,

Leva o indicador, de olhos fechados,

À representação do Marão

Desenhada no mapa.

O que o Joaquim não sabia,

Nem os outros seus colegas,

Era que aquele monte mais alto,

Com sua cobertura branca no Inverno, 

Era a serra do Marão.

Se as janelas falassem

Que coisas tão interessantes

não nos teriam ensinado?

  Zé Onofre

       

 

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

10
Out21

Comentário 121

Zé Onofre

                  121

Vela,

Farol nas trevas

Entre as fragas da vida,

Que guias os espíritos,

Para uma praia dourada,

Para um ancoramento seguro.

Vela,

Luz na solidão,

Que guias as almas inquietas

Para certezas

Que acalmam as angústias.

Vela,

Unguento,

Para a dor de viver.

Vela,

És apenas uma vela,

Que o mais leve sopro de vento apaga.

Não me mostras

A paz de uma praia doce,

Não me deixas o unguento,

Que acalma as feridas de viver.

Vela,

Abandonas-me

Com uma interrogação.

Para onde vai a tua luz

Depois que te apagas?

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